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Posts na categoria "ZH Moinhos nas bancas"

Frequentadores pedem melhor iluminação para o Parcão

16 de abril de 2014 0

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Bruna Vargas – bruna.vargas@zerohora.com.br

Nem para correr, nem para sentar. Maior área de lazer da região, o Parcão tem perdido o sentido depois que o sol se põe, sendo, em muitas vezes, evitado pelos usuários. Com apagões recorrentes e iluminação insuficiente em vários pontos, é raro encontrar quem se aventure a praticar esportes ou ocupar os bancos à noite.

– Perto dos banheiros, a partir das 20h, há prostituição. Os garotos de programa usam o parque porque está encoberto pelas árvores, com pouca iluminação. Já para quem corre se torna perigoso, porque há muitas raízes, pedras e desníveis –  observa Luciano Alves, 44 anos.

Morador da Travessa Angustura, o publicitário utiliza o local diarimanete para correr ou andar de bicicleta. Depois de oito anos vividos em São Paulo, lamentou a constatação de que o “seu quintal”, como se refere ao Parque Moinhos de Vento, não era utilizado pelos porto-alegrenses após o horário comercial. A inquietação de Luciano motivou a organização do primeiro Piquenique Noturno realizado no local, com o objetivo de chamar a atenção das pessoas para o problema da iluminação e motivar a ocupação do espaço também à noite. Outros eventos –  como o Piquenique Noturno com os Chefs –  foram e continuam a ser realizados no parque, mas ainda não são suficientes para encorajar os usuários à utilização noturna do Parcão.

–  Não é seguro, principalmente onde tem muitas árvores. A iluminação não é suficiente, mas também tem a questão da segurança. As pessoas ainda não têm o hábito de utilizar os parques da cidade à noite – opina a estudante Laura Krebs, que frequenta o Parcão semanalmente.

A blogueira Úrsula P. Dutra Christini lembra que, durante o horário de verão, as pessoas utilizam o parque até mais tarde.

–  Agora, no inverno, caminhar às 18h já mostra limitações. Não são todas as pessoas que se aventuram nessa empreitada. Certamente, uma boa iluminação no Parcão geraria, no mínimo, um sentimento de mais segurança para todos nós.

Usuários relatam apagões à noite

Morador do Higienópolis,Wilson Rocha Júnior, que costumava correr no local, compartilha da opinião da estudante. Ele destaca os “apagões”, noites em que a iluminação do Parcão simplesmente não é ligada, como um fato recorrente.

–  Passo por lá de bicicleta, à noite, e nada mudou. Até me lesionar, eu corria lá, mas só porque sabia que o máximo que poderiam levar era o meu tênis.

O blogueiro do ZH Moinhos Eduardo Viamonte também testemunhou a falta de luz:

–   Corro no parque depois de escurecer, desde os anos 1990. Os apagões sempre existiram, mas se intensificaram, de forma intermitente, nos últimos anos, aumentando os riscos de assaltos e de tombos. Com a temida questão da violência crescente, alguns amigos foram deixando de frequentar o Parcão à noite. As ruas, e até mesmo o entorno da Redenção, têm sido minha opção.

Abordada pelo ZH Moinhos em dezembro, a questão da iluminação do parque já está na pauta da Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov), que, na ocasião, comentou o assunto contemplando a possibilidade de abrir a licitação para o projeto em janeiro deste ano.

Contatada novamente pela reportagem, no entanto, a secretaria disse que o documento não deve ser liberado antes de maio. A razão, segundo a Smov, é que, por se tratar de um projeto mais complexo do que o das demais praças que receberam reforço na iluminação nos últimos meses, ele ainda está sendo elaborado pelos engenheiros e técnicos da pasta.

Questionado sobre os apagões, o diretor de iluminação pública da Smov, Luiz Fernando Colombo, enviou uma equipe da Divisão de Iluminação Pública (DIP) para realizar uma vistoria no Parcão na terça-feira, e informou que foram encontradas lâmpadas queimadas. A manutenção seria realizada nesta quarta-feira.

Três ações para revitalizar o bairro Independência

03 de abril de 2014 0

Casarão Frasca

Matheus Beck – matheus.beck@zerohora.com.br

A Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Independência (Amabi) tem três motivos para comemorar. Desejos antigos da entidade começaram a tomar forma nesta semana, como a revitalização de casarão na Independência, a reforma da Praça Dom Sebastião e melhorias no ajardinamento da Gonçalo de Carvalho

As fachadas das casas no “L” formado pela Avenida Independência com a Barros Cassal, até a Avenida Cristóvão Colombo, são consideradas símbolo do bairro. A reforma no Casarão Frasca, localizado na esquina das vias, em especial, é um desejo antigo da associação. Por isso, a aprovação do projeto pelo Conselho do Patrimônio Histórico e agora pela Secretaria Municipal de Urbanismo (Smurb) é celebrada.

O Casarão Frasca foi denominado em 2010, a partir do nome da família de imigrantes da Calábria, na Itália, que migraram para Porto Alegre em meados do século passado. Os irmãos Caetano e Antonio administravam um negócio de tecidos e moravam no casario. Segundo o arquiteto responsável pelo projeto de reforma, Lucas Volpatto, ele nunca foi reformado e está bem preservado:

– Especialistas o consideram um dos maiores exemplares do ecletismo na Capital. São duas casas geminadas com muitos elementos decorativos. A ideia é requalificar o andar térreo como ponto comercial e o segundo andar como moradia, mas não há nada definido por enquanto. O foco agora é mexer na fachada e no telhado.

Conforme a Smurb, desde 6 de março o processo está em “comparecimento”. Isso significa que o responsável técnico pela obra foi notificado a comparecer à secretaria para verificar algum detalhe do projeto. Entretanto, até o início desta semana, ninguém havia se manifestado.

Um dos empecilhos para a restauração está na rede elétrica. Como a calçada é estreita e os postes estão muito próximos da casa, a Amabi irá negociar com a CEEE o afastamento da fiação ou até mesmo a colocação de parte da rede no subterrâneo. A entidade também aguarda a tramitação, na prefeitura, de outros pontos históricos, como a Casa Godoy, um dos principais exemplares da art nouveau na cidade, tombada há quase 20 anos. Além da importância arquitetônica, por ter sido criada pelo alemão Hermann Otto Menschen, o local era a casa do médico Jacintho Godoy e sede de encontros memoráveis da sociedade porto-alegrense entre as décadas de 1930 e 1950.

