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Posts na categoria "Marilia Costa Cardoso"

Zoom Independência vai explorar avenida por meio de fotos

20 de fevereiro de 2014 1

Bruna Vargas – bruna.vargas@zerohora.com.br

Olhar para o seu bairro, todo mundo olha. Mas você já reparou nele? Chegar mais perto das ruas, casarios, praças e construções do bairro Independência é a proposta do Zoom Independência, evento organizado para os moradores da região.

Será por meio da fotografia que o grupo Passeio Independência irá explorar, neste sábado, cada canto da avenida homônima, com o objetivo de revelar o que se camufla na correria do dia a dia.

ZoomI– A proposta do passeio é conhecer a fundo certos espaços do bairro, para, mais tarde, montar uma exposição fotográfica – explica Marília Cardoso, uma das organizadoras da ação.

A atividade partirá da Praça Júlio de Castilhos e percorrerá a avenida até a Praça Dom Sebastião. Para participar, basta estar munido de uma câmera fotográfica. E, claro, olhos ávidos para identificar, nas entranhas da Independência, fragmentos da história da vida de seus moradores e da cidade.

A ideia é reunir fotógrafos amadores e profissionais, moradores, comerciantes e admiradores para fazer registros fotográficos da via. Em material divulgado pela organização do evento, consta uma prévia do que se espera revelar pela atividade: “Tudo o que aparecer é resultado daquilo que fazemos ou deixamos de fazer”, diz o texto.

Já o zoom que dá nome ao passeio ilustra um pouco da ideia dos organizadores sobre uma das formas de explorar o bairro fotograficamente. Várias fotos de um mesmo ângulo, cada vez mais aproximadas, quando colocadas em comparação, têm o poder de mudar a perspectiva do espectador, valorizando as peculiaridades da região.
Durante a atividade, os participantes trabalharão sobre temas como patrimônio histórico, detalhes dos casarios, problemas da região, natureza, mobiliário urbano e aspectos que surpreendam.

Ao final do encontro, os participantes poderão escolher as melhores imagens para concorrer, em diferentes categorias, na mostra fotográfica. Alguns comentários sobre as fotografias feitas durante o passeio também serão selecionados para fazer parte da exposição. Serão discutidos aspectos da criação e montagem da exibição.

O evento do Passeio Independência, realizado por Urbana Arquitetura, Studio 1 Arquitetura, Região de Planejamento 1, UrbsNova e o Movimento Reviver Independência, contempla, ainda, um objetivo maior: aproximar os vizinhos, proporcionando momentos de convivência na região e inspirando um olhar positivo sobre o bairro. E, quem sabe, passar a ideia adiante.

– Queremos que as fotos sejam expostas em diversos lugares para que os moradores se sintam orgulhosos de sua região – conclui Marília.

Saiba mais

O que: Zoom Independência, passeio fotográfico pela Avenida Independência

Quando: neste sábado (22), das 17h às 20h. Em caso de chuva, será transferido para o sábado seguinte

Onde: concentração na Praça Júlio de Castilhos e final na Praça Dom Sebastião

Quanto: gratuito. Participantes devem levar máquina fotográfica

Informações pelo e-mail: passeioindependencia@gmail.com

 

 

Passeio Independência, o plano para revitalizar a Avenida Independência

31 de outubro de 2013 0

Mateus Bruxel

Por Matheus Beck – matheus.beck@zerohora.com.br

Uma simples caminhada pela Avenida Independência e você tem a sensação de que aterrissou em Porto Alegre a bordo de uma máquina do tempo desregulada. Calçadas com larguras diferentes, casarios com fachadas que destoam de outras construções, poluições visual e sonora. A impressão é de que o bairro não pertence à própria época.

– Hoje ele é uma mistura de tempos – define a arquiteta e urbanista Taís Lagranha Machado.

A explicação da sócia-proprietária da Urbana Arquitetura soa como crítica, mas a intenção é inversa. Autora do projeto Passeio Independência, que busca revitalizar o eixo da avenida entre as praças Dom Sebastião e Júlio de Castilhos, Taís tenta engajar moradores, comerciantes, instituições, associações e prefeitura na luta pela preservação de uma das áreas consideradas patrimônio histórico do município.

O grande fluxo de veículos e a subutilização dos espaços públicos são os principais empecilhos.

– A gente está propondo entender o que o Independência é hoje e trabalhar o usar. Valorizar os espaços com nova sinalização, criação de um roteiro, levar feiras e cinema ao ar livre para as praças – sugere.

A mobilização não é tão recente. Em 2008, vizinhos se reuniram para reivindicar melhorias. Com auxílio da prefeitura, levaram a ideia ao Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano Ambiental (CMDUA) e, em 2011, conseguiram a aprovação do início dos estudos preliminares. Na última terça-feira, ele foi apresentado na Secretaria Municipal de Urbanismo (Smurb). Moradora da Rua Garibaldi, a professora aposentada Marilia Cardoso aprova o projeto e destaca que ele servirá como diretriz para que seja preservado sem perder a identidade:

– Ele não deixa fantasiar a Independência. Mostra o patrimônio como é. É uma joia de brilhantes, e não podemos substituí-la por vidros.

