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Posts na categoria "Acessibilidade"

Canteiros cobertos com cimento são um risco às árvores

23 de janeiro de 2014 0

Para adequar passeios ao projeto Minha Calçada, moradores do Bom Fim e Rio Branco cimentam raízes e prejudicam vegetais, podendo provocar até a morte de árvores

revitalizacao

Por Matheus Beck – matheus.beck@zerohora.com.br

O projeto Minha Calçada – Eu Curto, Eu Cuido foi lançado em janeiro de 2012 para recuperar os passeios públicos, torná-los mais acessíveis e revitalizar os espaços públicos. Entretanto, no afã de corresponder às exigências da prefeitura, muitos moradores acabaram cometendo equívocos e pondo em risco o meio ambiente.

Na Rua Cauduro, no Bom Fim, um condomínio foi comunicado a realizar o nivelamento e rejuntar a calçada. O serviço foi feito, mas o canteiro que circunda a árvore logo em frente foi cimentado, cobrindo totalmente sua base junto ao solo e impedindo que ela tenha acesso à água e aos nutrientes da terra. Moradora da região, a jornalista Marianna Senderowicz conta que a situação não é incomum. Ela diz que já denunciou uma série de casos semelhantes nas vias Felipe Camarão, Fernandes Vieira, Independência e Miguel Tostes.

– E não foi apenas um caso por rua. Nivelar a calçada é importante pela acessibilidade. Mas deveria ter havido uma orientação para realizarem algo mais sustentável. Em poucos lugares foram feitos canteiros verdes. Como o prazo (para os ajustes) era meio apertado e, para muitas residências, é difícil refazer uma calçada, simplesmente colocaram cimento – afirma Marianna.

As respostas da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, segundo a jornalista, foram eficientes. Em até duas semanas, a argamassa foi retirada, e nenhum vegetal sofreu dano maior. No entanto, casos como o da Cauduro redobram a atenção nas ações de fiscalização. De acordo com o agente da Secretaria Municipal de Obras e Viação Carlos Santos, o local será vistoriado, e o responsável será notificado para retirar tijolos e cimento do canteiro:

– Os contribuintes têm se equivocado. A recomendação não é que se tire o canteiro, e sim as barreiras a seu redor, obstáculos existentes sobre o passeio público, como muretas e grades. O objetivo é impedir que idosos e crianças tropecem e se machuquem.

Casos assim podem acarretar dois problemas aos moradores. O primeiro é uma complicação com a lei. Conforme o artigo 14 do Plano Diretor de Arborização Urbana de Porto Alegre, o canteiro no entorno das árvores deve obedecer a duas regras: manter dimensões mínimas de 1m20cm por 2m50cm, sem pavimentação, e ter grama ou forração, como o saibro. O descumprimento dessas normas gera um dano ainda maior _ à própria natureza. De acordo com o diretor de Praças, Parques e Jardins, Sergio Tomasini, a impermeabilização do local dificulta a infiltração da água e provoca o estrangulamento do vegetal na área entre as raízes e o tronco. Com isso, pode causar lesões estruturais e até apodrecimento em alguns pontos. O que, com o tempo, pode fazê-la ruir.

– A pouca permeabilidade reduz a possibilidade de a árvore pegar os nutrientes do material orgânico próximo. Assim, ela aumenta de diâmetro e fica com lesões no tecido, gerando zonas de fragilidade. Quanto mais tempo demorar a ser retirado o cimento, pior fica – avalia Tomasini.

Denúncias podem ser feitas pelo atendimento ao cidadão da prefeitura de Porto Alegre, Fala Porto Alegre, telefone 156.

No ZH Moinhos desta quinta-feira

08 de janeiro de 2014 0

Você confere

Capacalçadasmenor

– Saudade dos canteiros – Moradores da Fernandes Vieira lamentam retirada de estrutura em torno das árvores, exigida pela prefeitura, por causa do Projeto Minha Calçada

– Planos para 2014 – As associações de bairros da região comemoram conquistas do ano passado, como o sucesso de eventos voltados para moradores e a mobilização por melhorias da área. No entanto, há planos que não se concretizaram, e que podem, finalmente, sair do papel neste ano. Conheça as prioridades de cada grupo – Associação Cristóvão Colombo (ACC), Associação de Moradores do Auxiliadora (AMA), Associação de Moradores e Amigos do Bairro Independência (Amabi), Associação dos Moradores da Gonçalo de Carvalho (Amogonçalo), Movimento Moinhos Vive e Grupo de Apoio à Revitalização do Bairro Floresta (Refloresta)