– A grande virtude é que temos, à frente de todas as entidades, pessoas que estão dispostas a fazer com que as coisas aconteçam. Não tínhamos esta solidez de identificação dos moradores e dos representantes. Agora, todos estão interessados, a sua maneira, a colaborar – afirma o presidente da Amabi, Diônio Kotz.

Ampliação de shopping prevê alargamento da Doutor Timóteo

27 de março de 2014 0

Shopping

Medida sugerida pela EPTC para receber maior fluxo de veículos pode acarretar em corte de árvores

Matheus Beck ➧ matheus.beck@zerohora.com.br

A possibilidade de alargamento da Rua Doutor Timóteo inquieta os moradores do Moinhos de Vento. Isso porque o futuro acesso ao Moinhos Shopping deve causar impacto no trânsito da região, e várias árvores podem ser cortadas para que um trecho da via receba o recuo de ingresso dos veículos.

A medida proposta pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) como compensação à ampliação do empreendimento foi apresentada em uma plenária realizada na última semana no Fórum Regional de Planejamento da Região 1 (RGP1). Na ocasião, a comunidade conheceu as exigências das secretarias e órgãos públicos para que o Estudo de Viabilidade Urbanística seja aprovado.

Como o projeto prevê uma nova entrada e saída de veículos pela Doutor Timóteo, a EPTC exigiu a implementação de uma faixa adicional de aceleração e desaceleração para que a fila de veículos que acessam o prédio não cause congestionamentos. De acordo com a gerente de planejamento da EPTC, Carla Meinecke, a medida segue um cálculo que leva em consideração as 685 novas vagas e o número de cancelas em operação nos horários de maior movimentação:

– Não tem erro. É um cálculo matemático.

Os moradores, entretanto, estão receosos. Muitos acreditam que a alteração não resolverá o problema do trânsito a longo prazo. Isto porque, há poucos meses, foi invertido o sentido da Rua Tobias da Silva sob a alegação de atenuar o tráfego na região, e um novo acesso pela Doutor Timóteo poderia causar engarrafamentos no cruzamento com a 24 de Outubro e demais vias.

O arquiteto e urbanista Alan Furlan, delegado do RPG1, decidiu compilar as dúvidas e encaminhar à prefeitura. A intenção dele é pedir mais informações para saber o que será atenuado e o que será compensado pela construtora.

– Não vemos um aumento das exigências (de contrapartida) na mesma proporção do aumento da interferência no trânsito. Não que a comunidade não queira o empreendimento. É que agora é o momento de contestar. Senão, daqui a pouco vão ter que fazer outra medida para resolver a que não foi bem pensada – diz Furlan.

Plano diretor reserva espaços para possíveis expansões

A gerente da EPTC, porém, assegura que os estudos de impacto de tráfego se baseiam no crescimento da frota de veículos para os próximos cinco a 10 anos. Conforme Carla, a aplicação será fiscalizada de perto pelo órgão. Ela garante que as intervenções viárias estão previstas no plano diretor, que reserva espaços para possíveis expansões ou alargamentos.

– Qualquer tipo de ampliação só é feita onde há previsão de alterações do traçado viário. Não se sai alargando indiscriminadamente. A 24 de Outubro, por exemplo, já tem recuos previstos. Todo o trânsito tem de estar funcionando bem, seja o tempo de semáforo, a segurança dos pedestres ou a fluidez da circulação nos pontos mais críticos – afirma.

Remoção ou transplante dos vegetais depende da autorização da Smam

Carla ressalta que medidas como o alargamento de vias fazem parte de um plano funcional. Embora o estudo de tráfego tenha sido aprovado pela EPTC, elas não são definitivas. O corte de árvores se enquadra nesta situação. Segundo ela, a remoção ou transplante dos vegetais depende da autorização pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Ainda assim, a jornalista e escritora Tania Jamardo Faillace questiona se, mesmo com adequações, as remoções irão respeitar o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental (PDDUA):

– São ruas muito arborizadas, com árvores antigas mas saudáveis, que fazem o orgulho do bairro, e constituem túneis verdes. Qualquer alargamento, mesmo de meio metro, exige corte e remoção de vegetais. Parece uma maneira de poupar investimentos públicos, fazendo-os serem pagos pelos empreendimentos, mesmo à custa de tolerar eventuais inadequações ao PDDUA e ao interesse da população.

Procurado pela reportagem, o Moinhos Shopping informou apenas que o projeto de ampliação “se encontra em fase de tramitação junto ao município, em etapa de aprovação” e que “oportunamente serão divulgadas informações e detalhes”. Estão previstas a ampliação do centro comercial e a construção de sete novos pavimentos – quatro deles no subsolo –, em uma área de 10,5 mil metros quadrados.

Zoom Independência vai explorar avenida por meio de fotos

20 de fevereiro de 2014 1

Bruna Vargas – bruna.vargas@zerohora.com.br

Olhar para o seu bairro, todo mundo olha. Mas você já reparou nele? Chegar mais perto das ruas, casarios, praças e construções do bairro Independência é a proposta do Zoom Independência, evento organizado para os moradores da região.

Será por meio da fotografia que o grupo Passeio Independência irá explorar, neste sábado, cada canto da avenida homônima, com o objetivo de revelar o que se camufla na correria do dia a dia.

ZoomI– A proposta do passeio é conhecer a fundo certos espaços do bairro, para, mais tarde, montar uma exposição fotográfica – explica Marília Cardoso, uma das organizadoras da ação.

A atividade partirá da Praça Júlio de Castilhos e percorrerá a avenida até a Praça Dom Sebastião. Para participar, basta estar munido de uma câmera fotográfica. E, claro, olhos ávidos para identificar, nas entranhas da Independência, fragmentos da história da vida de seus moradores e da cidade.

A ideia é reunir fotógrafos amadores e profissionais, moradores, comerciantes e admiradores para fazer registros fotográficos da via. Em material divulgado pela organização do evento, consta uma prévia do que se espera revelar pela atividade: “Tudo o que aparecer é resultado daquilo que fazemos ou deixamos de fazer”, diz o texto.