>> Confira um post de Marilia Cardoso sobre a importância do projeto e um histórico do movimento pela revitalização da Independência

SAIBA MAIS

O projeto Passeio Independência surgiu com a ideia de criar um corredor cultural, mas à evolução dos estudos foi percebido que a avenida se destaca pelo valor arquitetônico e urbanístico. Com as adaptações, ele foi alicerçado em quatro pilares. Veja quais são

– Recuperação de identidades – definir a identidade e personalidade do bairro com a padronização dos equipamentos urbanos (canteiros, bancos, telefones), sinalização de pontos importantes, contextualização com o resto da cidade e divulgação de eventos na região

– Multiuso dos espaços – promover usos coletivos diversos (feiras, caminhadas, cinema) e zonear os espaços para a realização de shows e eventos gastronômicos, por exemplo

– Valorização do passeio – eliminar os obstáculos das calçadas, baixar a altura da iluminação para se adequar aos pedestres e construir rampas e sinalização tátil para pessoas com deficiência

– Práticas sustentáveis e bem estar – configurar zonas de estar para promover o encontro das pessoas, como bancos em áreas largas e estações de bicicletas de aluguel

Encontro sobre o bairro Independência nesta terça-feira

22 de outubro de 2013 0

Por Marilia Costa Cardoso, do Conselho de Blogueiros

IndependenciaCrédito da foto: Ricardo Duarte

Desde 1º de maio de 2008, moradores do bairro Independência vêm lutando pela preservação da região e, principalmente, da Avenida Independência. Cada casario, cada esquina, cada praça, cada calçada desta avenida conta muito da história de nossa cidade. Por isso, lutamos por sua revitalização e preservação, tanto do patrimônio material como o cultural. Depois de um período de tratativas e trabalhos, finalmente em 2011, o Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano Ambiental (CMDUA) aprovou o projeto de revitalização.

Este projeto, chamado Passeio Independência, poderá ser levado como exemplo de valorização e respeito por nosso Patrimônio Histórico Cultural a outros bairros e regiões. Cada um, avenida, rua, bairro, região tem sua identidade e o importante é que isso seja preservado.

Não é fácil, pois além de um trabalho constante, existem diversos períodos de altos e baixos. O importante é não desistir. Chegar a essa etapa em que esse projeto chegou já é uma vitória e isso poderá ficar como um marco, um estímulo, um motivo de orgulho. Mesmo que nenhum nome seja mencionado, mesmo que não haja medalhas e homenagens, o importante é que mesmo por um momento, aquilo que tanto pedimos, se concretize: a Independência volte novamente a sorrir.

O projeto Passeio Independência, que será apresentado, é composto por um estudo realizado pela Urbana Arquitetura, onde é colocada a revitalização da paisagem urbana, recuperação de identidades e introdução de práticas sustentáveis e saudáveis á vida na cidade. A agência de inovação social UrbsNova apresentará uma maneira nova de ver a região, introduzindo ideias e eventos para que a Independência resolva seus problemas de maneira criativa. Encerrando a apresentação do projeto, será mostrado um exemplo de revitalização orientada pela Studio 1, onde o proprietário de um casario, entendeu a necessidade de revitalizá-lo, valorizando assim seu imóvel e o bairro. A valorização do bairro é importante para que todos possam viver e conviver bem.

A Independência tem diversos exemplos de trabalho, de força e luta, todos estão dispostos a ajudar, mas existem problemas para serem resolvidos e para tal, são necessárias medidas administrativas, e isso a comunidade não pode fazer. Se o projeto for aprovado, cada um fará sua parte, moradores e prefeitura, e juntos evitaremos que uma parte de nossa história seja esquecida: revitalizando, preservando e recuperando o patrimônio cultural histórico, artístico e paisagístico da Independência.

Nesta terça-feira (22 de outubro), esse trabalho será apresentado ao CMDUA, e se priorizadas as propostas, será constituída Comissão Técnica para a elaboração do anteprojeto executivo. A apresentação será às 18h no prédio da Secretaria Municipal de Urbanismo (Smurb), Avenida Borges de Medeiros, 2244, com entrada pelos fundos do prédio.

Participe, você é a parte mais importante desse projeto.
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As prioridades dos bairros Floresta e Independência

08 de agosto de 2011 0

Em 27 de julho, moradores e participantes de associações e movimentos dos bairros Independência e Floresta se fizeram presentes no Museu de História da Medicina para a elaboração das prioridades nestes bairros.

Os encontros são promovidos pela prefeitura por meio da Secretaria Municipal de Coordenação Política e Governança Local e teve como moderador Mauro Zamperetti.

Ações existentes nos bairros foram expostas para saber quais atenderiam as necessidades e os desejos dos moradores e se seriam suficientes para garantir o desenvolvimento desses  bairros nos próximos anos. Lembramos as características dos moradores, na sua maioria idosos, doentes que usam os serviços hospitalares, do comércio voltado para o vestuário para noivas e festas. Não foi esquecida a necessidade do resgate histórico e cultural dessas regiões. A partir do que é colocado como prioridades, serão planejadas as ações necessárias e complementares.
 

No primeiro momento foram expostas as ações já existentes, são elas:

_ Igreja Conceição, com jantares e chás para a revitalização;

_ Associação Cristóvão Colombo, com o Criança na Avenida e ações com idosos no Shopping Total;

_ Imama, com eventos, cursos, palestras e orientações sobre saúde e câncer de mama;

_ Amabi, com recolocação de placa na Gonçalo de Carvalho e Guia do Bairro;

_ Museu da História da Medicina, com saraus, exposições, palestras e outros eventos;

_ Movimento Reviver, com projeto de revitalização urbana da arquitetura;

_ Associação Cristã Feminina, com atividades sociais, culturais e desportivas.

Em um segundo momento, foram analisadas e apresentadas as necessidades das regiões. Muitas ideias foram apresentadas, a maioria reivindicações muito antigas dos bairros que têm um patrimônio histórico cultural invejável. Os dois bairros defendem seu comércio, que sofre a ação de vândalos, catadores de lixo, drogados e prostituição. Segurança e respeito foram palavras muito usadas: segurança aos idosos, crianças e doentes. Respeito no trânsito, que cada vez mais coloca medo.

Confira os pedidos das regiões:

_ Estudo de mobilidade urbana;

_ Calçamento e acessibilidade;

_ Segurança, especialmente no que diz respeito a drogas, moradores de rua e prostituição;

_ Aprovar e executar projeto para a Avenida Independência;

_ Manutenção e preservação do patrimônio;

_ Cabos ecológicos em ruas arborizadas;

_ Resgate do papel cultural e histórico dos bairros;

_ Incentivar o turismo;

_ Reativação do comércio local.


