Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Posts de novembro 2012

O ZH Moinhos desta semana já está nas bancas!

29 de novembro de 2012 0


Nesta edição, você vai ver que os alunos da região fizeram bonito no 5º Desafio de Robôs. Leia também:

- Festa de aniversário movimenta o Parcão
- Projeto Passagem com Arte reune moradores no Morro Ricaldone
- Saiba como compartilhar o espírito natalino

"A Arte de Ser Mulher" no Moinhos Shopping

28 de novembro de 2012 2

Por Nora Dietrich, do Conselho de Blogueiros

Tem um toque de Moulin Rouge no Moinhos. Essa é a frase que se lê em um dos totens do Moinhos Shopping, anunciando a reinauguração das salas de cinema do estabelecimento. Mas no dia 22 de novembro, o toque Moulin Rouge ficou por conta do bate-papo A Arte de Ser Mulher, coordenado pela blogueira Miréia Borges e mediado pela jornalista Gabrieli Chanas.

Miréia buscou inspiração na França, país em que esteve recentemente, para observar o comportamento e o estilo das mulheres francesas e em livros que tematizam a mulher parisiense, para criar o encontro. Debateu com suas convidadas (eu, Norah Dietrich, blogueira e escritora; Lucia Pesca, terapeuta sexual; Maria Tereza Taschetto, artista plástica, e Vera Carneiro, publicitária), questões essencialmente femininas que orbitaram entre filhos, companheiros, carreira, sexo, estética, emoções e, como não poderia faltar, Cinquenta Tons de Cinza!

Mas o evento, longe das nuances cinzentas, foi muito colorido e elogiado pelos participantes. Miréia comentou que esses encontros eram inicialmente promovidos em sua casa, um debate íntimo entre ela e suas amigas. Entre os primeiros temas, o Beijo de Pé, certamente deve ter sido um dos mais instigantes e interessantes.

Pois é. Os encontros cresceram, a casa da Miréia ficou pequena e hoje os eventos já são destaque na grade de programação do Moinhos Shopping. Nessa edição, A Arte de Ser Mulher solicitou aos participantes que doassem brinquedos novos para serem entregues na Clínica Esperança.

Sábado é dia de mobilização contra a Aids

28 de novembro de 2012 0

Neste sábado (1º de dezembro) é o Dia Mundial de Combate à Aids e a data será marcada, na região, por um almoço beneficente que promoverá a prevenção da doença. Será no Rosário Resto Lounge (Rua 24 de Outubro, 1539), com um bate papo sobre o assunto. A mediação será do cronista Fabrício Carpinejar e, com ele, estarão a cantora gaúcha e participante do The Voice Brasil Bella Stone e o empresário e hairstylist Cesar Augusto, do Mirage Intercoiffure. Serão 40 minutos de conversa sobre prevenção, seguidos de almoço e pocket show de Bella Stone.

O encontro também marca o lançamento da edição 2013 do Calendário  Cabeleireiros contra AIDS, projeto da L’Oréal que conta com a parceria da UNESCO e apoio do Ministério da Saúde.

Os ingressos antecipados custam  R$ 30. Neste valor está incluído o valor do almoço (sem bebidas) e um exemplar do calendário 2013 do projeto.

Serviço:
Almoço Beneficente Cabeleireiros contra a AIDS- com  Fabrício Carpinejar, Bella Stone e Cesar Augusto
Data: 1º de dezembro de 2012.
Horário: Pontualmente às 11h.  
Local: Rosário Resto Lounge – Rua 24 de outubro, 1539
Valor: R$ 30, incluindo o almoço (sem bebidas) e um exemplar do Calendário 2013 do projeto Cabeleireiros contra AIDS.