Já o zoom que dá nome ao passeio ilustra um pouco da ideia dos organizadores sobre uma das formas de explorar o bairro fotograficamente. Várias fotos de um mesmo ângulo, cada vez mais aproximadas, quando colocadas em comparação, têm o poder de mudar a perspectiva do espectador, valorizando as peculiaridades da região.
Durante a atividade, os participantes trabalharão sobre temas como patrimônio histórico, detalhes dos casarios, problemas da região, natureza, mobiliário urbano e aspectos que surpreendam.

Ao final do encontro, os participantes poderão escolher as melhores imagens para concorrer, em diferentes categorias, na mostra fotográfica. Alguns comentários sobre as fotografias feitas durante o passeio também serão selecionados para fazer parte da exposição. Serão discutidos aspectos da criação e montagem da exibição.

O evento do Passeio Independência, realizado por Urbana Arquitetura, Studio 1 Arquitetura, Região de Planejamento 1, UrbsNova e o Movimento Reviver Independência, contempla, ainda, um objetivo maior: aproximar os vizinhos, proporcionando momentos de convivência na região e inspirando um olhar positivo sobre o bairro. E, quem sabe, passar a ideia adiante.

– Queremos que as fotos sejam expostas em diversos lugares para que os moradores se sintam orgulhosos de sua região – conclui Marília.

Saiba mais

O que: Zoom Independência, passeio fotográfico pela Avenida Independência

Quando: neste sábado (22), das 17h às 20h. Em caso de chuva, será transferido para o sábado seguinte

Onde: concentração na Praça Júlio de Castilhos e final na Praça Dom Sebastião

Quanto: gratuito. Participantes devem levar máquina fotográfica

Informações pelo e-mail: passeioindependencia@gmail.com

 

 

As polêmicas da ciclovia do Bom Fim

14 de fevereiro de 2014 0

Recém inauguradas, as ciclofaixas na Vasco da Gama, na Irmão José Otão, na Barros Cassal e na João Telles, recebem contestação de motoristas, ciclistas e de pedestres

Matheus Beckmatheus.beck@zerohora.com.br

Nem bem completou uma semana desde sua inauguração oficial, a ciclovia da Vasco da Gama, no Bom Fim, acumula reclamações de quem transita de carro, de bicicleta ou a pé. As contestações se espalham pelo 1,1 quilômetro de extensão da via até a Irmão José Otão, pelos cerca de 300 metros da General João Telles e pelos outros 300 metros da faixa na Doutor Barros Cassal.

A principal indagação dos ciclistas – que gerou mobilização nas redes sociais –  é devido à troca de faixa entre a Miguel Tostes e a Ramiro Barcelos (na foto abaixo). Embora a ciclovia fique do lado esquerdo em quase toda sua extensão, ela começa (no sentido bairro-Centro) no lado direito da Vasco da Gama. Por isso, o ciclista precisa cruzá-la aproximadamente 200 metros depois de ingressar na faixa.

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De acordo com o presidente da Associação dos Ciclistas de Porto Alegre, Pablo Weiss, a sugestão dada pelos usuários à Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) foi que a conexão com a Mariante fosse feita pela Liberdade, pois, segundo ele, utilizaria uma via mais segura para quem anda de bicicleta.

– Ela tem menos movimento de veículos, não tem o problema da curva de acesso ser muito fechada, e ainda economizaria a colocação de dois semáforos. Do jeito que ficou, prejudica o ciclista, o pedestre e até o motorista, pois ganhou um semáforo a mais, sem necessidade. O antigo “caminho dos parques” foi retirado porque era considerado inseguro, e a EPTC repetiu o erro copiando o trajeto –  afirma Weiss, referindo-se ao passeio que conectava os parques Moinhos de Vento e Redenção.

Para o diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, a transposição da Vasco da Gama foi pensada para evitar um terceiro tempo semafórico que prejudicaria tanto ciclistas quanto motoristas. Conforme ele, a solução segue estudos técnicos que consideram também a futura conexão entre a ciclovia e o trecho da Avenida Goethe:

–  Afastamos (o cruzamento) dali (da Rua Miguel Tostes) e fizemos uma sinalização específica sem que tenha prejuízo para ninguém. O pessoal vai para um detalhe e não percebe que nós pensamos em um plano cicloviário inteiro.


> Desgastes na pista e uma feira no caminho

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A obstrução da ciclovia só é permitida em casos excepcionais. A Feira Modelo, que ocupa trechos da João Telles e da Irmão José Otão duas vezes por semana, é um exemplo. A sugestão da EPTC é que seja utilizada outra via para a circulação de bicicletas no período do evento ou que se desça da bike e caminhe, conduzindo-a pelo passeio público.

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Entre as contestações feitas pelos ciclistas estão a falta de padrão na largura da via –  que estreita em vários pontos –  e a utilização de tinta vermelha inadequada para delimitar a faixa. Segundo Pablo Weiss, presidente da Associação dos Ciclistas de Porto Alegre, na maioria das ciclovias da capital foi apenas pintado o trecho, sem serem feitas as correções do piso, e que a tintura deixa a pista escorregadia em dias de chuva. Além disso, ele destaca a colocação de uma placa de Pare na alça de acesso à Ramiro Barcelos voltada ao ciclista, o que, segundo ele, reforça a lógica de preferência ao automóvel:

– Cada metro de ciclovia na cidade tem de ser comemorado, mas não assim.

O diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, afirma que a condição de preferência aos carros se deve a uma avaliação pontual que considerou um fluxo muito maior de veículos motores em relação ao de bicicletas:

– Em cada análise de preferenciabilidade, levamos em consideração uma série de itens. Neste caso, foi o de volume muito maior de carros que acessam o viaduto.

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A reportagem de ZH Moinhos também identificou, na última sexta-feira, pontos de desgaste nas marcações, alguns equipamentos danificados e lixo ao longo da ciclovia. A EPTC pede a colaboração dos usuários para auxiliar na manutenção da limpeza, realizando o descarte correto dos detritos. Em relação à pintura, a empresa informa que as equipes responsáveis foram acionadas “para reforçar a demarcação ao longo do trecho”.


