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Cidade para os carros ou para as pessoas?

11 de setembro de 2013 1

Artigo do leitor de Cesar Cardia, sócio-benemérito da Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Independência (Amabi)

No momento que atingimos o limite de 400ppm (partículas por milhão) de gás carbônico na atmosfera, perdemos mais uma batalha para os carros… Todos sabem que existe uma demanda reprimida, veículos que não circulam por nossas ruas já estão entupidas de veículos. Quanto mais dermos espaços para eles, mais carros entrarão em circulação e isso não desafogará o trânsito caótico. Ao contrário, só piorará o quadro. Por isso, muitas cidades estão reduzindo a quantidade de pistas e evitando veículos em algumas regiões, especialmente nas zonas centrais.

Pinheiro-machado

Smov iniciou abertura da calçada da Pinheiro Machado nesta quarta-feira

Em Porto Alegre, diziam, desde o início das atividades do Shopping Total, que o acesso à Rua Pinheiro Machado pela Avenida Independência seria reaberto. Isso permitiria que mais carros pudessem ter acesso ao shopping, vindos da Independência, um acesso que está bloqueado há mais de 25 anos.

Em 2010, nas primeiras reuniões do Fórum da Região de Planejamento 1 (RP1) participaram dois representantes de moradores da Rua Pinheiro Machado — Leon Hernandes e Maria Alice Kauer — solicitando apoio contra a abertura da via onde residiam. Suas justificativas foram acolhidas pela imensa maioria dos delegados e conselheiros do RP1, queriam preservar a qualidade de vida, própria da região, evitando que a pequena rua se transformasse em corredor de veículos que se dirigiam ao shopping.

Existem muitos idosos residindo na rua, e ela fora escolhida por essas características que estão sendo ameaçadas. A Amabi também foi contra a abertura, mas a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), que desejava implementar a mudança, simplesmente não compareceu. Outros representantes da prefeitura que foram à reunião disseram tratar-se de assunto da EPTC.

Recentemente, foi noticiada a imediata abertura da rua, como algo já definido pela prefeitura. A justificativa é de aliviar o congestionamento de trânsito na Independência e na Ramiro Barcelos. Vale lembrar que, em reunião para tratar da inversão de tráfego nas ruas Santo Antônio e Garibaldi por motivo de obras no Túnel da Conceição não foi dito que, com a proibição de conversão à esquerda na Garibaldi, todos os veículos que pretendiam acessar a Cristóvão Colombo teriam de contornar a Praça Júlio de Castilhos para acessar a Ramiro, que já tinha trânsito pesado. Antes da inversão, os veículos podiam entrar à esquerda na Santo Antônio. Disseram que era uma emergência e que depois de um ano de obras no túnel, tudo voltaria a ser como antes, mas isso não ocorreu. Santo Antônio e Garibaldi continuaram com o fluxo invertido, e o trânsito na praça e na Ramiro só tem piorado.

Se a EPTC quer reduzir a quantidade de veículos na Independência em direção à praça, teria de oferecer uma opção aos que pretendem descer a Ramiro, como era com a Santo Antônio, e isso não ocorrerá com a abertura da Pinheiro Machado, pois a rua tem apenas três quadras e será um grande problema tentar acessar a Ramiro Barcelos pela Tiradentes. Nem esses argumentos nem o abaixo-assinado dos moradores com mais de 1,5 mil nomes contra a abertura da Pinheiro Machado convenceram o Executivo.

Em 27 de agosto, uma reunião promovida por Amabi e prefeitura tratou do assunto com a comunidade. Até a Amabi, atualmente, é a favor da abertura. Eu, como sócio benemérito da Amabi, reafirmei minha posição contrária, pois os argumentos apresentados não foram convincentes. A abertura da rua causará mais problemas à região, hoje um ponto turístico por causa da Gonçalo de Carvalho, e também para a qualidade de vida das pessoas em detrimento de possíveis benefícios ao trânsito. O vice-prefeito Sebastião Melo disse que a Pinheiro Machado seria reaberta para teste por 90 dias, e os resultados seriam avaliados e rediscutidos. O grande problema é que, em Porto Alegre, o provisório quase sempre passa a ser “definitivo”.

Comentários (1)

  • Cesar Cardia diz: 12 de setembro de 2013

    “Um dos maiores desafios do Brasil na garantia da mobilidade urbana e da inclusão social é incluir os cidadãos no processo de planejamento das obras de infraestrutura e de melhorias das cidades. A conclusão foi consenso em uma palestra sobre mobilidade urbana e inclusão social, promovida pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, em sua sede no centro da capital do Rio de Janeiro, em parceria com o Consulado-Geral dos Estados Unidos no Rio e com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).
    O engenheiro de transportes Fernando Macdowell acredita que quase todos os projetos de urbanização que ocorrem no país excluem a opinião e participação social por insegurança ou arrogância das autoridades. “Parece que [as autoridades] têm medo de falar com a população e acham que as pessoas não vão entender nada, o que é um erro. Você aprende muito com a população”, disse.” (Flavia Villela – Agência Brasil)

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