Pontos de venda:
Rosário Resto Lounge – Rua 24 de outubro, 1.539 – fone 3237-6765
Mirage Três Figueiras – Rua Araponga 449 – fone  3381-2000
Mirage Zona Sul – Rua Wesceslau Escobar, 2.320 – fone 3264-5561
Mirage Auxiliadora – Silva Jardim 311 lj 7 e 8  – fone 3333-2100
Mirage Menino Deus – Múcio Teixeira, 933 – fone  3085-3900
Mirage Moinhos de Vento – Padre Chagas 75 – fone 3222-8300
Mirage Pedro Ivo – Rua Pedro Ivo, 855

Quarta-feira é dia de Recital J. Brahms no Goethe Institut

27 de novembro de 2012 0

O Goethe Institut recebe, na noite desta quarta-feira, o Recital J. Brahms, com as presenças de Angela Diel (mezzo soprano), Ney Fialkow (piano) e Vladimir Romanov (viola). A partir das 20 horas, os músicos reúnem-se para interpretar obras de um dos ícones do romantismo musical europeu do século XIX.

O repertório reserva uma sofisticada variação de canções para canto e piano, piano solo, viola e piano, e, por fim, as duas canções para mezzo, piano e viola. A ocasião contará com a explanação Brahms e o Crepúsculo do Romantismo, do pesquisador Arthur Torelly sobre a vida e a obra compositor alemão J. Brahms (1833-1897).

Ingressos a R$ 20 para o público em geral, R$ 15 para estudantes e músicos e R$ 10 para idosos, à venda no local.

Lançamento de livro sobre residenciais terapêuticos

27 de novembro de 2012 0

Na próxima quinta-feira (29 de novembro), às 19h, na Sala Rita Lobato, acontece o lançamento do livro “Residenciais terapêuticos: O Dilema da Inclusão Social de Doentes Mentais”, do Dr. César Augusto Trinta Weber. O evento faz parte do projeto Quintas no Museu e tem entrada franca.

Dr. César Augusto Trinta Weber é médico graduado pela UFCSPA, Doutor em Ciências pela UNIFESP, Mestre em Educação pela ULBRA, Especialista em Administração Hospitalar pela PUCRS e em Gestão de Serviços e Sistemas de Saúde pela UFRGS.

O Museu da História da Medicina fica na Avenida Independência, 270.

Parcão completa 40 anos

26 de novembro de 2012 0

Por Mariano e Úrsula Christini, do Conselho de Blogueiros

40 Anos!

Neste domingo foi comemorado os 40 anos do nosso querido Parcão. A tradicional torta foi distribuída para todos que fazem desse parque um espaço de muito lazer, esporte e diversão. Cultura também está sempre presente. Além da biblioteca infantil no Moinho, festas típicas fazem parte da vida do Parcão.

A “Alma Cigana” já é uma festa tradicional que leva a cultura cigana desde 1994 ao parque e nesse final de semana festejou junto os seus 40 anos.  Que toda essa alegria e paz que esse parque nos transmite continue se perpetuando por muito outros 40 anos. Parabéns  Parcão!

ZH Moinhos nas bancas

21 de novembro de 2012 0

No ZH Moinhos que circula nesta quinta-feira, você confere a última reportagem da séria Centenários . Aos cem anos, Carmem Cauduro de Oliveira vive em um apartamento no Moinhos de Vento repleto de fotos de netos e bisnetos e recordações de um século de história.

Além disso, saiba o que falta para a conclusão das obras de prolongamento da Rua Santo Antônio e qual é a previsão de término.

Na página 5, leitor-repórter aponta risco de queda de árvore na Rua General João Telles.

Especial Centenários: a vizinha que viu nascer o Moinhos de Vento

21 de novembro de 2012 1

O ZH Moinhos encerra hoje a publicação de uma série de reportagens sobre os centenários que moram na região. Através de suas histórias, saiba como vivem e o que viram pessoas que atravessaram um século de história. Na quarta e última edição, que circula nesta quinta-feira, conheça Carmen Cauduro de Oliveira, 100 anos, moradora do bairro Moinhos de Vento.

Luísa Medeiros

O ano em que Carmen Cauduro de Oliveira, hoje com cem anos, nasceu, uma invenção revolucionou o dia a dia das pessoas. Era 1912, quando a General Motors anunciou, nos Estados Unidos, uma das mais importantes invenções da indústria automobilística: o motor com partida elétrica. Tornou-se possível dar a ignição no motor apenas girando uma chave, eliminando a manivela.


