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As polêmicas da ciclovia do Bom Fim

14 de fevereiro de 2014 0

Recém inauguradas, as ciclofaixas na Vasco da Gama, na Irmão José Otão, na Barros Cassal e na João Telles, recebem contestação de motoristas, ciclistas e de pedestres

Matheus Beckmatheus.beck@zerohora.com.br

Nem bem completou uma semana desde sua inauguração oficial, a ciclovia da Vasco da Gama, no Bom Fim, acumula reclamações de quem transita de carro, de bicicleta ou a pé. As contestações se espalham pelo 1,1 quilômetro de extensão da via até a Irmão José Otão, pelos cerca de 300 metros da General João Telles e pelos outros 300 metros da faixa na Doutor Barros Cassal.

A principal indagação dos ciclistas – que gerou mobilização nas redes sociais –  é devido à troca de faixa entre a Miguel Tostes e a Ramiro Barcelos (na foto abaixo). Embora a ciclovia fique do lado esquerdo em quase toda sua extensão, ela começa (no sentido bairro-Centro) no lado direito da Vasco da Gama. Por isso, o ciclista precisa cruzá-la aproximadamente 200 metros depois de ingressar na faixa.

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De acordo com o presidente da Associação dos Ciclistas de Porto Alegre, Pablo Weiss, a sugestão dada pelos usuários à Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) foi que a conexão com a Mariante fosse feita pela Liberdade, pois, segundo ele, utilizaria uma via mais segura para quem anda de bicicleta.

– Ela tem menos movimento de veículos, não tem o problema da curva de acesso ser muito fechada, e ainda economizaria a colocação de dois semáforos. Do jeito que ficou, prejudica o ciclista, o pedestre e até o motorista, pois ganhou um semáforo a mais, sem necessidade. O antigo “caminho dos parques” foi retirado porque era considerado inseguro, e a EPTC repetiu o erro copiando o trajeto –  afirma Weiss, referindo-se ao passeio que conectava os parques Moinhos de Vento e Redenção.

Para o diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, a transposição da Vasco da Gama foi pensada para evitar um terceiro tempo semafórico que prejudicaria tanto ciclistas quanto motoristas. Conforme ele, a solução segue estudos técnicos que consideram também a futura conexão entre a ciclovia e o trecho da Avenida Goethe:

–  Afastamos (o cruzamento) dali (da Rua Miguel Tostes) e fizemos uma sinalização específica sem que tenha prejuízo para ninguém. O pessoal vai para um detalhe e não percebe que nós pensamos em um plano cicloviário inteiro.


> Desgastes na pista e uma feira no caminho

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A obstrução da ciclovia só é permitida em casos excepcionais. A Feira Modelo, que ocupa trechos da João Telles e da Irmão José Otão duas vezes por semana, é um exemplo. A sugestão da EPTC é que seja utilizada outra via para a circulação de bicicletas no período do evento ou que se desça da bike e caminhe, conduzindo-a pelo passeio público.

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Entre as contestações feitas pelos ciclistas estão a falta de padrão na largura da via –  que estreita em vários pontos –  e a utilização de tinta vermelha inadequada para delimitar a faixa. Segundo Pablo Weiss, presidente da Associação dos Ciclistas de Porto Alegre, na maioria das ciclovias da capital foi apenas pintado o trecho, sem serem feitas as correções do piso, e que a tintura deixa a pista escorregadia em dias de chuva. Além disso, ele destaca a colocação de uma placa de Pare na alça de acesso à Ramiro Barcelos voltada ao ciclista, o que, segundo ele, reforça a lógica de preferência ao automóvel:

– Cada metro de ciclovia na cidade tem de ser comemorado, mas não assim.

O diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, afirma que a condição de preferência aos carros se deve a uma avaliação pontual que considerou um fluxo muito maior de veículos motores em relação ao de bicicletas:

– Em cada análise de preferenciabilidade, levamos em consideração uma série de itens. Neste caso, foi o de volume muito maior de carros que acessam o viaduto.

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A reportagem de ZH Moinhos também identificou, na última sexta-feira, pontos de desgaste nas marcações, alguns equipamentos danificados e lixo ao longo da ciclovia. A EPTC pede a colaboração dos usuários para auxiliar na manutenção da limpeza, realizando o descarte correto dos detritos. Em relação à pintura, a empresa informa que as equipes responsáveis foram acionadas “para reforçar a demarcação ao longo do trecho”.


> Moradora diz que implantação de ciclovia dificultou sua rotina

Com a ciclovia do Bom Fim e do novo trecho da Avenida Ipiranga, Porto Alegre chega a 20,2 quilômetros de espaço exclusivo para ciclistas. A meta da prefeitura é atingir até 50 quilômetros de faixas para bikes até o fim de 2014. Porém, a cada parcela do Plano Cicloviário que é lançada, uma onda de reclamações a acompanha. No caso da ciclovia da Vasco da Gama não foi diferente. E elas começaram antes da inauguração oficial.

