
Texto e imagem enviados pela artista plástica Tenini (Teresinha Canini Avila, foto abaixo), moradora da Zona Sul

"Eu ia dirigindo pelas ruas antigas do meu bairro, em que os bangalôs guardam a poesia dos anos idos, quando deparei com uma imensidão de lírios brancos que escondiam um pequeno prédio dos anos 30, junto ao alpendre, num pequeno espaço de terra.
Tive vontade de parar, descer e bater na porta dos moradores.
Eu queria saber onde eles compraram as mudas dos lírios brancos que há tanto tempo procuro para resgatar memórias de infância. Ou, quem sabe, eles me prometeriam mudas daquela flor divina?
Mas o meu destino era outro e não parei. Fiquei com aquela imagem lírica durante o resto do dia balançando na cabeça, encantada com os lírios brancos que escondiam o bangalô dos anos 30 do século que passou.
Os lírios eram altos, como antigamente. Hoje, vejo mudas de lírios enxertados, em que a altura diminuiu e tirou a imponência dos lírios de outrora, que lembravam campos verdejantes e suas belas flores na primavera perfumando os arredores das casas de estâncias ou dos bangalôs do século XX.
Os lírios lembram, ainda, as antigas festas de casamento, as igrejas com altares ornados com longos pêndulos em que a flor branca e perfumada convidava a recolhimentos.
Os lírios lembram meus pais e meu marido, que sempre desejou ver o amplo terreno da nossa casa coberto de lírios ou açucenas, como na estância de sua família, em Herval.
Mas ainda hei de descobrir onde possa conseguir mudas ou sementes dos lírios antigos para que meus olhos possam descansar na beleza de suas flores e para que a minha alma possa aspirar perfumes dos tempos em que uma pura inocência fazia parte das nossas vidas..."
Postado por Melissa Becker, Redação ZH













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