Um Bairro com Qualidade de Vida e Desenvolvimento, Preservando a História e a Cultura é o mote para a Independência.
Qualidade de Vida, Inclusão, Cidadania e Responsabilidade Social são desejos do bairro Floresta.
 

Ao final da reunião, foi criado um comitê de mobilização para implementar as ações. O comitê de mobilização deverá se reunir em 22 de agosto, às14h, em local a ser definido.

O Caso da Rua Tiradentes

26 de julho de 2011 1

Por Marília Costa Cardoso, Conselho de Blogueiros

Quando foi proposta a possibilidade de passagem dos carros da Ramiro Barcelos, cruzando a Protásio Alves, sabíamos das dificuldades que iríamos ter com congestionamentos junto à Avenida Independência. Mas essa mudança tinha como objetivo tornar o trânsito mais ágil no bairro Bom Fim, aumentando a possibilidade de tráfego entre as regiões leste e norte da Capital. Até aquele momento, a proposta parecia boa, e os moradores pareciam estar satisfeitos.

Mas o que parecia sonho virou pesadelo: o número de carros na região passou de 15 mil para 22 mil por dia. Em 9 de julho, a própria comunidade realizou protestos contra a insegurança que essas mudanças trouxeram, devido à imprudência, o excesso de velocidade no cruzamento (Protásio com Ramiro) e à tranqueira que estava acontecendo na Ramiro Barcelos, com a liberação dos estacionamentos dos dois lados da rua, ficando só uma faixa para os carros. Congestionamentos que, em algumas horas, chegavam a impedir a entrada ao estacionamento do Hospital de Clínicas. E a Independência também começou a sentir lentidão em algumas horas, devido ao grande número de carros que agora cruzam a avenida.

Desde que foi proibida a passagem dos carros que trafegavam na Avenida Independência em direção à Cristóvão Colombo, pela rua Santo Antônio, estes tiveram que ir por esta avenida até a Praça Júlio de Castilho e só lá fazer o contorno para descerem a Ramiro. Novamente, carros pela Ramiro. A situação já estava difícil, com tranqueira de carros (a partir das 16h, a situação piora), quando houve o pedido para abrirem a saída do novo estacionamento do Shopping Total pela Rua Tiradentes (espaços para 546 vagas/carros) e mais uma mudança, também na Rua Tiradentes, ficando com duas mãos entre a Rua Ramiro Barcelos e a Rua Doutor Vale, cuja justificativa foi o grande movimento do Hospital Moinhos de Vento.

Como esta via comportaria todo este trânsito?

Hoje, para quem desce a Ramiro Barcelos, no cruzamento com a Rua Tiradentes, é permitido entrar à direita e receber o fluxo dos carros que vem da Rua Tiradentes (à esquerda). A nova proposta coloca, também, a saída da Rua Tiradentes (lado direito-Hospital Moinhos de Vento) em direção à Ramiro e a saída do novo estacionamento do shopping. Esse cruzamento já é difícil, pois há uma tendência, por precaução, cuidado, necessidade ou instintivamente, de diminuir a velocidade neste ponto e, novamente, tranqueiras. A tentativa de, nessa confluência, permitir os dois lados da Rua Tiradentes de entrarem na Ramiro é simplesmente irreal. Aí, sim, vamos conhecer o que é confusão. Pior, não pensaram no pedestre, onde ele vai atravessar, com todo este trânsito? Sinaleiras? Faixa preferencial ao pedestre? Onde?

Na Rua Ramiro Barcelos, junto ao Colégio Bom Conselho e ao Hospital Moinhos de Vento, a descida é muito acentuada, representando um risco à tentativa de colocar uma sinaleira, pois os carros na descida poderiam não conseguir frear, e acidentes e mais acúmulos de veículos poderiam acontecer.

É hora de repensar essas mudanças. Não existe melhor conselheiro que o povo, consultem o povo, ele está sempre na rua e conhece cada detalhe. Essa não é uma mudança para ser feita em gabinetes, pois muitos serão os prejudicados.
Muitas vezes, temos de concordar, mesmo sabendo que essas mudanças não trazem aos moradores nenhuma vantagem, bem o contrário, só prejuízo. Muitas dessas mudanças são necessárias para o desenvolvimento da cidade, aí, esquecem-se os direitos, e usa-se o bom senso. Mas quando se trata de interesses privados, que podem muito bem achar outras soluções, não podemos ceder, pois, em nossa cidade, deveríamos cuidar do bem viver dos moradores, para que possam ter qualidade de vida, que o interesse maior, seja a população e não interesses que acabam expulsando os moradores das regiões que um dia cada um escolheu para viver. Compensações por essas falhas e mudanças que causam problemas, nunca aparecem, portanto não dá para acreditarmos em promessas.


Abaixo, parte da ata da RP1 do dia 2 de junho, para que se saiba o que deseja a população:

“Na discussão sobre a Rua Tiradentes, a opinião do plenário foi, em princípio desfavorável, ao projeto da EPTC, não apresentado por ocasião da discussão do projeto da garagem do Total ao plenário da Região. Esse projeto, consta do arredondamento de algumas esquinas, derrubada de árvores e implantação de duas mãos na Rua Tiradentes, a partir da Ramiro Barcelos para o norte. Como avaliaram os moradores da Independência presentes (Marilia, Ana Lucia, Leon), a situação da Ramiro, uma das ladeiras mais íngremes da cidade, já é difícil agora, e só se complicará com os novos fluxos da Tiradentes de ambos os lados daquela rua, oferecendo muito riscos de colisões e acidentes graves. Segundo a EPTC, não haverá semáforo no local, apenas faixas de pedestres, mal situadas na planta, que deixarão o pedestre extremamente exposto. Foi sugerida uma audiência pública sobre o assunto. Tania lembrou aos moradores que foi provada a existência de um termo de ajuste de 2005 para compensações ambientais, que não foi cumprido, depois foi negado, e por fim confirmado pela própria SMAM, e que essas compensações poderiam, talvez, ser negociadas em termos de alteração da proposta viária apresentada”.

