Por Simone Guardiola, do Conselho de Blogueiros
É de conhecimento dos moradores do Moinhos de Vento que há um casal de mendigos com CEP fixo. Ali, entre as ruas Bordini e Dr. Timóteo eles residem conforme o sol e a marquise estejam à disposição.
Há um tempo atrás fiz uma pesquisa e descobri que ele é aposentado, tem família, mas não quer sair da rua. Dela não descobri nada. Porém, com o tempo ele se mostrou violento. Duas vezes ele tentou me atacar. Assim, do nada. Não contou que eu estivesse atenta e pronta para reagir. Depois disso passei a atravessar a rua para não me incomodar.
Mas há algumas semanas ele atacou duas senhoras com arma de ponta e foi controlado pelos seguranças da galeria em frente. Foi levado preso, voltou. Atacou novamente e foi levado.
Na terça-feira da semana passada, ao passar pela calçada, o vi novamente na rua, junto de sua companheira. Está muito magro e anda de forma catatônica, de um lado para o outro. Um senhor do bairro perguntou a ela sobre a situação e a resposta foi, com raiva: "O remédio é muito forte! Ele fica assim... É muito forte...".
Fiquei com pena. Mesmo sabendo que corremos riscos com suas bebedeiras me deu pena perceber o descaso do poder público. Na situação em que este senhor está, ficar ali é um perigo a ele mesmo. O trânsito não perdoa. E penso, como será este tratamento? Quem ministra o remédio? Quem controla se tomou e se tomou corretamente? Que tipo de acompanhamento existe?
Não entendo, mas acho que o poder público poderia me explicar.
O que diz a prefeitura
"Para a Fundação de Assistência Social e Cidadania (FASC), a parceria da comunidade no sentido de contribuir para solução do problema que a cidade enfrenta com a situação de rua é preciosa. E, por solicitações da comunidade local, a equipe do Centro de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) já vêm realizando abordagens nesta região da cidade buscando a reinserção social destes porto-alegrenses em situação de vulnerabilidade, contudo sem sucesso. Abaixo o relato da técnica da Fasc. Destacamos ainda que o CREAS está à disposição da comunidade:
O senhor José Cesar Lamas possui atendimento desde 25 de agosto de 2005 pelo Atendimento Social de Rua (ASR). Referencia-se juntamente com sua companheira Maria de Lourdes na Avenida 24 de outubro e nos arredores do bairro. Em todas as tentativas de atendimento, ambos negam-se a acompanhar a equipe aos serviços de abrigagem, albergagem ou casa de convivência (Ilê Mulher ou Centro POP), pois alegam estar de 'saída' da rua.
Em 2005, quando abordados, José reclamava da prefeitura e do Estado pela falta de planos habitacionais para pessoas que moram na rua. À insistência da equipe para que busquem um espaço de proteção, José e Maria respondem que 'não precisam de ajuda'. Percebeu-se que José busca seu sustento como catador de materiais recicláveis e que possui legitimidade na região onde se referencia pois ganha considerável ajuda da comunidade: roupas, comida, dinheiro,...
Nas demais vezes em que a equipe tentou aproximação, José e Maria sempre aludiam estar de partida: 'estamos indo para praia', 'já nos inscrevemos no DEMHAB, vão nos chamar assim que nossa casa estiver pronta'.
Não obstante o ASR em 2007 solicitou que uma equipe de saúde mental, que possui atendimento a moradores de rua pudesse fazer uma avaliação a condição de saúde mental deste casal. Sabe-se que por um bom tempo a equipe do CAIS Mental 8 estabeleceu atendimento periódico na rua a Maria e José. O CAIS Mental 8 relata que o acompanhamento do casal foi interrompido pois não conseguiram evoluir no atendimento e perceberam que José e Maria não responderam positivamente a deixar o local.
Desde 2011, com a implementação da nova política de Assistência Social no Município o casal passou a ser atendido e acompanhado sistematicamente pelo serviço de abordagem social do Centro de Referência Especializado em Assistência Social — Núcleo Centro, Ilhas, Humaitá, Navegantes (CREAS — CENTRO). Retomamos o atendimento em parceria com a equipe de Saúde Mental (CAIS 8).
Por competência o CREAS Centro buscou a família de José César na expectativa de buscar uma forma harmoniosa a fim de que a família assuma os cuidados com José. Seus irmãos, junto com a equipe técnica do CREAS, construíram um plano de intervenção que previa em um primeiro momento uma internação a fim de iniciar medicação psiquiátrica e estabilizar o quadro de saúde mental de José César e posteriormente a família assumiria os cuidados."
Serviço:
Solicitações de abordagem a adultos, crianças e adolescentes são recebidas pelo telefone (51) 3289-4994. O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. Para demais situações o telefone central da FASC é 3289-4900.
Centro de Referência Especializado de Assistência Social CENTRO, ILHAS, HUMAITÁ E NAVEGANTES
Rua Travessa do Carmo, 50. Cidade Baixa — Fone: (51) 3289-4990.