Em uma época em que até o relógio parecia mover-se mais devagar, ganhava-se em agilidade, praticidade e mobilidade. Com a novidade, os veículos movidos a gasolina, mais rápidos e potentes, começaram a se popularizar. Anos mais tarde, a novidade chegou ao Brasil, quando Carmen ainda era criança. Essa foi apenas uma das grandes transformações que a moradora da Rua Doutor Timóteo, no Moinhos de Vento, presenciou. E que, até hoje, a impressionam:

– Não consigo lidar com a ligeireza das coisas de hoje. A gente vai dormir com um fato acontecendo, e de manhã já virou tudo. Não sei se isso é bom.

Da janela do apartamento onde mora há pelo menos 35 anos, em frente ao Parque Moinhos de Vento, ela vê o imenso tapete verde tão característico da região. Quando os netos eram bem pequenos, descia para levá-los no parquinho e tinha de se sentar ao sol, pois ainda não existiam, por ali, as imponentes árvores. Hoje, vê os incontáveis prédios em volta do Parcão e aponta para o centro:

– Só tinha aquele prédio ali. O resto era chão batido.

Porto-alegrense de nascimento e de coração, como gosta de enfatizar, passou quase toda a vida na Capital. Perdeu os pais muito cedo e foi morar com os tios em um hotel no Centro. Por isso, acompanhou de perto o desenvolvimento da Porto Alegre do século 20.

– A cidade preservava uma tranquilidade. Ainda criança, eu brincava na calçada, pulando corda – narra.

Com 16 anos, a estudante começou a trabalhar como alfabetizadora no, então, Porto Alegre College, hoje Instituto Porto Alegre (IPA). Pegava um bonde do Centro até o final da Avenida Independência, e o resto do trajeto era feito a pé.

– Tínhamos de subir todo o morro caminhando. A família Mostardeiro, que tinha uma grande fazenda na região, abria as porteiras onde hoje fica a Rua Dona Laura e nos deixava passar para encurtar o caminho – lembra, com detalhes, de uma época em que o bairro Moinhos de Vento ainda nem existia.

Foram 10 anos de subidas diárias no local conhecido atualmente como morro do IPA.

– Hoje, quando caminho com as pernas firmes, sempre lembro que adquiri isso naquela época – garante, enquanto desliza seu andador com agilidade pelo apartamento repleto de objetos antigos, fotos de netos e bisnetos e recordações de um século de história.

Por volta dos 25 anos, casou-se pela primeira vez e foi morar em Flores da Cunha. Acostumada com a dinâmica da cidade, estranhou muito a vida na Serra. Quando tinha apenas dois anos de casada, no entanto, uma tuberculose vitimou seu primeiro marido. A viuvez precoce trouxe Carmen de volta à Capital, de onde não saiu mais. Casou-se novamente, poucos anos depois, com o procurador Álvaro de Oliveira. Prestou um concurso e tornou-se funcionária pública. Foi nessa época que sua vida mudou muito.

– Meu marido gostava muito de viajar, então conheci muitos lugares como Europa, Argentina e Uruguai.

Talvez por isso a maternidade tenha sido tardia. A primeira filha chegou quando Carmen tinha 40 anos e o segundo, aos 45 anos. Sempre muito ativa, só parou de trabalhar aos 61 anos, quando se aposentou. Dez anos depois, em 1983, ficou viúva mais uma vez. Até completar 90 anos, ainda morava sozinha no apartamento em frente ao Parcão. Há poucos anos, a filha Carmen Regina foi lhe fazer companhia. Se ao longo da história sua vida foi acelerada pelas novidades e inovações, hoje a centenária vive a tranquilidade de uma velhice em casa, sem muitas atividades.

– Levo uma vida parada, sentada em uma cadeira, olhando para frente e trabalhando o cérebro. Quase não saio, não aceito mais convites para chás e almoços pois minhas mãos e dedos não se mexem mais com agilidades, então prefiro ficar em casa – diz, serena.

E atribui os seus cem anos de vida ao tempo em que percorria a pé o trecho hoje tomado por avenidas no Moinhos de Vento, até o Morro do IPA.