Contêineres e cidadania

15 de julho de 2011 4

Por Marília Costa Cardoso, Conselho de Blogueiros

Se eu pudesse pedir um presente, pediria um sapato de Florença, quem sabe um traje de Milão ou o último modelo em óculos italianos. Não vou ganhar nada disso, mas, pelo menos, vou ter na frente de minha casa um contêiner italiano. Imaginem um contêiner com grife. E aí, fica no ar uma pergunta: por que tem que ser italiano? Não temos estes mesmos modelos de fabricação nacional?

Se o modelo italiano fosse um sapato, ele poderia ficar apertado, mas mesmo assim valeria à pena. Mas e se esses contêineres não servirem para as nossas necessidades? O que fazer com eles? É uma questão de valores? Eles são mais baratos que os nossos?

Parece brincadeira, mas esse caso dos contêineres colocados permanentemente nas ruas serve para Lisboa, Madri, Paris, mas aqui vai ficar “um sapato apertado”.
Sabem por que estou dizendo isso? Porque conheço nossa cidade, já morei em casa e condomínio e sempre a mesma situação: não há consciência de grupo, de comunidade. Muitas vezes vi pessoas com seus sacos de lixo colocando na frente da casa do vizinho. Já vi gente colocando guarda chuvas nos antigos coletores de lixos dos edifícios e este, ao abrir dentro do conduto, ficou com todo o lixo depositado sobre ele, quando foi ligado o incinerador, houve um princípio de incêndio.

E agora, acham que as pessoas mudaram? Aprenderam? Acham que os que sabem que a coleta é noturna e colocam o lixo a qualquer hora na calçada vão mudar? E os que colocam lixo onde cai água dos condicionadores de ar, ficando essa sujeira escorrendo pela calçada, será que vão mudar seus hábitos? E os que fecham o comércio, colocando o lixo misturado, seco e molhado, na rua, e vão embora, não se importando com a sujeira que os catadores vão fazer. Agora vão se conscientizar? Irão separar o lixo? Acreditam que os usuários de casas noturnas vão colocar seus copinhos lá dentro, direitinho?

Há algum tempo, tivemos nas calçadas um tipo de “contêiner nacional”. Era todo de tela e chaveado. Só era aberto, pouco antes de passarem os lixeiros. De um momento para outro, foram proibidos e retirados. Foi problema de acessibilidade? De sujeira? Como vão escorrer os resíduos líquidos? Existe um duto, ou esses líquidos vão ficar lá dentro, fechados e fedendo? Não vão ser um foco de proliferação de baratas e ratos? Esses “italianos” vão ficar onde? Na frente de casas e edifícios? Qual o critério para a colocação? Como são escolhidos os locais para a colocação dessas lixeiras? Como vão ficar os apartamentos que ficarem junto a esses contêineres? Vão ter que respirar essa sujeira, a sujeira dos outros? E as calçadas? Falam em lavar.

Lavar as calçadas? Os contêineres? A que horas será esse serviço? Quantas vezes por semana? Quantas vezes por semana será recolhido o lixo destes vasilhames?
Falam em lixo orgânico, mas podem ter certeza, vai aparecer lixo de construção, reciclável, hospitalar, pilhas, óleos e muitos outros.

Não é ser derrotista, mas depois desse vandalismo de colocar sabão em pó no chafariz da Praça Júlio de Castilho, não dá para confiar. O que acontecerá com esse contêiner obstruindo a visão geral da rua? Servirá de esconderijo, de mictório e pior, brincadeiras de vândalos que vão fazer todo o tipo de ações perigosas.

Não sou contra a colocação desses contêineres, já vi em diversas cidades o respeito das pessoas e o cuidado nessa tarefa. Antes desta ação, deveria haver uma orientação, através de fôlderes, palestras em escolas, nas comunidades envolvidas, orientações em lugares públicos. Muitas pessoas fazem o errado por não saberem o certo. Então, antes de tudo, educar, orientar, demonstrar, esta é a melhor saída para problema de limpeza urbana. As cidades europeias deveriam servir de exemplo, de cuidado com sua comunidade, limpeza de suas ruas e principalmente pela coerência nos serviços prestados. Não temos que importar seus materiais, mas suas atitudes. Temos que partir para programas de limpeza urbana onde cada um cuide de sua parte, seu lixo, e assim da saúde de todos.


Corvo ou urubu

08 de julho de 2011 3

Por Marília Cardoso, Conselho de Blogueiros

Gosto de olhar o voo dos pássaros. Cedo, as garças, com sua cor branca, tão delicadas, fazem um voo suave, elegante e sincronizado. Partem do Arroio Dilúvio e vão em direção a algum banhado do outro lado da cidade. Se o dia estiver claro, com o sol surgindo, com certeza vamos ouvir uma baderna: são as caturritas e papagaios que, aos pares, fazem a festa. Os papagaios preferem locais bem altos para pousar e chamar o grupo, procurando lugares que lembrem seu antigo habitat. Eles atravessam a cidade em busca de árvores, sementes e, principalmente, água. As caturritas não são tão barulhentas, mas, se elegerem uma palmeira como preferida, vão aterrissar e fazer um bom estrago. Compensa ver toda essa alegria por simples coquinhos.