> Moradora diz que implantação de ciclovia dificultou sua rotina

Com a ciclovia do Bom Fim e do novo trecho da Avenida Ipiranga, Porto Alegre chega a 20,2 quilômetros de espaço exclusivo para ciclistas. A meta da prefeitura é atingir até 50 quilômetros de faixas para bikes até o fim de 2014. Porém, a cada parcela do Plano Cicloviário que é lançada, uma onda de reclamações a acompanha. No caso da ciclovia da Vasco da Gama não foi diferente. E elas começaram antes da inauguração oficial.

O estacionamento ou qualquer parada sobre a faixa da ciclovia é proibido por lei. Por isso, táxis e outros veículos são obrigados a parar do outro lado da via ou em outra rua. Para uma moradora da Rua General João Telles, que prefere não se identificar, a implantação da ciclovia desde a semana passada dificultou muito sua rotina. Todos os dias ela precisa levar o filho à fisioterapia. Como mora na quadra onde a via é de mão dupla e do lado onde fica a ciclovia, nenhum carro pode parar para que embarquem ou desembarquem em frente à casa. A saída encontrada foi andar por alguns metros até o trecho onde não passam bicicletas.

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–  Meu filho estava com a perna quebrada. Ficamos meio ilhados. Pensam em carro e em bicicleta. Eu estou pensando nas pessoas –  diz a moradora.

De acordo com a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), “parar ou estacionar sobre a ciclovia é uma infração grave, de cinco pontos na carteira, multa de R$ 127,69 e remoção do veículo”. A orientação dada pelos técnicos da empresa é que “os embarques e desembarques devem, primeiramente, respeitar a sinalização do local, e podem ocorrer ao lado da ciclovia ou no outro lado da via”.

C de Criatividade e de Cidadania

06 de fevereiro de 2014 1

Para dar nova vida à região, grupo de 44 artistas lança o Distrito Criativo de Porto Alegre, que contemplará bairros como o  Floresta

Matheus Beck – matheus.beck@zerohora.com.br

Há cerca de três meses, 44 artistas e empreendedores (alguns deles, na foto abaixo) se reúnem para dar cara nova ao 4º Distrito – região da cidade ao norte do Centro Histórico que compreende o Floresta e outros bairros. Mas não apenas recuperar sua história e cultura. Baseado nos conceitos de economia criativa, do conhecimento e da experiência, o objetivo é desenvolver o espaço urbano e torná-lo um mercado ativo nos próximos cinco anos.

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No passado recente, a região era conhecida como o polo industrial de Porto Alegre. Praças e parques serviam de ponto de encontro de jovens. Bem diferente dos espaços degradados atualmente. O grupo, porém, não busca apenas a reforma de locais históricos ou ações culturais. Segundo o professor Jorge Piqué, da agência de inovação social UrbsNova, idealizador do Distrito Criativo, também chamado de Distrito C, os projetos serão tanto de preservação quanto criação:

– Queremos é que traga benefícios à região. Por um lado, pressionando a prefeitura, mostrando que há uma indústria que precisa de condições mínimas para existir. E, por outro, que nós mesmos, que somos criadores, busquemos soluções.

O coletivo se vale de experiências semelhantes realizadas em outros países, mas também em Porto Alegre, como o Cidade Baixa em Alta. A ideia é que se forme um senso de identificação entre os moradores com a região a ponto de intervir na realidade dela, e não apenas reivindicar e aguardar a solução por parte dos governantes.

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– O fato de a gente fazer coisas não libera a prefeitura de fazer as obrigações dela. A macrodrenagem e a limpeza urbana são funções dela. Mas a nossa questão não é só de demanda, e sim de tudo que podemos fazer como cidadãos. A pintura dos bueiros e de bocas de lobo, por exemplo, é proibida. No entanto, os moradores da Cidade Baixa conversaram com a prefeitura e até a EPTC apoiou a ação – exemplifica Piqué (na foto acima).

– O Distrito C está mostrando à cidade um bairro que estava esquecido e que as pessoas ainda não conhecem, perto de todos os lugares mais valorizados e com uma mistura de interesses e atividades como poucos. Nós, da Bolsa de Arte, saímos em busca de um espaço mais importante e com melhor condições de mostrar o trabalho dos artistas sem limitações de tamanho, um lugar ideal para exibir arte – afirmou Marga Pasquali, empresária.

Atualmente, vários grupos de trabalho foram formados para discutir assuntos como segurança, identidade visual e patrimônio. Associações de moradores, como o Refloresta, atuam na intermediação da relação com os vizinhos e como consultores sobre os problemas da região. Mais que revitalização cultural, o Distrito C é um local de inovação social.

Confira a relação completa dos participantes

Mais informações sobre o Distrito C pode ser obtidas pelo e-mail agenciaurbsnova@gmail.com ou pelo telefone (51) 9830-0994

Linhas de ação

Os grupos de trabalho tem se reunido para tratar de alguns temas. Eles discutem, levantam ideias e desenvolvem projetos divididos em cinco eixos principais. Confira quais são

– Revitalização urbana –  melhorias na infraestrutura, microdrenagem, iluminação, limpeza, segurança, mobilidade, condições de comércio, valorização das áreas verdes e do meio ambiente, disponibilização de equipamentos de lazer, preservação de fachadas, defesa do patrimônio histórico e implantação de uma horta comunitária.

–  Inclusão social –  identificar grupos sociais em situação de risco e dar apoio às entidades que trabalhem com essas pessoas.

–  Design de território – criar uma identidade própria ao distrito desde a sinalização (mapas, cartazes e identificação do mobiliário urbano), passando pela arte pública (grafite, fotografias, esculturas), e até eventos (festas, caminhadas, pedaladas).

– Atividades de integração e formação –  promover o sentido de identificação com o bairro entre os moradores por meio de palestras, cursos, eventos artísticos, ações coletivas, além da recuperação e divulgação da história do distrito.

– Turismo criativo – aproximar turistas de outras áreas de Porto Alegre, do estado e do país à vivência dos moradores, com visitas a ateliês, oficinas e eventos locais.