– Nunca imaginei que chegaria tão longe.


luisa.medeiros@zerohora.com.br

O fim dos patos obesos

21 de novembro de 2012 5

Por Eduardo Viamonte, do Conselho de Blogueiros

O foie gras está proibido na Califórnia. O foie gras é o fígado de um pato ou ganso gorducho, uma especialidade da culinária na França. E é uma delícia com textura amanteigada – que nunca experimentei.

Eu adoro comer. Gostaria de passar os dias inteiros comendo. Mas não queria ser um pato de engorda. Os tratadores socam comida e mais comida, à força, na goela dos bichos engaiolados. É cruel.

O lago do Parque Moinhos de Vento tem patos. Simpatizo com eles. À noite, quando corro, costumo ficar a sós com os patos. Somos, tipo assim, amigos. Já dividi muitos assuntos com os patos. Eles são bons ouvintes. Ficam ali, parados, fitando-me com um olho só, de lado. Mas me encaram. Gosto de quem olha no rosto quando falo. Como os patos do Parcão.

Esses tempos, roubaram uns patos dali. Desconfio que foi alguém que não tinha amigos, nem Facebook, e precisando muito de ouvintes, levou os pets para que ficassem de ouvintes de seus conflitos, em tempo integral.

Na Califórnia, sob o amparo de lei recente, nenhum pato será mais engordado à força. Os franceses ironizam, já que os tribunais californianos ainda usam a pena de morte nos humanos. Os franceses não têm pena de pato. Coisa que os patos e eu temos. Estou feliz pelos patos da Califórnia, agora esbeltos como os patos do Parcão.

Blogueiras participam de reunião para formar grupo de trabalho com a Smic

20 de novembro de 2012 0

Miréia Borges, do Conselho do Blogueiros

A prefeitura de Porto Alegre, por meio da Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic), promoveu, no dia 12, uma reunião a fim de criar um grupo de trabalho para atuar em ações nos bairros Auxiliadora, Independência e Moinhos de Vento. O objetivo, de acordo com a secretaria, é analisar os problemas e demandas da comunidade da região e buscar soluções para possíveis impasses, principalmente com foco na boa convivência entre os diversos setores envolvidos em atividades econômicas e de prestação de serviços.

A Associação Leopoldina Juvenil ofereceu um dos seus salões para a reunião, pois eles estão preocupados com o bairro, afinal, fazem parte da história do Moinhos de Vento. O público era composto por vários moradores, empresários do setor de restaurantes e bares, representantes de associações dos bairros e duas blogueiras do ZH Moinhos, eu e a Luciana Kolesny, também moradoras da região. Participaram também representantes da EPTC, da Brigada Militar e outros componentes da prefeitura.

Depois de algumas pessoas se prontificarem a fazer parte dessa comissão, o secretário da Smic, Omar Ferri Júnior, pediu que o grupo fosse integrado pelo Sindipoa, representando os empresários de restaurantes e bares, os quatro hospitais (Hospital Presidente Vargas, Complexo Hospitalar Santa Casa, Hospital Moinhos de Vento e Hospital Fêmina), os clubes Associação Leopoldina Juvenil, Grêmio Náutico União, Caixeiros Viajantes e colégios da região. De acordo com a Smic, as entidades representativas da comunidade dos três bairros teriam 15 dias para apresentar os indicados para compor o grupo de trabalho.


Luciana Kolesny, do Conselho de Blogueiros

Achei super interessante a proposta de criar este grupo de trabalho, a fim de levantar problemas da região, envolvendo os bairros Moinhos de Vento, Independência e Auxiliadora (eu pessoalmente me apresentei e solicitei que o bairro Floresta fosse incluso neste projeto), e através deste grupo, achar soluções viávies junto ao Prefeitura de Porto Alegre.

A proposta tentará integrar vários setores, como de bares e restaurantes, algumas casas noturnas, hospitais, clubes, associações de bairros, colégios, e shopping, entre outros. Será criada uma comissão, composta por setores, onde serão eleitos dois representantes para atuarem junto a SMIC.