Há anos passados, não era muito fácil encontrar essas aves nas cidades. Elas habitavam os lugares mais primitivos ou onde havia matas, insetos, frutos, sementes e água. Isso bastava para sobreviverem. Mas alguém não obedeceu à ordem natural e começou um desmatamento desenfreado, pela ganância e ignorância. E essas aves começaram um êxodo em direção à cidade. Hoje, estão perdidas nessa cidade, e seus gritos, antes de alegria, são gritos de socorro.
Nós sentimos que é hora, também, de pedirmos socorro, pois esse festival colorido toma um aspecto com outra tonalidade. Em voos que nos enchiam os olhos de alegria, hoje nos deixam receosos, pois, em nossas janelas e sacadas, o visitante é outro. Com seu voo quase planador, urubus, que alguns chamam de corvos, abrem suas asas de tão grande envergadura que nos deixam com medo.

Por que essas aves estão rodeando nossos prédios? Elas também gostam de frutas e sementes, mas não rejeitam uma sujeira ou uma carniça. Por que, então, essas aves, de gosto tão estranho, estão nos rodeando? Por que elegeram a Avenida Independência? Onde estão as sujeiras, lixos e carniças que elas tanto gostam? Devem estar aqui.
Aqui por perto deve haver locais de reciclagens de lixo, onde as pessoas tiram o ouro (garrafas pet, papelão, latinhas) e deixam a podridão das fraldas descartáveis, restos de comidas e dejetos em qualquer lugar. E não muito longe, temos catadores usando calçadas para separar o lixo. Outros usam o lixo como desculpa para se fixarem nas calçadas. Muitos moradores e comerciantes cooperam com essa situação, deixando seus resíduos nas calçadas, escorrendo líquido fétido, resultado de restos mal embalados.

Hoje, essas aves estão em nossas janelas e sacadas. E amanhã? Descerão, se continuar esse desleixo, e, como as pombas que muitos alimentavam (hoje se sabe que carregam com elas doenças), mostrarão a que vieram. Lembrem-se, tem um ditado que diz: “não alimente corvos…”


Moradores da Independência pedem passagem

10 de junho de 2011 0

Por Marilia Costa Cardoso, Conselho de Blogueiros

No último questionário feito aos moradores da Avenida Independência e adjacências sobre suas preocupações e prioridades, a resposta da maioria surpreendeu: a prioridade é segurança no trânsito. Os problemas de trânsito, acessibilidade e policiamento são os assuntos que mais preocupam os cidadãos da Independência. Aparentemente, a cidade não é mais para as pessoas, é para os veículos das pessoas. Foi assim que muitos se pronunciaram.

Essa desilusão com o trânsito, nesta via, foi geral, principalmente com as normas e mudanças que deveriam proteger o pedestre, mas só resolvem os problemas do transporte coletivo e de particulares. Essas mudanças têm de obedecer às leis de trânsito que regem o tráfego de veículos motorizados, não motorizados, pedestres e animais. Elas não podem ser manipuladas ou realizadas com improvisações. Elas devem ser organizadas com conhecimentos de física, matemática e simulações aplicadas ao fluxo de tráfego e respeito ao motorista e ao pedestre.

Ao pensarmos no trânsito de uma cidade, deveremos pensar em um grande tabuleiro, como um tabuleiro de jogo, onde existem regras que precisam ser respeitadas, e peças desse jogo, onde cada uma deve fazer seu papel. Poderíamos pensar num jogo de xadrez, onde os peões são os mais solicitados e mais trocam de lugar. Quem somos nós neste jogo?
Somos exatamente esses peões, porque sendo os que mais circulam, mais devem ser observados. Os carros poderiam ser os bispos que têm sua rota restrita e sempre avançando, exatamente para não haver congestionamentos. Os reizinhos em suas torres de proteção pouco fazem, mas são os que decidem o jogo.

Não estamos tentando nenhum cheque-mate, mas para que tudo funcione com harmonia e respeito, os responsáveis tem de saber planejar, trabalhar e executar o certo. Mas isto, às vezes, não acontece, pois não se olha o jogo como um todo. Tenta-se mexer em algumas situações e todo o jogo se enrola do peão ao rei. O jogo e o trânsito devem primar pelo estudo e pela organização

Há coisas que devem funcionar com a precisão de um jogador: sinaleiras, faixas preferencial para pedestre, sinais e avisos. Estas situações têm de ser precisas, gerais e de conhecimento de todos. Não precisam criar campanhas, basta explicar com clareza as regras e normas vigentes e fiscalizar para que sejam de fato cumpridas.
Só bom senso às vezes não adianta. Proibir que carros façam certas conversões em algumas esquinas, sem colocar uma alternativa razoável, fará com que os carros não obedeçam. Como no caso dos cruzamentos da Protásio Alves com a Ramiro Barcelos e da Independência com a Garibaldi, onde as conversões, mesmo sendo proibidas e sinalizadas, continuam a acontecer colocando a vida dos pedestres em risco. Para determinar novas regras no jogo, todos precisam ser consultados, ouvidos, para depois se tomar uma decisão.

E as faixas “zebradas” que dizem ser preferencial de pedestre, salvo algumas faixas de segurança acompanhadas de um semáforo, qual é a regra para este jogo? Aí, o que vale é o semáforo. E no caso da Rua Santo Antônio, junto à Independência? Como pergunta o senhor Leônidas: “quando vão colocar uma sinaleira para pedestres aqui na esquina da Santo Antônio? Quando alguém for atropelado?” E este senhor pensa como todos que usam esse cruzamento: “qual minha vez de passar?”E como ficam os que necessitam usar muletas e cadeiras de rodas? Quando será a vez deles passarem? Assim como está eles não têm preferência.

