
Por Simone Guardiola, Conselho de Blogueiros
Em meu passeio escaldante, comecei a perceber o cinza da cidade. Os vários tons de cinza que a cidade tem: "cinza asfalto", "cinza basalto "e "cinza basalto sujo". Eu sei que há indicação da prefeitura para a padronização do material das calçadas. Eu considero uma péssima escolha, pois, no inverno, deprime. E, no verão, o lixo que é depositado sobre as calçados deixa o basalto encardido. Se fosse só encardido, não seria nada, mas é sujo e fedorento. Por certo, condenaríamos se todas as pessoas passassem a lavar suas calçadas nessa temporada, porém lavar as partes imundas é uma questão de bom senso. Infelizmente, Porto Alegre é a cidade do lixo sobre as calçadas, encostados nos postes e nas árvores, e da falta de lixeiras.
Parece incrível que, já em 2011, sigo batendo na mesma tecla, sem que haja mudanças, multas ou fiscalização. Quando, na escola, aprendemos química e, quando adultos, deveríamos empregar esse aprendizado: todo o lixo orgânico que é colocado sob o calor fermenta, apodrece, solta líquido e mau cheiro. E isso acontece nas ruas frequentemente. As pessoas não colocam lixo nas lixeiras, até porque a maioria dos prédios não tem lixeiras. Mas tem postes e árvores na sua frente. O lixo fica ali, sob o sol, e sendo apreciado pelos narizes passantes. Apreciado? Eu adoraria que já tivessem inventado a foto com cheiro, mas claro que, neste caso, ninguém teria coragem de cheirar essa postagem!
Lixo ao lado da placa de proibido estacionar. Lixo acumulado nas esquinas que pessoas e deficientes devem parar para atravessar. Líquidos mau cheirosos escorrem pelas calçadas que não serão varridas e nem lavadas. Ou seja, eles ficarão ali para quem quiser ver e sentir. Caixas de ventiladores atiradas na rua, mas o dono das mesmas está sendo resfriado pelo produto comprado. Bancos são instalados para fumantes que atiram e apagam o cigarro na calçada porque a estrutura montada não prevê um cinzeiro...e nem um vassoura. Enquanto isso, eu caminhava uma quadra para encontrar uma lixeira onde eu pudesse depositar as fezes das minhas cachorras.
E há gente que coloca a culpa nos animais! A culpa é do ser humano que pensa que, ao retirar o lixo da sua casa atirando-o na rua, de qualquer forma, fez a coisa correta. Depois, vem a chuva que leva o lixo, entope os bueiros, acontecem os alagamentos e todos dizem: "esse pessoal da periferia mora barranco acima, desmata, joga o lixo de qualquer maneira e não percebe o que faz com o planeta!"
Mas o que eu vejo e mostro aqui não é periferia, é o coração do bairro mais chique de Porto Alegre.
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