Naquela noite, o trabalho feito junto ao bairro Cidade Baixa foi referência, pois hoje podemos notar que algumas mudanças ocorreram neste último ano, e para melhor, criando um clima de harmonia, conscientização e pacificação, entre moradores, bares e frequentadores do local. Coloquei-me à disposição para ajudar no que fosse necessário, para o sucesso do projeto.Vamos em frente. Há muito trabalho a fazer.Contem comigo!


Especial Centenários: Vivência e observação no Independência

15 de novembro de 2012 0

Até o dia 22 de novembro, o ZH Moinhos apresenta uma série de reportagens sobre os centenários que moram na região. Através de suas histórias, saiba como vivem e o que viram pessoas que atravessaram um século de história. Na terceira edição, que circula nesta quinta-feira, conheça Maria Marques Velho, 102 anos, moradora do bairro Independência.

LUÍSA MEDEIROS

O calendário marcava o ano de 1954 quando Maria Marques Velho, chamada de Nazinha desde os tempos de criança, viveu um episódio até hoje muito nítido em sua memória. Na manhã do dia 24 de agosto, a então jovem senhora saíra com uma de suas filhas para comprar tecidos no centro de Porto Alegre. Foi quando chegou à Capital a notícia do suicídio de Getúlio Vargas.
– Eu estava em uma loja na Rua Doutor Flores quando começou um quebra-quebra, com as pessoas muito revoltadas. As lojas tiveram de fechar as portas, e nós ficamos durante algumas horas presas dentro daquela loja – lembra.
Hoje com 102 anos, dona Nazinha recorda o episódio com a tranquilidade que lhe é peculiar – e até diverte-se ao narrar que “as moças corriam ao telefone para dar notícias às famílias, pois ninguém sabia direito o que estava acontecendo”. Tranquilidade provavelmente herdada dos longos anos que viveu no campo. Ela nasceu e cresceu em uma fazenda no interior de Mostardas, à época, município de São José do Norte.

Moradora do bairro Independência desde a década de 1980, tem suas primeiras recordações da Capital na época das visitas à avó, que morou na Rua Ramiro Barcelos. Nazinha ainda era muito criança, mas lembra que a região, hoje marcada por grandes edifícios, era repleta de fazendas. No lugar de incontáveis ônibus e carros nas grandes avenidas, estavam os veículos com tração animal.
– Quando minha avó queria sair, ela mandava chamar um cocheiro. O transporte era de carro de cavalo, só vários anos depois é que vieram os autos – narra.
Mesmo que tenha crescido com o ritmo lento da vida no campo, era frequentadora assídua dos animados bailes do Interior. Foi em um deles, aos 17 anos, que conheceu o marido, Djalma Raupp Velho. Casaram-se um ano depois, em 1928.
Os filhos começaram a chegar logo em seguida. A tranquilidade da fazenda, onde a família plantava arroz, é a explicação encontrada por dona Nazinha para a longevidade.
– Criei seis filhos sempre trabalhando para fora. Lá, eu fazia todo o serviço de dona de casa, inclusive costurava e cozinhava. Até ensinei as primeiras letras para os filhos – recorda.
E garante que não fez nada de especial pela sua saúde: sempre teve uma vida normal e uma alimentação sem restrições. A cozinha é, inclusive, um lugar especial para Nazinha. Uma das saudades que carrega consigo é a da convivência com o pessoal da fazenda e do tempo em que fazia suas famosas receitas, como o bolo de coalhada e as bolachinhas para serem levadas à praia.
Maria Marques Velho conta que a vinda para a Capital se deu em meados da década de 1970. Na época, as viagens eram frequentes em razão da formatura de uma das filhas e, em 1980, acabou ficando de vez após a morte do marido. Um ano depois, passou a morar no alto do Edifício Alegrete, um dos mais antigos do bairro Independência _ região apreciada por dona Nazinha pela beleza dos espaços verdes.
Com passos firmes e mãos ágeis, dona Nazinha dribla a passagem do tempo com determinação. Incansável, está sempre disposta às tardes de carteado com as amigas e conta, orgulhosa, que até valsa dançou no seu aniversário de 102 anos. A família também está sempre por perto: os filhos se revezam nas visitas para não deixar os 28 netos, 44 bisnetos e um tataraneto longe da matriarca.
No amplo apartamento com vista para a Praça Júlio de Castilhos, onde mora com cuidadoras, Nazinha manuseia com cuidado a linha e a agulha de crochê e comenta sobre um dos poucos incômodos causado pela idade:
– Não ando boa dos olhos, estou com um pouco de catarata e acho até que vou ter de operar. Mas nem sei se vale a pena – diz, aos risos.