O estacionamento ou qualquer parada sobre a faixa da ciclovia é proibido por lei. Por isso, táxis e outros veículos são obrigados a parar do outro lado da via ou em outra rua. Para uma moradora da Rua General João Telles, que prefere não se identificar, a implantação da ciclovia desde a semana passada dificultou muito sua rotina. Todos os dias ela precisa levar o filho à fisioterapia. Como mora na quadra onde a via é de mão dupla e do lado onde fica a ciclovia, nenhum carro pode parar para que embarquem ou desembarquem em frente à casa. A saída encontrada foi andar por alguns metros até o trecho onde não passam bicicletas.

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–  Meu filho estava com a perna quebrada. Ficamos meio ilhados. Pensam em carro e em bicicleta. Eu estou pensando nas pessoas –  diz a moradora.

De acordo com a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), “parar ou estacionar sobre a ciclovia é uma infração grave, de cinco pontos na carteira, multa de R$ 127,69 e remoção do veículo”. A orientação dada pelos técnicos da empresa é que “os embarques e desembarques devem, primeiramente, respeitar a sinalização do local, e podem ocorrer ao lado da ciclovia ou no outro lado da via”.

Canteiros cobertos com cimento são um risco às árvores

23 de janeiro de 2014 0

Para adequar passeios ao projeto Minha Calçada, moradores do Bom Fim e Rio Branco cimentam raízes e prejudicam vegetais, podendo provocar até a morte de árvores

revitalizacao

Por Matheus Beck – matheus.beck@zerohora.com.br

O projeto Minha Calçada – Eu Curto, Eu Cuido foi lançado em janeiro de 2012 para recuperar os passeios públicos, torná-los mais acessíveis e revitalizar os espaços públicos. Entretanto, no afã de corresponder às exigências da prefeitura, muitos moradores acabaram cometendo equívocos e pondo em risco o meio ambiente.

Na Rua Cauduro, no Bom Fim, um condomínio foi comunicado a realizar o nivelamento e rejuntar a calçada. O serviço foi feito, mas o canteiro que circunda a árvore logo em frente foi cimentado, cobrindo totalmente sua base junto ao solo e impedindo que ela tenha acesso à água e aos nutrientes da terra. Moradora da região, a jornalista Marianna Senderowicz conta que a situação não é incomum. Ela diz que já denunciou uma série de casos semelhantes nas vias Felipe Camarão, Fernandes Vieira, Independência e Miguel Tostes.

– E não foi apenas um caso por rua. Nivelar a calçada é importante pela acessibilidade. Mas deveria ter havido uma orientação para realizarem algo mais sustentável. Em poucos lugares foram feitos canteiros verdes. Como o prazo (para os ajustes) era meio apertado e, para muitas residências, é difícil refazer uma calçada, simplesmente colocaram cimento – afirma Marianna.

As respostas da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, segundo a jornalista, foram eficientes. Em até duas semanas, a argamassa foi retirada, e nenhum vegetal sofreu dano maior. No entanto, casos como o da Cauduro redobram a atenção nas ações de fiscalização. De acordo com o agente da Secretaria Municipal de Obras e Viação Carlos Santos, o local será vistoriado, e o responsável será notificado para retirar tijolos e cimento do canteiro:

– Os contribuintes têm se equivocado. A recomendação não é que se tire o canteiro, e sim as barreiras a seu redor, obstáculos existentes sobre o passeio público, como muretas e grades. O objetivo é impedir que idosos e crianças tropecem e se machuquem.

Casos assim podem acarretar dois problemas aos moradores. O primeiro é uma complicação com a lei. Conforme o artigo 14 do Plano Diretor de Arborização Urbana de Porto Alegre, o canteiro no entorno das árvores deve obedecer a duas regras: manter dimensões mínimas de 1m20cm por 2m50cm, sem pavimentação, e ter grama ou forração, como o saibro. O descumprimento dessas normas gera um dano ainda maior _ à própria natureza. De acordo com o diretor de Praças, Parques e Jardins, Sergio Tomasini, a impermeabilização do local dificulta a infiltração da água e provoca o estrangulamento do vegetal na área entre as raízes e o tronco. Com isso, pode causar lesões estruturais e até apodrecimento em alguns pontos. O que, com o tempo, pode fazê-la ruir.

– A pouca permeabilidade reduz a possibilidade de a árvore pegar os nutrientes do material orgânico próximo. Assim, ela aumenta de diâmetro e fica com lesões no tecido, gerando zonas de fragilidade. Quanto mais tempo demorar a ser retirado o cimento, pior fica – avalia Tomasini.

Denúncias podem ser feitas pelo atendimento ao cidadão da prefeitura de Porto Alegre, Fala Porto Alegre, telefone 156.