Pensem com ele: Em todas as passagens da Independência na esquina da Rua Santo Antônio há faixas “zebradas”. Preferencial para pedestre? Errado, pois existem sinaleiras. Bem, na Santo Antônio, à direita, no sentido Centro/bairro, não existe sinaleira para pedestre, então posso passar? Errado, pois os carros que vêm pela a Independência dobram livremente. Então, qual a regra do jogo? Mesmo com faixa preferencial, se a sinaleira estiver aberta para veículos da Rua Santo Antônio, a prioridade é deles, dos carros. Se a sinaleira estiver liberada para o fluxo na Independência, os carros podem dobrar à direita, se pararem, os outros buzinam furiosos. Muitos aceleram e poucos, muito poucos, param. Para atravessar nesta esquina, tudo é arriscado. Para os carros que param, perigo, pois o de trás pode não parar. Para os que tentam atravessar, só correndo, os que podem correr. E para os que dependem de cadeiras de rodas, muletas, idosos, doentes e crianças, quando devem atravessar com segurança?

As regras não são claras, e o jogador nunca será o vencedor.

Não se trata só de respeitar a faixa para o pedestre (uma imposição da lei), mas de respeitar o pedestre principalmente na faixa.


Foto: Genaro Joner, BD, 07/12/2007

Participe das escolhas para a região

01 de junho de 2011 1

Por Marília Costa Cardoso, Conselho de Blogueiros

As prioridades de cada região se diferenciam exatamente pelas características dos moradores dessas regiões. Nos lugares em que os moradores são idosos, os valores mais importantes são calçadas de qualidade, praças com segurança, regras e sinais de trânsito bem claros e visíveis. Idosos dão valor ao patrimônio cultural e gostam de passear, revivendo momentos prazerosos.

Em uma região de muitos hospitais, os usuários precisam de informações, acessibilidade para quem usa cadeira de rodas, bengalas ou muletas. As ruas devem ter um traçado bem estudado para o fácil acesso das ambulâncias. As noites devem ser tranquilas, pois os doentes internados merecem isto.

Em uma região com escolas e cursos pré-vestibulares, o importante é que eles estejam centrados na educação, convivência e participação nos assuntos do bairro: isto não é só saber, mas o caminho para a cidadania.

Quando falamos em Independência, falamos em tudo isso. Temos aqui três tipos de pessoas: idosos, necessitados de atendimento médico e estudantes. Perto de nós, temos o Bom Fim, que é um corredor de cultura, e o bairro Floresta, que guarda toda uma história das indústrias, hoje com comércio crescente. E então o que precisamos?

> Preservar nossa história
> Incentivar ações culturais
>  Respeitar e incentivar o comércio

Não estamos pedindo estádios, viadutos, túneis, espigões. O que pedimos é bem simples: queremos algumas tintas para pintar nossos casarios, limpeza nas ruas, poda das árvores, bancos e flores em nossas praças, trânsito com sinais e faixas de pedestres respeitados e, principalmente, acessibilidade.

Participe

> A reunião da Região Geral de Planejamento 1 ( RP1,) ocorre a cada 15 dias e é aberta à participação da comunidade
>  A RP1 engloba os bairros Marcílio Dias, Floresta, Centro, Auxiliadora, Moinhos de Vento, Independência, Bom Fim, Rio Branco, Mont’Serrat, Bela Vista, Farroupilha, Santana, Petrópolis, Santa Cecília, Jardim Botânico, Praia de Belas, Cidade Baixa, Menino Deus e Azenha.
> Nesta quinta, dia 2, a reunião tratará da Rua Tiradentes e do tema Cuidadores da Cidade & Governança
> O encontro seguinte será em 16 de junho
> As reuniões ocorrem sempre às 19h, no  6ºandar do prédio da Smov (Avenida Borges de Medeiros, 2.244). Entrada pelos fundos do prédio (estacionamento)

Encontros devem decidir prioridades

24 de maio de 2011 1

Por Marilia Costa Cardoso, Conselho de Blogueiros

No dia 19 de maio, às 19h, realizou-se, no Sindicato da Hotelaria e Gastronomia de Porto Alegre, à Rua Barros Cassal, uma reunião com a prefeitura. O encontro foi denominado de Encontro Moderado de Governança Solidária, a fim de promover a mobilização e a articulação de ações para o desenvolvimento da cidade.

Foram apresentados diversos assuntos polêmicos, como a proposta de formação de um comitê de bairro, quando já temos as associações, movimentos e os representantes das regiões de planejamento (RP1). Terminologias novas, como comitês gestores, metas e motes, são coisas muito sofisticadas quando existem palavras simples para isto e, afinal, a população é simples. Devemos usar uma linguagem que todos entendam o verdadeiro significado.

Outra dúvida foi a que secretaria este nosso trabalho estaria vinculado. Deram grande ênfase na responsabilidade do cidadão, quando ele, sem remuneração alguma, comparece a reuniões, faz sua parte e não encontra o retorno. O convite para essa reunião não foi bem divulgado, assim o número de representantes por região foi muito pequeno.

Após a fala do moderador, Mauro Zamperetti, técnico da Unesco, sobre a sistemática do Encontro Moderado de Governança Solidária e como as decisões dos bairros seriam levadas para outros encontros, os participantes resolveram não se pronunciar nessa reunião e marcar outros encontros, ampliando a convocação da comunidade destes bairros.

Devido a características semelhantes de alguns bairros, foram programadas duas reuniõse, uma incluindo Bom Fim e Farroupilha e outra com Independência e Floresta. A data e local serão bem divulgados nos bairros, esperando que a população destas regiões entendam que chegou a hora de participar das escolhas para cada região. Participe e exerça sua cidadania.