FOTO: Adriana Franciosi

luisa.medeiros@zerohora.com.br

Especial Centenários: Uma vida em reclusão no Floresta

14 de novembro de 2012 0

Até o dia 22 de novembro, o ZH Moinhos apresenta uma série de reportagens sobre os centenários que moram na região. Através de suas histórias, saiba como vivem e o que viram pessoas que atravessaram um século de história. Na segunda edição, conheça Pery Branco, 101 anos, morador do Floresta.

LUÍSA MEDEIROS

Pery Branco nasceu em um tempo em que as notícias chegavam pelo jornal impresso, não por sites ou redes sociais. O telefone e o telégrafo eram as formas mais rápidas para conectar pessoas. E as comunidades não eram virtuais – mas sim totalmente presenciais, formadas pela vizinhança, companheiros de clubes e familiares.
Telegrafista aposentado, o morador do bairro Floresta observou, em seus 101 anos de vida, uma mudança radical na forma de se comunicar das pessoas. Viu chegar ao país as primeiras emissoras de rádio e televisão, na década de 1920. Acompanhou a popularização do telefone e sua evolução até os aparelhos celulares. Conheceu o computador e, com ele, o até pouco tempo antes inimaginável: uma rede virtual que ligaria as pessoas de qualquer ponto do planeta.
Talvez por ter acompanhado tantas mudanças neste que é considerado por muitos como o século dos extremos, Pery resolveu viver em reclusão. Aquele que tantas vezes aproximou as pessoas por meio do telégrafo, optou por não compartilhar de um tempo em que a maioria das pessoas vive em constante exposição. Recolheu- se num apartamento na ladeira da Rua Ramiro Barcelos. Convencê-lo a contar sua história não é tarefa fácil. E no quesito vídeo e foto, foi irredutível.
– Só quero ficar aqui, quieto, no meu canto – diz, escondendo- se atrás do jornal do dia.
O mesmo jornal que o maior companheiro de Pery nesses tempos de reclusão. A leitura diária é um hábito antigo, com especial atenção às notícias esportivas.
Colorado doente, anda meio descontente com seu time. Da grande janela que ilumina a sala simples, vê o intenso movimento de carros, caminhões e ambulâncias – e reclama do fato que, quando veio para a Capital, tudo era mais calmo e tranquilo.
Natural de Palmeira das Missões, o hoje centenário veio para Porto Alegre há cerca de 20 anos. Nos tempos de Interior, foi funcionário da Correios e Telégrafos e era o responsável pela telegrafia. Ele lembra que, à época, o telefone era artigo raro, então seu setor demandava muito trabalho. Mesmo com a consolidação das leis trabalhistas, ele conta que em 1943 havia poucos direitos e muitos deveres.

