Por Simone Guardiola, Conselho de Blogueiros
Ao ler o post da Marília sobre segurança, fiquei tentada a responder com ponderações. Então, percebi que deveria escrever um post com tais considerações.]
Percebe-se que a polícia, preocupada com a segurança do contribuinte, nos coloca numa posição um tanto desconfortável. Temos que entrar em casa, fechar a casa, não usar metal para isso, olhar para os lados, não falar com ninguém, não estacionar na rua, não andar à noite, não se distrair, não, não, não. Percebo que devemos deixar de viver. Sorrir, conversar com amigos na rua, andar com o cachorro de dia ou ao entardecer, sair de casa, estacionar o carro na rua, tudo é perigoso!
Claro, enquanto deixamos nossa vida passar pela janela e a entregamos à marginalidade, morremos seguros. A marginalidade aproveita as ruas, a vida, enquanto desfrutamos do nosso lar que quase sempre será invadido, porque as ruas já não serão o suficiente para eles. É mais fácil para o polícia e, assim, acreditamos que a vida seja como ela é.
Pois discordo! Penso que se voltarmos a ocupar nosso espaço, todos nós, em massa, seremos em maior número que eles! Se formos para a rua e ocuparmos os bancos das praças, se exigirmos iluminação pública eficiente, se ocuparmos as vitrines iluminadas, os cafés tão aconchegantes e, se olharmos para nosso vizinho, cidadão ao lado, para protegê-lo, assim como ele a nós, poderemos agir melhor.
Não devemos guardar o grito de socorro pelo vizinho, a denúncia pelo incômodo real, a denúncia com as informações que temos porque somos moradores do bairro e que poderão ajudar a polícia a investigar melhor as situações que nos afligem pelo conforto de sermos coitados. Hoje, não podemos mais sair com nossos cachorros, pois eles são seqüestrados, roubados, seja para pedir resgate ou para venda em troca de drogas. Isso aconteceu aqui no Moinhos e agora no Petrópolis. Minha prima foi almoçar num restaurante a quilo na Independência e ficou sem sua bolsa, ou seja, sua vida! Ela conta rindo que algo de muito bom deve acontecer com ela, já que sua casa foi assaltada em 9 de julho e nenhum tiro foi disparado. Só foram levados eletrodomésticos. Temos que agradecer por estarmos vivos!!!! Muito pouco!!!
A Associação do bairro Auxiliadora começou uma ação: os moradores são os olhos da rua. E somos mesmo! Essa ação propõe identificar, denunciar e segurar as ocorrências relacionadas à Segurança Pública na comunidade do bairro Auxiliadora. De que forma? Intercâmbio direto com agentes do Estado.
Hoje, entrei em contato com Alda Maria Py Velloso, da Associação Moinhos Vive . Levei até ela essa ação do bairro Auxiliadora, limítrofe ao Moinhos de Vento.
Unir ações gerando uma cadeia de segurança. É isso que penso. É isso que acho ser possível.
Qual não foi minha surpresa ao procurar no site da Polícia Civil o Tele-denúncia. Descobri que é preciso garimpar muito. Lá, no delegacia online, é que fui descobrir os números que nos protegem. Deve ser por causa dos trotes. Mas, e os cidadãos honestos, como ficam? Saindo ou não para a rua, vivendo ou não, denuncie. Na verdade, é a única coisa que podemos fazer, além de nos esconder da vida.
Comentários