Proteja seu mascote neste final de ano

22 de dezembro de 2010 0

Por Marília Costa Cardoso, Conselho de Blogueiros

Recebi da veterinária Emilia Berino, que cuida da minha gatinha, Linda Flor (foto), lembretes para as festa de fim de ano e sobre o estresse que fogos causam aos bichinhos. Confira as dicas abaixo:

 

Animais X Fogos de artifício

Os bichos de estimação se assustam com o barulho de fogos e rojões, pois a audição deles é muito mais sensível do que a nossa. Por isso, em meio às festas de final de ano, é importante que você:

1 – Coloque algodão nos ouvidos dos cães, para diminuir a sensibilidade auditiva.
2 – Acomode os cães dentro de casa em um lugar onde eles possam se sentir em segurança.
3 – Feche portas e janelas para evitar fugas e acidentes.
4 – Ligue o rádio e a TV e aumente o volume perto do momento dos fogos.
5 – Dê alimentos leves, já que distúrbios digestivos provocados pelo pânico podem matar.
6 – Não deixe o cachorro acorrentado, pois ele pode se enforcar em função do pânico.
7 – Não deixe muitos cães juntos, porque eles podem brigar.
8 -  Mantenha os gatos dentro de casa, sem acesso à rua.
9 – Coloque uma plaqueta de identificação na coleira do seu mascote, com os seus telefones gravados nela.

Pedidos para 2011

06 de dezembro de 2010 0

Por Marília Costa Cardoso, Conselho de Blogueiros

Saímos com o firme propósito de falar com o Papai Noel. Ao encontrá-lo, ele nos mostrou banquinhos para sentarmos junto a ele. Estranhamos, mas entendemos: às crianças, ele oferecia o colo e, para nós, um banquinho. Afinal, estava certo. Hoje estávamos tão velhos quanto o bom velhinho. E, uma esperança, pois ele sendo idoso entenderia nossos pedidos.

Ele nos sorriu, e perguntamos:

_ Papai Noel, qual seria o presente mais importante que poderíamos pedir?

Ele fez o clássico OH,OH,OH e disse:

_ Peçam paz.

_Isso, Papai Noel, queremos paz. Nada de roubos, assaltos, badernas.

E ele complementou:

_ Posso dar paz, mas roubos, assaltos e badernas é uma questão de segurança pública, e isso a polícia terá de resolver.

_Papai Noel, precisaríamos de sombra para descansar, flores perfumando os parques, pássaros cantando para nos alegrar…

_ Filhos, eu cuido da natureza, mas esse trabalho de conservação, manutenção e cuidados com a fauna e com a flora tem uma secretaria para fazer…

_ Papai Noel, tu que sabes bem as dificuldades que a idade impõe para caminhar, podes avaliar como passamos mal quando as ruas estão esburacadas, sujas, carros nos desrespeitando, falta de sinaleiras e sinalização, como poderias nos ajudar?

_ Darei aos homens que governam esta cidade boa vontade, e vocês fiquem esperando… Afinal, é Natal.

Neste Natal, paz aos homens de boa vontade…


Esqueceram de Mim: o pedestre

26 de novembro de 2010 5

Por Marília Cardoso, Conselho de Blogueiros

Pedestre: pessoa que anda a pé. Este é bem o perfil dos moradores da Independência — idosos que vão a bancos, fazem compras, levam seu cachorrinho para passear ou encontram amigos em simples caminhadas pelo bairro. A maioria dessas pessoas são idosas com dificuldades para caminhar, ouvir, enxergar, outras são mães levando crianças para hospitais ou escolas, muitas são grávidas, enfermeiras ou doentes saindo ou chegando ao hospital, sempre com pressa e agitadas. E estes personagens tão importantes, idosos, doentes, trabalhadores são esquecido quando não se colocam avisos e sinaleiras nos cruzamentos. São esquecidos, quando não se regulariza o calçamento deixando lajotas soltas, bueiros com tampas soltas, empecilhos como pinos, orelhões e lixeiras , todos no meio do caminho ou não se dá tempo real nas sinaleiras para eles atravessarem as ruas.

Há algum tempo pedimos uma sinaleira para a esquina da Rua Santo Antônio com a Independência. Foi prometida, mas a promessa não foi cumprida; agora o perigo passou para o outro lado da rua e novamente ficam todos sem saber o que fazer. Nesta esquina, depois da mudança de mãos das ruas Santo Antônio e Garibaldi, o problema passou a ser os carros que podem dobrar à direita, na Rua Santo Antônio, vindos da Avenida Independência. Ali não existe sinaleira para o pedestre, mas no chão está pintada uma faixa preferencial ao pedestre, e esta pintura fica muito junto à esquina, o que impede que o carro que faz a dobra na rua tenha tempo para parar. Se o sinal está aberto para os carros que trafegam pela Rua Santo Antônio, o pedestre não pode passar, se está aberto para os carros que estão na Independência, fica também aberto para fazer a conversão à direita, e de novo o pedestre não poderá passar. Pelo jeito ele não pode passar nunca. Assim, se o pedestre usasse do seu direito poderia sempre passar, a faixa preferencial ao pedestre pintada na rua dá a ele este direito ou quem sabe teria de usar a famosa mãozinha? Não existem placas indicativas, não existem sinaleiras e o pedestre esquecido tenta driblar os carros que não obedecem à preferencial e quase passam por cima das pessoas. Estamos falando nas pessoas que podem correr, e os de cadeiras de rodas, e os com deficiência auditiva e visual, e os que têm de usar muletas? Esqueceram deles?

O pior é que enquanto faltam estas sinaleiras como na Barros Cassal e na Santo Antônio , sobram muitas na Ramiro Barcelos junto à Praça Júlio de Castilhos, sem uso. Na Barros Cassal, com aquela permissão para os ônibus dobrarem para corredor de ônibus da Independência é outra armadilha. O que falta? Bom senso ou planejamento?

Planejamento é uma coisa muito importante para que o pedestre se sinta seguro. Vejamos os orelhões, a quantidade deles, espalhados pelas calçadas sem um sistema de marcas no piso, para que os deficientes visuais não esbarrem neles; o declive de algumas passagens que dificulta a condução das cadeiras de rodas; as faixas de pedestres desenhadas entre árvores e postes, obrigando as pessoas a se equilibrarem ao desviar desses entraves; postes abarrotados de fios enquanto outros estão sobrando, só plantados nas calçadas sem nenhuma função (Garibaldi esquina com a Independência); pinos no meio das calçadas para evitar que veículos estacionem, quando todos sabem que isto é proibido, há multas, pontos na carteira, mas onde estão as pessoas para multar?