– Comecei a trabalhar muito cedo e não tinha nenhum tipo de benefício, como férias, 13 º salário ou hora- extra. Já tínhamos muito trabalho a fazer e, se por acaso alguém do setor faltava, tínhamos de acumular o serviço daquele que não tinha vindo. Agora, é tudo bem melhor para o trabalhador – avalia.
Por isso, afirma que a juventude não foi muito boa. A vida começou a melhorar após a aposentadoria, aos 55 anos, época em que veio com a mulher, Amazile, residir em Porto Alegre. Primeiro, o casal se estabeleceu na Rua Doutor Vale, bem pertinho de onde mora hoje, também no bairro Floresta. Somente anos mais tarde compraram o apartamento onde Pery reside atualmente.
E se hoje ele vive fechado em casa, muitos foram os passeios, sessões de cinema e viagens à praia durante os 71 anos de convivência com a mulher, falecida em 2009.
– Eu vivi muito a cidade. Eu andava muito por aí e ainda andaria, se não fosse essa perna – diz aborrecido, fazendo referência a um ferimento causado por um atropelamento há sete anos, quando atravessava a rua em frente de casa.
E como que num golpe à memória de tempos que não voltam mais, Pery se desfez de quase todas as fotos da juventude, logo após ficar viúvo. Apesar da saúde quase intacta, não se esforça para lembrar de datas ou dos tempos mais antigos. Ele só quer ficar quieto no seu canto.
Os sobrinhos são os filhos que Pery e Amazile não tiveram – coube a um deles o trabalho de organizar, sorrateiramente, a festa de aniversário de cem anos do tio.
Se não fosse assim, ele garante que nem iria participar.
– Se eu não tivesse perdido a minha esposa, com a saúde que eu tenho, podia ter chegado aos 110 anos! Mas não deu, ela se foi antes – lamenta, com os olhos espiando a foto de Amazile, uma das poucas que restaram na parede da sala.

luisa.medeiros@zerohora.com.br

Vizinha com talento para ilustrar

13 de novembro de 2012 2

Por Úrsula Dutra Christini, do Conselho de Blogueiros

Uma parede branca, um pincel e uma latinha de tinta nas mãos é o suficiente para deixar realizada a ilustradora da região Nina Moraes. Ela faz da arte seu trabalho e seu hobby. Moradora do bairro Floresta, pintou uma enorme fachada na Avenida Mariland, no bairro Auxiliadora.

Apesar de ela ser uma profissional reconhecida em seu meio, confesso que eu ainda não conhecia sua arte. Depois de passar algumas vezes pela Mariland e “acompanhar” de longe a reforma de uma casa, vendo dia após dia cada vez mais desenhos em sua parede branca recém-pintada, vi uma “guria” em cima de um banquinho pintando uma flor.

Não me contive e perguntei se era ela que havia feito toda aquela pintura. Sim, não era apenas uma pintura qualquer. É uma obra de arte que já é sua marca registrada. Quem conhece o trabalho dela sabe que é esse o estilo de Nina Moraes.

Apaixonada pelo que faz, revelou que seu hobby mesmo é o grafite. Fazer desenhos em paredes que encontra. Disse que tem vários desenhos seus espalhados pela região. Uma “mãozinha” na Rua 24 de outubro e um ‘pássaro’ na Marquês de Pombal são alguns grafites que lembra ter feito.

Perguntei se ela tinha algum site, e ela disse que se eu colocasse o nome dela no Google encontraria várias referências de seu trabalho. E não é que ela é fera mesmo? Humilde e simpática, a ilustradora, grafiteira e artista gaúcha, reconhecida nacionalmente, tem até lata de refrigerante com seus desenhos. Parabéns, Nina, e obrigada por espalhar sua arte rua afora.



Especial Centenários: Alegria e vivacidade da moradora do Auxiliadora

01 de novembro de 2012 4

A partir de hoje e até o dia 22 de novembro, o ZH Moinhos apresenta uma série de reportagens sobre os centenários que moram na região. Através de suas histórias, saiba como vivem e o que viram pessoas que atravessaram um século de história. Nesta primeira edição, conheça Heloisa da Costa Rosa, 102 anos, moradora da Avenida Nova York, no bairro Auxiliadora.

