Eu, ainda criança, com meu pai, José Arlindo Laux José Arlindo Laux nasceu faz tempo, há mais de quarenta e poucos anos, em uma época em que o bairro Tristeza era calmo, e todos se conheciam, todos se cumprimentavam e acenavam nas ruas. Na adolescência, se acostumou a vender cachorro quente com o pai e acabou por fazer amizade com muitas pessoas. Lembranças vagas e detalhes da região eu escutei durante os quase 20 anos de existência, pois Arlindo, meu pai, sentia saudades da casa de madeira que habitara, dos cachorros que acabou por cuidar e dos amigos da região. Depois de passada a fase de venda de cachorro quente ao lado do pai, Arlindo passou a atuar na área de vendas. Com a mulher de sua vida, Lúcia, ele formou um lar aconchegante no Centro. Mas, para ele, nada se comparava com a natureza da Tristeza, com o cheiro do Guaíba e com as frutas que colhia nos fundos de sua casa. Finalmente, eu nasci, e demorou um pouco para meus pais se irem para outro apartamento, também localizado nas ruas cinzentas de Porto Alegre. Aos poucos, meu pai pensava em se mudar, mas para um lugar em que eu pudesse aproveitar a natureza e respirar aliviada - eu tinha complicações asmáticas. Então, meu pai lutou muito, conquistou posições e fez amizades. Com uma vida melhor, construiu uma casa no bairro Tristeza. Os detalhes foram planejados por toda a família: desde o jardim até a raça do cachorro que protegeria o muro de nossa casa. Meu pai, sem dúvidas, se esforçou bastante para me dar a vida que tenho hoje, além da educação e do amor. Do cachorro quente até a gerência de diversas empresas, cada gota de suor valeu. Valeu porque sei que sou fruto de suas escolhas e porque reconheço o esforço desse grande homem. Parabéns, pai, por ser brilhante!

Postado por Morgana Gualdi Laux, Conselho de Blogueiros