No ZH Moinhos desta quinta-feira

08 de janeiro de 2014 0

Você confere

Capacalçadasmenor

– Saudade dos canteiros – Moradores da Fernandes Vieira lamentam retirada de estrutura em torno das árvores, exigida pela prefeitura, por causa do Projeto Minha Calçada

– Planos para 2014 – As associações de bairros da região comemoram conquistas do ano passado, como o sucesso de eventos voltados para moradores e a mobilização por melhorias da área. No entanto, há planos que não se concretizaram, e que podem, finalmente, sair do papel neste ano. Conheça as prioridades de cada grupo – Associação Cristóvão Colombo (ACC), Associação de Moradores do Auxiliadora (AMA), Associação de Moradores e Amigos do Bairro Independência (Amabi), Associação dos Moradores da Gonçalo de Carvalho (Amogonçalo), Movimento Moinhos Vive e Grupo de Apoio à Revitalização do Bairro Floresta (Refloresta)

– Eu e Meu Bairro – A escritora Letícia Möeller conta sobre sua relação com o bairro, de sua infância a infância de seus filhos

Projeto Vizinhança convida moradores a ocupar casas abandonadas neste fim de semana em Porto Alegre

22 de novembro de 2013 0

Bruna Vargas ➧ bruna.vargas@zerohora.com.br

Casa legal era a da Vó Clara. Depois de cansar de tanto correr no pátio, a chegada na oficina do Vô Serafim garantia mais algumas horas de diversão. Chaves de fenda, porcas e parafusos viravam peças de uma quebra-cabeças que sempre remontava uma brincadeira.

Pelo menos essa é a lembrança de Aline Bueno, uma das organizadoras do Projeto Vizinhança, sobre o que considera ser a sua referência de casa. A residência dos avós, em Santa Maria, não faz mais parte da sua vida. Mas marcou sua história.

vizinhança

 

Acima, alguns dos artistas envolvidos nesta edição.

Evocar as melhores lembranças – ou expectativas – das pessoas sobre esses espaços é a proposta da 5ª edição do projeto, que chega à Rua Luzitana neste fim de semana. Sob o tema Casas da Memória, o evento convida a vizinhança a se aprochegar aos imóveis de número 1.208, 1.218 e 1.228 para uma experiência que reunirá diferentes atrações com um único objetivo: levar um pouco de arte e cultura a espaços ociosos da cidade, promovendo a convivência entre vizinhos.

– Todo mundo tem uma casa, seja da infância ou que sonha em comprar. É um símbolo muito forte de vizinhança – explica Aline.

A quinta edição do Projeto Vizinhança contará com oficinas, apresentações teatrais, shows musicais e intervenções de artistas plásticos, além de almoços coletivos e a participação do chef Rodrigo Paz, do projeto Comida de Rua.
O próprio lugar escolhido para as atividades irá vigorar apenas na memória da cidade em breve. As três casas, emprestadas pelo dono para o evento, serão demolidas para dar lugar a um empreendimento. Antes disso, porém, ganharão mais uns tijolinhos na construção da memória afetiva dos vizinhos.

– A Márcia (Braga, idealizadora do projeto) morou na Espanha, onde esse tipo de atividade é bem mais comum. O foco é usar espaços ociosos, por um espaço de tempo delimitado. É para ser efêmero mesmo.

Na Luzitana, as atividades – gratuitas, à exceção dos comes e bebes – ocorrerão entre sábado e domingo, das 10h às 19h.
O Projeto Vizinhança é capitaneado por Aline Bueno e Márcia Braga, e é colocado em prática com a ajuda de colaboradores. As quatro primeiras edições, entre 2012 e junho de 2013, mobilizaram mais de mil pessoas.

Agende-se

– O que: Casas da Memória, 5ª edição do Projeto Vizinhança
– Quando: sábado e domingo, das 10h às 19h
– Onde: Rua Luzitana, 1.208, 1.218 e 1.228
– Quanto: gratuito
– Mais informações no Facebook do Projeto Vizinhança
– Observação: o evento ocorre mesmo em caso de chuva

casas

Programação

SÁBADO
10h30min – Oficina de origami com Barbara Benz. Artistas Renata Ibis, Pedro Lunaris e Bianca Barrios estarão trabalhando no local
11h – Cenas da peça de teatro Pra Hoje só Marmotta, com Lia Motta, baseada na obra de Manuel de Barros, Memórias Inventadas
l 11h30min – Abertura da exposição exposição fotográfica acessível Sentindo o Mar e bate-papo com a curadora, Antonia Wallig
12h – Almoço coletivo: carreteiro oferecido pela Cabral Arquitetos
14h – Artistas Diego Ferrer e Panaiotis Constatinou estarão trabalhando no local
14h30min – Oficina de cerâmica para crianças com a artista visual Loren Gay
15h – Contação de histórias com Patricia Vieira. Artista Cles Lachmann estará trabalhando no local
16h – Intervenção de Raisa Torterola
17h – Caminhos Trilhados, sarau poético e exposição com Conça Dornelles
18h – Bate-papo com os artistas Antonio Augusto Bueno, Augusto Lima e Felipe Caldas. Eles falarão sobre o próximo projeto do grupo Risco Coletivo, que ocorrerá em uma das casas

DOMINGO
10h – Artista Ney Caminha estará trabalhando no local. Projeto Circuito Grude, com lambe-lambes de várias cidades do Brasil
11h – Oficina de reciclagem, com Vanessa Kaminski
11h30min – Oficina de cianotipia, com a artista Amanda Teixeira
12h – Almoço coletivo (churrasco)
14h30min – Ação poética Linha da Vida, com Ricardo Ayres
15h – Pocket show, com Fabrício Fortes
15h30min – Contação de Histórias, com Jeane Bordignon
16h – Pocket show, com Alexandre Leeh
17h – Chef Rodrigo Paz e oficina de artesanato sustentável, com Renata Fontoura
17h30min – Performance de Raisa Torterola

Uma das casas contará, ainda, com duas exposições: Sentindo o Mar, de Antonia Wallig, e Nós no Projeto, com trabalhos produzidos nas oficinas do Projeto Vizinhança durante o ano

 

Que rua é esta?

09 de novembro de 2013 0

Neste final de semana, decidimos colocar a nossa charada semanal também no blog.