O publicitário Solano Lucena mora no Alto Teresópolis, mas é assíduo frequentador do Parcão.
Úrsula Petrilli Dutra, servidora pública, bacharel em Direito e pós-graduada em Direito Público, é moradora do bairro Independência há 13 anos.
Para manter os leitores do blog em forma, a nutricionista Vera Lisboa dá sugestões e dicas de pratos especiais que encontra pela região.

João Victor Eltz da Silva tem 29 anos e sempre morou no Rio Branco. É publicitário e escreve sobre trânsito, obras viárias e urbanismo.
Professor de inglês, empresário e funcionário do Banrisul, Eduardo André Viamonte, 40 anos, mora na Avenida Cristóvão Colombo.
Morador da Gonçalo de Carvalho, Paulo Renato Rodrigues, 58 anos, é economista e consultor empresarial.
Simone Werlang Guardiola é publicitária e servidora pública federal. Mora no Moinhos desde 1972.
Mariano Marinho Christini 31 anos, mora da Rua Dr. Timóteo, em frente ao Parcão, e é administrador de empresas e gestor imobiliário.


Gostei muito de ler a explicação que foi dada e percebo o acompanhamento das instituições citadas. Porém, também percebi que há um limite nas ações. Percebi que se o morador de rua não quiser sair, ele fica; que se ele disser que está indo embora a resposta é aceita; que se a família não quiser arcar com os cuidados necessários e colocar cláusulas para fazer o papel de cuidador é aceito...Enquanto isso eles continuam na rua. Aliás, este casal está ali, no mesmo CEP há mais de 10 anos! Antes ele tentou atacar a mim, depois atacou duas senhoras e não obteve êxito em ambas...Agora, será necessário obter êxito para que o tratamento de internação seja feito numa instituição e de lá ser levado para junto de sua família? Sim, a comunidade ajuda dando roupas, comida e até dinheiro, mas isso significa que as pessoas se compadecem com a situação de frio e menos valia dos mesmos. Claro, eu entendo que isso ajuda na continuação deles ali, mas não justifica. Este senhor está catatônico e deveria estar sob supervisão médica direta e em local apropriado para o tratamento. Neste caso, a comunidade que já foi ameaçada parece não ter opção e nem voz ativa. Para ela sobra apenas continuar convivendo com a ameaça, a escatologia, os desaforos e o temor de um novo surto alcoólico.
A Maria eu já conheço de muitos anos. Antes dela passar a "residir" nesse endereço, ela morava em uma praça no bairro Santo Antonio com o seu companheiro - o Charutinho. Qdo ele morreu ela se "mudou" pra o Moinhos de Vento. Várias foram as tentativas em ajudá-la mas ela nunca aceitou nada. Essa história do Demhab ela sempre falava. Ela não tem saúde mental e nunca aceitou nenhum tipo de ajuda nesse sentido. Ela sempre foi tranquila, nunca agrediu ninguém, assim como o antigo companheiro (Charutinho).
Estive na italia recentemente e dois guardas abordaram um individuo que dormia numa praça. Aabordagem foi severa, fizeram-no levantar, olharam os documentos e mandaram sair imediatamente dali. Já no Brasil, republiqueta de bananas, um paraguai pouco melhorado, tudo pode. Direitos humanos pra tudo e pra todos.
Penso que colocar exemplos bons é dignificante, mas citar outros países para desmoralizar o nosso e o outro, não é legal. Saibam, no Paraguay não se vê este tipo de mendigos na rua, a viver nas ruas com CEP fixo ou mutante. Eles pedem em sinais, mas voltam para sua casa. A republiqueta é aqui, onde ainda há tração animal na rua, onde para tirar um invasor de terrenos centrais vira caso social contra o proprietário, onde cortam árvores sob a bandeira de podres e estão vivas, onde devemos temer andar no nosso bairro porque as calçadas tem donos fixos.