Por Luísa Medeiros

o mundo vivia a tensão do período entre guerras quando Heloisa, com apenas 19 anos, embarcou em uma viagem que mudaria sua vida e visão dos acontecimentos. Caçula de oito irmãos, ela embarcou com toda a família, em 1929, em um navio que cruzaria o oceano e, 30 dias depois, chegaria à Europa. Se as lembranças do longo trajeto ficam em segundo plano, é devido ao encanto que lugares como a França e a Itália causaram na moradora do bairro Auxiliadora. Foram dois anos viajando dentro do velho continente em uma excursão que contou com a participação de bailes e festas, visitas a cafés e a pontos turísticos.
Alguns países, à época, juntavam forças para se reerguerem depois de um dos conflitos armados mais violentos da história. E, apesar do clima de tensão que pairava no ar, os olhos da hoje centenária Heloisa da Costa Rosa ainda brilham quando ela contabiliza os nove países que visitou.
— Tive muita sorte de meu pai ter nos levado nessa viagem, pois as moças não costumavam frequentar navios ou festas naquela época. E, lá, pudemos ir a todos os lugares. Era tudo muito lindo e luxuoso — lembra, saudosa.
Na mão, uma foto tirada em Paris, data de 1930. No registro, Heloisa aparece de gorro preto e branco, de plumas, uma amostra de que a capital da França já era uma referência na moda e colocava em evidência nomes como o da estilista Elsa Schiaparelli. Apesar da aparente calmaria, a inevitável possibilidade de novos conflitos, que culminou com a ascensão dos regimes totalitários, acabou antecipando a volta da família ao Brasil. No desembarque puderam ver, nos jornais, companheiros de Heloisa desde a alfabetização, o início da Era Vargas. Mais tarde, esses mesmos periódicos trouxeram notícias tristes do velho mundo.
— Muitos lugares que conheci foram destruídos pela guerra — narra.
Da excursão pela Europa, Heloisa da Costa Rosa, nascida e criada em Porto Alegre – como gosta de enfatizar – trouxe o gosto pelas festas e badalações. O retorno ao Brasil ficou marcado pela coroação como rainha do Carnaval da Sociedade de Filosofia. Um reinado com muitos bailes, dança e alegria. Nessa época, a crise da produção de café impulsionou a urbanização e a ascensão da burguesia. O rádio se tornava o mais importante veículo de comunicação – e, mais adiante, de entretenimento – da época.

Festas deram lugar a
um dia a dia caseiro

O noivado e casamento com Dirceu Ribeiro Rosa veio logo a seguir, em 1932. Foi pelo jovem mercador de carnes, profissão à época denominada de marchand, que Heloisa deixou a chácara onde nasceu e cresceu, na antiga Vila Esmeralda (atual bairro Menino Deus). Veio, então, morar na região mais central da cidade. Apenas três anos depois, chegou a única filha. Teve, mais adiante, três netos e três bisnetos.
Podem ter sido as longas noites de dança nos bailes ou os diversos anos de ginástica. Quem sabe até a infância passada em cima de árvores, comendo fruta do pé e respirando ar puro de um clima quase interiorano. Fato é que dona Heloisa caminha com agilidade pelos cômodos do apartamento da Avenida Nova York, onde mora desde 1974.
Não usa qualquer bengala ou andador e ainda preserva uma rara autonomia, aos 102 anos. A alegria de viver e a vitalidade também são traços marcantes na moradora do bairro Auxiliadora. Nos inúmeros porta-retratos distribuídos em móveis antigos de madeira, fotos e lembranças de uma família unida. Uma poltrona, no canto da sala, é o recanto de leitura da centenária.
Se hoje não sai muito de casa, é por opção. Depois de uma vida muito agitada, andando por todos os cantos da cidade, ela passa seus dias, atualmente, envolvida em atividades da casa. Com um tempo diário, claro, reservado para a leitura completa do jornal e a resolução das cruzadinhas. Talvez por isso, ainda preserve sua memória quase intacta e seja capaz de narrar fatos e precisar datas com facilidade, principalmente dos festivos tempos da juventude.
Ficou viúva em 1965 e, em 1980, passou a contar com a companhia do neto Marcelo, que ela carinhosamente chama de “anjo da guarda”. Também cultiva com afinco, até hoje, as amizades acumuladas em mais de um século de história na Capital gaúcha.
— Sempre vivi em um lar tranquilo, com a família muito unida, com muita calma e felicidade em casa. Acho que isso contribuiu muito para eu ter chegado até aqui. Nasci em 1910, façam o cálculo, já sou bem velhinha — diz, sorridente.

luisa.medeiros@zerohora.com.br