Vamos lá então para a dica do Que Rua é Esta?, publicada na edição que circulou na quinta-feira:

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Via do bairro Auxiliadora (com um pequeno trecho no Floresta), pertence a um dos primeiros loteamentos implantados naquela área da cidade por iniciativa do Coronel Manoel Py, figurando na planta municipal de 1986. Mais uma dica: está a uma quadra do bairro São João. Sabe de que via estamos falando?

Mande seu palpite para moinhos@zerohora.com.br até o meio-dia de segunda-feira, com seu nome completo. Ou responda via comentário no blog, não se esquecendo de escrever o seu nome completo.

MAS ATENÇÃO! Para não estragar a brincadeira, não respondam via Facebook, está combinado?

Boa pesquisa!

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“Vamos acompanhar a abertura da Pinheiro Machado para avaliar a eficácia”, afirma Vanderlei Cappellari

07 de novembro de 2013 2

Por Paulo Renato Rodrigues, do Conselho de Blogueiros

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No final da semana passada, entrevistei o diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Cappellari, em busca de detalhes a respeito da abertura da Rua Pinheiro Machado, um tema que é polêmico entre moradores dos bairros Independência e Floresta. Questionei, por exemplo, sobre a possibilidade de serem instalados semáforos nas esquina da André Puente e Gonçalo de Carvalho, e se há perspectiva de reversão de alguma mudança prevista ou já realizada. As respostas você confere a seguir, na entrevista feita por e-mail.

> Leia mais sobre a abertura da Rua Pinheiro Machado, marcada para a manhã desta sexta-feira.

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ZH Moinhos – O que representa essa mudança no contexto do trânsito da região? 

Vanderlei Cappellari – Representa maior facilidade para a circulação dos moradores e serviços instalados na região. Atualmente, quem vem do Centro e quer chegar às ruas Gonçalo de Carvalho ou André Puente precisa contornar a Praça Júlio de Castilhos, passando por três semáforos. Com esta nova possibilidade, simplificamos o acesso ao bairro, e aliviamos o cruzamento da Ramiro Barcelos, com a Independência e com a 24 de Outubro.

ZH Moinhos – Como ficará o estacionamento de carros na Independência e na Pinheiro Machado? Há perspectiva de instalação de parquímetros nessa rua e no seu entorno?
Cappellari – Na Avenida Independência, foram removidas, aproximadamente, 20 vagas da Área Azul Eletrônica, e na Rua Pinheiro Machado foi proibido o estacionamento apenas de um lado da rua. A ideia é equilibrar uma melhoria na circulação para o bairro, permitindo o estacionamento onde é possível, pelas próprias características do bairro. Estamos licitando a gestão da Área Azul. Também estamos realizando estudos e, após a abertura da Pinheiro Machado, concluiremos a avaliação de todo o entorno.

ZH Moinhos – Com o aumento do fluxo, o que inevitavelmente ocorrerá na Pinheiro Machado, há planos de colocação de sinaleiras nas esquinas com a André Puente e Gonçalo de Carvalho?
Cappellari – Não foi prevista a instalação de semáforo, porque o volume não é representativo para este equipamento. Mas está sendo implantada sinalização ostensiva nestes cruzamentos, com placas de “pare”, com legendas pintadas no pavimento e linhas de canalização, um reforço de sinalização para melhor entendimento pelos condutores e pedestres. A equipe de engenharia e os agentes estarão monitorando todas as intervenções implantadas, e farão ajustes, se necessário.

ZH Moinhos – Há perspectiva de alguma reversão no conjunto de intervenções que já foram e estão sendo realizadas?
Cappellari – Conforme enfatizamos nas reuniões com a comunidade, vamos acompanhar e monitorar para avaliar a eficácia desta pequena intervenção, e ajustar ou alterar o que for necessário.

ZH Moinhos – Como foi suportar a pressão para que isso não acontecesse?
Cappellari – Em qualquer intervenção viária, sempre temos posições favoráveis e contrárias, e elas variam de acordo com os interesses individuais. Nossa função, enquanto órgão gestor, é propor medidas que melhorem e equilibrem a mobilidade, sempre priorizando a segurança viária e qualificação coletiva da cidade. Tivemos espaço na região para apresentar todos os nossos dados de contagens, de volumes de tráfego, das conexões estratégicas que existem nesta região da cidade, de problemas que estávamos enfrentando (o nó da 24 de Outubro) e um ótimo ambiente para debater, ouvir opiniões e sugestões dos moradores e das empresas instaladas no bairro. Esta troca permitiu a construção de solução mais racional e com informações simultâneas.

Rua Pinheiro Machado será aberta nesta sexta-feira

07 de novembro de 2013 1

 

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Após finalização de obras pela Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov), a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) confirmou para amanhã, a partir das 9h, a abertura da Rua Pinheiro Machado ao trânsito de veículos. A alteração, precedida por asfaltamento e nova sinalização, ocorre com a retirada do passeio junto à Avenida Independência. Na esquina com a Pinheiro Machado, funcionará um semáforo para organizar a conversão à esquerda, para quem segue no sentido Centro/bairro.

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A partir desta sexta, a Rua Pinheiro Machado terá sentido único da Independência até a Rua Professor André Puente, e, a partir daí, mão dupla até a Rua Gonçalo de Carvalho. Serão retirados pontos de estacionamento da Área Azul na Independência para a melhor circulação dos veículos.

Todas as alterações serão monitoradas pelos técnicos e

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agentes de fiscalização da EPTC.

— Será realizado acompanhamento para avaliar a eficácia e ajustar ou alterar o que for necessário — afirmou Vanderlei Cappellari, diretor-presidente da EPTC, em entrevista ao blogueiro Paulo Renato Rodrigues (leia a íntegra da entrevista)

De acordo com o órgão de trânsito, a medida objetiva qualificar o tráfego na região, criando uma alternativa de rota em direção à Avenida Cristóvão Colombo, e diminuindo o fluxo de veículos na esquina da Avenida Independência com a Rua Ramiro Barcelos.

O anúncio da abertura, porém, provocou reação contrária de moradores da região em junho deste ano, alegando que a rua perderia suas características, transformando-se em um’ corredor de passagem’. No passado, eles fizeram uma intensa mobilização política, colheram mais de mil assinaturas e evitaram a abertura.