E, pior de tudo: na esquina da Independência com a Garibaldi, cuja conversão à esquerda é proibida, e não respeitada, os carros dobram livremente e exatamente no momento em que a sinaleira dá direito ao pedestre passar. A pergunta que fica: porque este desrespeito todo com o pedestre? Estão só falando em Copa de 2014, vamos esperar os turistas com estes sinais de trânsito enganoso. “Faixa zebrada” ou passadeira é preferência para pedestre em qualquer cidade que se obedece as leis de trânsito e, no caso de querer reforçar, que seja colocada uma sinalização que também é conhecida pelo desenho de uma pessoa atravessando uma faixa preferencial para o pedestre.

Uma rua com hospitais e escolas deveria já contar com sinaleiras com som e a indicação de quanto tempo resta para realizar a travessia. O que irão dizer? É cara! E a vida de uma pessoa? Vamos pensar grande, vamos lembrar-nos do pedestre, afinal ele paga para ser bem atendido.

Lembre-se de mim: o pedestre.




Esqueceram de Mim

13 de novembro de 2010 2

Por Marília Costa Cardoso, Conselho de Blogueiros

Se a Avenida Independência fosse um filme, seu título seria este: Esqueceram de Mim.

Vemos alguns bairros de Porto Alegre ser tão assediados, visados, ajudados, mas esta avenida que tem algo de importante e histórico não é lembrada e pode se dizer que foi esquecida. Em 2008, moradores desta região — sabendo que a administração da cidade era participativa — resolveram se juntar em no Movimento Reviver Independência para que, prefeitura e cidadão, achassem um meio de revitalizar a via, cujos antigos moradores fizeram parte da história de Porto Alegre.

Foram realizadas quatro reuniões com as secretarias do município, juntamente com a Presidência da Câmara de Vereadores. Alguns vereadores e secretários foram convidados para que expusessemos as deficiências da Independência e os pedidos. As linhas gerais do projeto foram apresentadas também ao secretário do Planejamento, Márcio Bins Ely, à Secretaria de Governança e aos responsáveis pela Patrimônio Histórico de Porto Alegre. Duas reuniões foram realizadas com o comandante da 9ª CIA da Brigada Militar, para pedirmos ajuda na segurança e, no Dia da Solidariedade, tivemos a oportunidade de falar com a prefeito Fortunati, pedindo que olhasse com carinho para nosso trabalho.

Fomos além, conseguimos da Urbana Arquitetura um projeto arquitetônico para a avenida, pois ela deveria resguardar o tradicional conseguindo unir ao moderno. Apresentamos o início deste trabalho, que teve a orientação do arquiteto Custódio, coordenador da Memória Cultural do município, da presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural, Rita Chang, e dos representantes dos movimentos do bairro. As arquitetas da Urbano Arquitetura conseguiram um espaço na internet para que os moradores pudessem conhecer, opinar e ficar cientes das novidades desse projeto.

Parecia que nossa parte estava pronta. A Brigada Militar nos ajudando com uma ronda diurna conseguiu minimizar os constantes assaltos aos idosos. O Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) nos deu algumas dicas de como trabalhar com o lixo e parecia que tudo iria tomar o rumo certo. Mas, de repente, tudo parou: as reuniões agendadas foram canceladas, os colaboradores cansaram da espera e foram desistindo, os moradores, desiludidos, não mais participavam de reuniões quando solicitados, e assim, aos poucos, a avenida começou a sentir: Esqueceram de Mim.

Participamos de reportagens neste espaço da Zero Hora, vendo os outros bairros crescerem, apresentarem novidades e nós sempre na mesma tecla: os casarios, mesmo os tombados, em péssimo estado de conservação; as calçadas com lajotas soltas ou totalmente desniveladas; os catadores de lixo deixando as calçadas sujas e perigosas; os moradores de rua fazendo suas necessidades fisiológicas nas calçadas; as casas noturnas funcionando (apesar da lei não permitir estes estabelecimentos próximos a hospitais) com as constantes badernas, sujeiras, gritarias — nos dias de funcionamento destas casas noturnas aparecem as famosos flanelinhas achacando e os táxis estacionados nas calçada até as 8h; a Praça Dom Sebastião, agora um espaço de desleixo e abandono; a nova mudança de transito piorou, agora faltam sinalização e sinaleiras.

É triste, perigoso e deprimente caminhar por esta avenida. Triste ver casarios pichados e abandonados, que poderiam ser usados como locais de eventos, um teatro fechado, perdemos cinema, perdemos muito. É triste. Perigo? Perigo nas calçadas, bocas de lobo com tampas soltas, carros dobrando na contramão, faixas de pedestre que não são respeitadas, calçadas tomadas por lixo e sujeira; é deprimente quando lembramos que nos esforçamos tanto, gastamos tempo e dinheiro e nada disto foi considerado.

Como vai terminar este filme, ainda não sabemos, mas esperamos um “gran finale” para que a Independência possa novamente sorrir e contar sua história, pois, se perdermos esta oportunidade agora, logo não teremos muito o que contar.

O bairro da minha janela

22 de outubro de 2010 0

Por Marília Costa Cardoso, Conselho de Blogueiros

Mario Quintana conhecia bem Porto Alegre, assim como conheço meu bairro: o dia nascendo, o sol se pondo, os jacarandás florindo, um temporal chegando, caindo a chuva ou desviando. Os pássaros saudando o dia, os papagaios felizes gritando, e, se chegar a noite, as constelações Três Marias e Cruzeiro do Sul vão nos nortear e nos avisar que é hora de descansar.

Que cantinho do bairro pode ser visto apenas por você, seus amigos e familiares? Mande uma foto feita da janela da sua casa para moinhos@zerohora.com.br, com seu nome completo, profissão e endereço.