– Eu e Meu Bairro – A escritora Letícia Möeller conta sobre sua relação com o bairro, de sua infância a infância de seus filhos

Exemplos da falta de acessibilidade em Porto Alegre

27 de outubro de 2013 0

Calçada com escada na Mariante e desnível em porta de autoescola são alvos de reclamações

Mariante

 

Por Bruna Vargas – bruna.vargas@zerohora.com.br

Lembrada, muitas vezes, por ser um dos poucos lugares de Porto Alegre onde as pessoas ainda se arriscam a deixar o carro na garagem e desbravar a pé as ruas da vizinhança, a região do Moinhos de Vento se mostra pouco amigável a quem tem dificuldades de locomoção.

Dois exemplos citados em e-mail enviado à redação e no grupo Ativismo Pedestre Poa, no Facebook, ajudam a ilustrar o problema. Enquanto uma calçada da Rua Mariante apresenta um trecho elevado, tendo de ser acessada por uma escada, uma autoescola confunde pessoas com deficiência. Na Rua Mariante, à altura do número 840, o problema são, precisamente, cinco degraus. O trecho elevado que ocupa toda a largura do passeio, está de acordo com o decreto 17.302/2011, que permite que os passeios onde há desnível, por causa de outra edificação, possam ter degraus ou rampas.

– Quando há uma lomba, até se justifica este tipo de elevada, mas ali o passeio é plano e estreito. A estrutura penaliza quem está caminhando, por ser um obstáculo – destacou o funcionário público Enrico Canali, que postou a foto no Facebook.

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> Você conhece casos de falta de acessibilidade que vão além de calçadas esburacadas? Mande  texto e fotos para moinhos@zerohora.com.br

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Situações como essa prometem ser evitadas pelo Plano Diretor de Acessibilidade para as calçadas, colocado em prática pela prefeitura. O projeto, porém, ainda está restrito à área do Centro Histórico. Segundo o supervisor de Controle e Prevenção da Secretaria Municipal de Urbanismo (Smurb), Paulo André Machado, a iniciativa poderá ser estendida a outros bairros. Casos em que o acesso a pessoas com deficiência não é facilitado podem ser denunciadas pelo 156 ou diretamente à Secretaria Municipal de Acessibilidade e Inclusão Social (Smacis,) pelo telefone 3289-1141.

Indicação confusa

Detran

Uma autoescola à esquina das ruas 24 de Outubro e Auxiliadora chamou a atenção de Gustavo Trevisi do Nascimento. Embora vários adesivos colados nos vidros do local indiquem que a escola ministra aula para cadeirantes, a porta de entrada apresenta um degrau, dificultando o acesso.
– Não sou cadeirante, mas tenho paralisia cerebral. Moro na Freire Alemão há 32 anos e acho curioso que esta escola, que dá aula para pessoas com deficiência, tenha um degrau na entrada. O ideal seria ter rampas, sempre – disse Nascimento.

De acordo com apuração da Secretaria Municipal de Acessibilidade e Inclusão Social (Smacis), a escola tem uma entrada acessível, localizada na parte lateral. Ainda assim, segundo a secretaria, o estabelecimento deveria informar, junto à sinalização, o local correto do acesso.

Procurados pela reportagem, os donos da autoescola não atenderam às ligações efetuadas entre sexta e terça-feira para comentar o assunto. O secretário da Smacis, Raul Cohen, disse que o caso está na pauta da secretaria.

De acordo com o secretário da Smacis, que planeja transformar a Rua Padre Chagas em referência em acessibilidade em Porto Alegre, é possível prever uma solução para o problema.

– Para nós, não interessa se o problema está em uma grande avenida ou em uma pequena rua. Toda demanda é analisada, e é o que vamos fazer neste caso. Cabe a nós ir ao encontro disso para tentarmos uma solução – sinalizou.

A promoção de acessibilidade a pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, em locais com destinação pública, coletiva ou privada, está prevista na lei federal 10.098, no decreto 5296/2004, e na lei municipal complementar 678/2011.