Leia mais:

> A polêmica abertura da Pinheiro Machado

> Enquete no Facebook sobre a mudança de trânsito

Passeio Independência, o plano para revitalizar a Avenida Independência

31 de outubro de 2013 0

Mateus Bruxel

Por Matheus Beck – matheus.beck@zerohora.com.br

Uma simples caminhada pela Avenida Independência e você tem a sensação de que aterrissou em Porto Alegre a bordo de uma máquina do tempo desregulada. Calçadas com larguras diferentes, casarios com fachadas que destoam de outras construções, poluições visual e sonora. A impressão é de que o bairro não pertence à própria época.

– Hoje ele é uma mistura de tempos – define a arquiteta e urbanista Taís Lagranha Machado.

A explicação da sócia-proprietária da Urbana Arquitetura soa como crítica, mas a intenção é inversa. Autora do projeto Passeio Independência, que busca revitalizar o eixo da avenida entre as praças Dom Sebastião e Júlio de Castilhos, Taís tenta engajar moradores, comerciantes, instituições, associações e prefeitura na luta pela preservação de uma das áreas consideradas patrimônio histórico do município.

O grande fluxo de veículos e a subutilização dos espaços públicos são os principais empecilhos.

– A gente está propondo entender o que o Independência é hoje e trabalhar o usar. Valorizar os espaços com nova sinalização, criação de um roteiro, levar feiras e cinema ao ar livre para as praças – sugere.

A mobilização não é tão recente. Em 2008, vizinhos se reuniram para reivindicar melhorias. Com auxílio da prefeitura, levaram a ideia ao Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano Ambiental (CMDUA) e, em 2011, conseguiram a aprovação do início dos estudos preliminares. Na última terça-feira, ele foi apresentado na Secretaria Municipal de Urbanismo (Smurb). Moradora da Rua Garibaldi, a professora aposentada Marilia Cardoso aprova o projeto e destaca que ele servirá como diretriz para que seja preservado sem perder a identidade:

– Ele não deixa fantasiar a Independência. Mostra o patrimônio como é. É uma joia de brilhantes, e não podemos substituí-la por vidros.

>> Confira um post de Marilia Cardoso sobre a importância do projeto e um histórico do movimento pela revitalização da Independência

SAIBA MAIS

O projeto Passeio Independência surgiu com a ideia de criar um corredor cultural, mas à evolução dos estudos foi percebido que a avenida se destaca pelo valor arquitetônico e urbanístico. Com as adaptações, ele foi alicerçado em quatro pilares. Veja quais são

– Recuperação de identidades – definir a identidade e personalidade do bairro com a padronização dos equipamentos urbanos (canteiros, bancos, telefones), sinalização de pontos importantes, contextualização com o resto da cidade e divulgação de eventos na região

– Multiuso dos espaços – promover usos coletivos diversos (feiras, caminhadas, cinema) e zonear os espaços para a realização de shows e eventos gastronômicos, por exemplo

– Valorização do passeio – eliminar os obstáculos das calçadas, baixar a altura da iluminação para se adequar aos pedestres e construir rampas e sinalização tátil para pessoas com deficiência

– Práticas sustentáveis e bem estar – configurar zonas de estar para promover o encontro das pessoas, como bancos em áreas largas e estações de bicicletas de aluguel

O colégio Bom Conselho de 60 anos atrás

23 de outubro de 2013 0

Formadas há 60 anos no Colégio Bom Conselho, ex-alunas contam como era a rotina de um dos colégios mais tradicionais  do bairro. Confira a reportagem completa sobre o grupo de 13 ex-alunas que faziam parte da turma C do Ginasial formadas em 1953, época em que o colégio era frequentado apenas por meninas.

Veja o vídeo sobre a visita das ex-alunas ao memorial do Bom Conselho para festejar o aniversário de 60 anos de formatura:

"Eu Fico com a Pureza", exposição de Carol W, é prorrogada

21 de outubro de 2013 0

Devido à grande procura, a Urban Arts Porto Alegre prorrogou o encerramento da exposição Eu Fico com a Pureza, de Carol W. O público poderá conferir a mostra até esta terça-feira (22/10).

Confira a reportagem que publicamos na edição do ZH Moinhos da semana passada, sobre o trabalho da artista plástica :

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A pureza das respostas das crianças

Por Laura Schenkel – laura.schenkel@zerohora.com.br

— A pureza ainda está em cada um de nós, basta deixar que ela apareça.

Foi isso que Carol W, como gosta de ser chamada, pensou ao ver pessoas com os olhos cheios d’água na Urban Arts.

Além das telas e esculturas, os papéis onde as crianças escreveram e que a inspiraram também estavam expostos, com a letra dos pequenos, alguns com desenhos, mostrando que as frases geniais foram, de fato, escritas pelos jovens estudantes.

Ela contatou Javier Naranjo, professor colombiano, autor de A Casa das Estrelas, que tem um dicionário feito por crianças, livro no qual se inspirou para esse projeto, para saber como fazer com que os entrevistados confiassem nela e explicassem as palavras de forma livre (leia mais abaixo). As dicas que ele passou foram falar de igual para igual, oferecendo carinho e atenção.

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A porto-alegrense de 34 anos que mora e tem atelier na Rua Comendador Azevedo, no Floresta, visitou nove escolas públicas e particulares, levando uma caixa colorida com várias palavras e os conselhos de Naranjo. Os alunos, entre cinco e 11 anos, criaram suas próprias definições para os termos. Para criar telas e esculturas, Carol selecionou algumas explicações das crianças e as interpretou do seu modo.

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O fascínio que o universo infantil exerce sobre Carol W é tão grande que seu acervo de obras infantis é muito maior do que o de literatura direcionada para adultos. Objetos que remetem à infância também estão dentre as coisas que Carol adora: bonecas de pano e de papel, pássaros, árvores, o cheiro das frutas, mar, marionetes, brinquedos de lata, diários, rir até faltar o ar, encontrar um papel lindo para sua coleção, edredon no inverno e torta de bolacha.

— Não sei explicar exatamente porque me fascina tanto, mas acredito que é exatamente pela pureza que há nas crianças, algo que eu não quero perder. Essa palavra, pureza, resume muito bem o meu trabalho e o que eu quero transmitir com ele, mas só agora, depois dessa exposição, eu consigo ver isso. O universo infantil te permite ser mais lúdico, não ter muitas amarras. Tudo é possível, e essa liberdade me encanta — conta.

