Por Marília Cardoso, Conselho de Blogueiros
Pedestre: pessoa que anda a pé. Este é bem o perfil dos moradores da Independência — idosos que vão a bancos, fazem compras, levam seu cachorrinho para passear ou encontram amigos em simples caminhadas pelo bairro. A maioria dessas pessoas são idosas com dificuldades para caminhar, ouvir, enxergar, outras são mães levando crianças para hospitais ou escolas, muitas são grávidas, enfermeiras ou doentes saindo ou chegando ao hospital, sempre com pressa e agitadas. E estes personagens tão importantes, idosos, doentes, trabalhadores são esquecido quando não se colocam avisos e sinaleiras nos cruzamentos. São esquecidos, quando não se regulariza o calçamento deixando lajotas soltas, bueiros com tampas soltas, empecilhos como pinos, orelhões e lixeiras , todos no meio do caminho ou não se dá tempo real nas sinaleiras para eles atravessarem as ruas.
Há algum tempo pedimos uma sinaleira para a esquina da Rua Santo Antônio com a Independência. Foi prometida, mas a promessa não foi cumprida; agora o perigo passou para o outro lado da rua e novamente ficam todos sem saber o que fazer. Nesta esquina, depois da mudança de mãos das ruas Santo Antônio e Garibaldi, o problema passou a ser os carros que podem dobrar à direita, na Rua Santo Antônio, vindos da Avenida Independência. Ali não existe sinaleira para o pedestre, mas no chão está pintada uma faixa preferencial ao pedestre, e esta pintura fica muito junto à esquina, o que impede que o carro que faz a dobra na rua tenha tempo para parar. Se o sinal está aberto para os carros que trafegam pela Rua Santo Antônio, o pedestre não pode passar, se está aberto para os carros que estão na Independência, fica também aberto para fazer a conversão à direita, e de novo o pedestre não poderá passar. Pelo jeito ele não pode passar nunca. Assim, se o pedestre usasse do seu direito poderia sempre passar, a faixa preferencial ao pedestre pintada na rua dá a ele este direito ou quem sabe teria de usar a famosa mãozinha? Não existem placas indicativas, não existem sinaleiras e o pedestre esquecido tenta driblar os carros que não obedecem à preferencial e quase passam por cima das pessoas. Estamos falando nas pessoas que podem correr, e os de cadeiras de rodas, e os com deficiência auditiva e visual, e os que têm de usar muletas? Esqueceram deles?
O pior é que enquanto faltam estas sinaleiras como na Barros Cassal e na Santo Antônio , sobram muitas na Ramiro Barcelos junto à Praça Júlio de Castilhos, sem uso. Na Barros Cassal, com aquela permissão para os ônibus dobrarem para corredor de ônibus da Independência é outra armadilha. O que falta? Bom senso ou planejamento?
Planejamento é uma coisa muito importante para que o pedestre se sinta seguro. Vejamos os orelhões, a quantidade deles, espalhados pelas calçadas sem um sistema de marcas no piso, para que os deficientes visuais não esbarrem neles; o declive de algumas passagens que dificulta a condução das cadeiras de rodas; as faixas de pedestres desenhadas entre árvores e postes, obrigando as pessoas a se equilibrarem ao desviar desses entraves; postes abarrotados de fios enquanto outros estão sobrando, só plantados nas calçadas sem nenhuma função (Garibaldi esquina com a Independência); pinos no meio das calçadas para evitar que veículos estacionem, quando todos sabem que isto é proibido, há multas, pontos na carteira, mas onde estão as pessoas para multar?
E, pior de tudo: na esquina da Independência com a Garibaldi, cuja conversão à esquerda é proibida, e não respeitada, os carros dobram livremente e exatamente no momento em que a sinaleira dá direito ao pedestre passar. A pergunta que fica: porque este desrespeito todo com o pedestre? Estão só falando em Copa de 2014, vamos esperar os turistas com estes sinais de trânsito enganoso. "Faixa zebrada" ou passadeira é preferência para pedestre em qualquer cidade que se obedece as leis de trânsito e, no caso de querer reforçar, que seja colocada uma sinalização que também é conhecida pelo desenho de uma pessoa atravessando uma faixa preferencial para o pedestre.
Uma rua com hospitais e escolas deveria já contar com sinaleiras com som e a indicação de quanto tempo resta para realizar a travessia. O que irão dizer? É cara! E a vida de uma pessoa? Vamos pensar grande, vamos lembrar-nos do pedestre, afinal ele paga para ser bem atendido.
Lembre-se de mim: o pedestre.
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