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Admiradora de Ziraldo

Carol admirava desde pequena o trabalho de Ziraldo e ficava horas e horas olhando os livros que seu pai, Vanderlei Cunha, tinha do cartunista mineiro. Adorava reproduzir os traços do criador de O Menino Maluquinho nas capas dos seus cadernos. Da mãe, Cleonice Cunha, costureira e estilista, veio a inspiração por criar objetos com as próprias mãos. Os pais sempre a incentivaram nas artes e guardaram os desenhos que ela fez na pré-escola.

Eu Fico com a Pureza foi o trabalho mais significativo de sua carreira. Agora, já está com saudade do processo produtivo das obras.

— Fiquei com um carinho muito especial por professores, coordenadores e diretores. A rotina deles exige muita dedicação e amor. Esse projeto é muito significante para mim também, pois meu trabalho sempre foi inspirado no universo infantil, mas nunca tinha tido um contato tão direto com as crianças para criar — explica Carol.

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A inspiração

Talvez você já tenha ouvido falar desta obra. O livro Casa das Estrelas: o Universo Contado pelas Crianças surpreendeu ao se tornar o maior sucesso da Feira Internacional do Livro de Bogotá, no final do mês de abril.

As definições foram compiladas durante um período” entre oito e 10 anos”, enquanto o autor, Javier Naranjo, trabalhava como professor em diversas escolas rurais do Estado de Antioquía, no leste da Colômbia.

Entre as definições dadas pelas crianças, com termos de A a Z estão A de adulto (” Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro de si”, de acordo com Andrés Felipe Bedoya, de oito anos) e V de violência (” A parte ruim da paz”, segundo Sara Martínez, de sete anos).

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A exposição

Eu Fico Com a Pureza, da artista plástica Carol W

– Endereço: Urban Arts POA (Rua Quintino Bocaiúva, 715)

– Nas obras, além de tinta acrílica, foram utilizados giz e lápis de cor, material que os pequenos costumam usar para desenhar.

–Visitação: segunda (21/10) e terça (22/10), das 10h às 19h

 

Vivendo a vizinhança

Na parte da frente de sua casa, localizada na Comendador Azevedo, funciona o atelier da porto-alegrense, onde entra uma boa quantidade de luz natural. De lá, ela acompanha o movimento da rua.

A relação dela com o bairro vai muito além disso. A feira livre realizada na Praça Bartolomeu Gusmão, a Praça Florida, entrou para o cotidiano de Carol. Toda terça, compra frutas, queijos e outras gostosuras, incluindo um” pastel feito na hora que é uma delícia”. Aos sábados, aproveita o brechó de rua da São Carlos. Já no Moinhos, ela costuma frequentar os jardins do Dmae, local que considera ideal para fazer um piquenique e ficar deitada na grama.

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Dicas da moradora

— Um detalhe para observar: as casas antigas lindas e coloridas principalmente nas ruas São Carlos e Gaspar Martins

— Um restaurante: Cozinha e Arte, na Cristóvão Colombo. Almoço todos os dias lá

— Um evento imperdível: a feira livre das terças, o brechó dos sábados e o encontro no Vila Flores

 

Com a palavra, Carol W

ZH Moinhos — Como você definiria a região, em uma palavra?

Carol W — Aconchego.

ZH Moinhos — Qual é a rua mais charmosa?

Carol — Dependendo da parte, a São Carlos e suas casas antigas.

ZH Moinhos — Como é o vizinho ideal?

Carol — Que deixa o outro viver a sua vida, que respeita o espaço e a individualidade do próximo.

ZH Moinhos — Qual o principal problema do bairro?

Carol — Sujeira. Outro problema é que muitas das casas antigas estão sendo derrubadas para a construção de estacionamentos.

ZH Moinhos — Se pudesse, o que mudaria no bairro?

Carol — A conscientização para manter as ruas limpas.

ZH Moinhos — O que nunca mudaria?

Carol — Essa atmosfera que o bairro tem de cidade pequena. Aqui as crianças ainda brincam na rua até tarde, sem que os pais se preocupem. Todos se conhecem e se cumprimentam.

ZH Moinhos — Como Porto Alegre seria sem o seu bairro?

Carol — Menos romântica.

ZH Moinhos — Como você imagina o bairro no futuro?

Carol — Espero que parem de derrubar as casas, que parem de descaracterizar o bairro. E que seja um bairro mais limpo.

Conheça o homem que restaura o Vila Flores, em Porto Alegre

17 de outubro de 2013 0

Há três anos, João Felipe Wallig teve um encontro adorável. Ele conheceu, em São Paulo, um restaurador mineiro de sotaque quase nordestino. Amável Santos Amaral trabalhava em reformas na cidade desde os 19 anos, quando deixou Medina, em Minas Gerais, quase na divisa com a Bahia. Wallig decidiu convidá-lo para ser caseiro no Vila Flores e, na medida do possível, recuperar portas e paredes.
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Atualmente, Amável (na foto acima) mora no casario e é o guardião das memórias que existem lá. Ele conta que, quando chegou, havia apenas um amontoado de madeiras. Aos poucos, deu uma nova cara ao espaço e comemora a apropriação que será feita pelos moradores do bairro. Para ele, o que se destaca na construção são as mansardas – telhado com duas inclinações, sendo a inferior quase vertical e a superior quase horizontal:

– Em São Paulo tem, mas são diferentes. Esse tipo vim conhecer aqui. A mansarda enfeita muito a casa – diz.

Para um lugar imenso, Amável é econômico no que usa para si. Ocupa um dormitório com a cama de solteiro e utiliza outro cômodo como cozinha. Quem tem mais espaço é o pitbull Tigrão, que tem um pátio inteiro para circular. Apesar de ser um local de bastante movimento durante o dia – e estar próximo a zonas de prostituição à noite –, Amável afirma que nunca teve problemas com visitantes indesejados:

– O pessoal respeita. Estou há três anos aqui e ninguém mexe comigo.

E completa, com simplicidade:

– Sabendo viver, em qualquer lugar se vive.

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