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Lembranças de Ipanema

01 de setembro de 2011 7

Nossa blogueira Janete da Rocha Machado nos brinda com mais lembranças do passado na Zona Sul. Ela já é conhecida dos nossos leitores por seu empenho em resgatar os fatos da região. No texto abaixo, você vai conhecer a história da Vila Clotilde e do Morro do Sabiá, uma área que antigamente pertencia a família Meyer.


Morro do Sabiá: história e requinte


Por Janete da Rocha Machado, blogueira

No finalzinho do século 19, primórdios do bairro Ipanema, todo o Morro do Sabiá, vizinho da Pedra Redonda, pertencia ao Barão Von Seidel, um solteirão que construiu uma platibanda sobre a figueira mais alta do morro para ver as caravelas entrarem no Guaíba. Entre as embarcações, estavam aquelas que traziam imigrantes, a maioria alemães, a Porto Alegre. Eram viajantes que, ao visitar a região, então Província de São Pedro, deixaram importantes testemunhos acerca da história da cidade.

Tempos mais tarde, as terras que hoje compreendem o Morro do Sabiá foram adquiridas por Oscar Meyer, um rico comerciante, proprietário de imóveis e lojas no Centro da cidade. Relata a família que, antes das terras serem de Oscar, elas pertenciam a Otto Niemeyer, nome conhecido na Zona Sul.
No final dos anos 1920, durante a administração de Alberto Bins (1928/1937), com as transformações de Porto Alegre, Meyer obrigou-se a vender seus prédios situados no Centro. A abertura de novas ruas, de avenidas e a construção do Viaduto Otávio Rocha exigiu a demolição de suas lojas que ficavam no meio do caminho (atual Avenida Borges de  Medeiros).
Apesar da reação contrária à demolição, liderada por intelectuais da época, os imóveis de Oscar foram demolidos. Com o dinheiro da indenização ele pôde comprar as terras em Ipanema. Nem sonhava ele que, um dia, o local se transformaria na “Vila Clotilde”, uma belíssima chácara, às margens do Guaíba, homenagem a três gerações de mulheres da família.
A chácara dos Meyer, antes apenas um extenso matagal, tornou-se modelo em Ipanema. Um lugar refinado e com ares de parque inglês. Foi Oscar Meyer, o primeiro plantador de coníferas da região, arborizando um grande espaço e preservando a magnífica Mata Atlântica. Chamado de louco pelos amigos por ter se enfiado naquele fim de mundo que era Ipanema, ele plantou, juntamente com um grupo de jardineiros, toda a grama (relva inglesa) do parque.
Moradores em foto na Vila Clotilde

Colégio Anchieta comprou parte da área



A chácara abrangia toda a montanha, desde a antiga Estrada da Pedra Redonda, hoje Avenida Coronel Marcos, até a beira da praia que, na época, apresentava águas límpidas, perfeitas para o banho. Uma vez que o desejo de Oscar era uma casa de veraneio para a família, o lugar era perfeito. A Vila Clotilde encantou, como ainda encanta, os porto-alegrenses e visitantes de Ipanema.
Tempos mais tarde, porém, diante de dificuldades para administrar tão extensa área, Lya Bastian Meyer, filha de Oscar, vendeu parte da propriedade a terceiros. Entre os compradores estavam a Fundação Ruben Berta _ Associação dos funcionários da VARIG, no início dos anos 1970,a Associação dos Antigos Alunos Maristas de Porto Alegre (AAAMPA), hoje Colégio Marista Ipanema, no final dos anos 1950. O topo do morro passou então a ser de uso exclusivo dos alunos e professores do Colégio Anchieta, aquisição feita em 1949.
O centro da chácara, onde se avista a linda moradia _ uma casa de cinema em estilo alemão, ainda permanece com a família, descendentes de Oscar e Clotilde.


Jovens da época no Morro do Sabiá

Terreno escapou de virar cemitério


Maria Helena, uma das descendentes de Oscar e Clotilde, nos conta que: “Um fato curioso envolveu esta venda. Eu frequentava o Instituto Cultural Norte-Americano, cuja bibliotecária D.Haydée Leão Madureira era amiga da D. Lya. Pois bem, em uma tarde, após uma revisão médica, eu passei por lá. D. Haydée, um tanto constrangida, perguntou-me se era verdade que parte da chácara estava sendo vendida. Respondi-lhe que sim, e que o arras seria assinado às 17h. Ela então perguntou se eu sabia quem seria o comprador. Dei o nome de uma instituição conhecida, e acrescentei que eles construiriam ali um local para abrigar pessoas especiais. Só então ela revelou que a dita instituição estava servindo de testa de ferro para um cemitério arborizado, com crematório”.
Maria Helena, ao relatar o fato, concluiu aliviada que, felizmente, houve tempo para desfazer o negócio e o encantador e histórico Morro do Sabiá continuou sendo dos vivos, para alegria dos moradores de Ipanema e das redondezas. Permanece um lugar aprazível, onde a natureza ainda cumpre a sua função de encantar.

Comentários (7)

  • Maria Helena luce schmitz diz: 1 de setembro de 2011

    Janete, parabéns por mais este resgate histórico de nossa cidade, em particular da Zona Sul. Que sigas trilhando este caminho com sucesso, e que um dia ele possa transformar-se num livro, fazendo a felicidade de muita gente que ama este região da cidade.
    Um beijo, Maria Helena

  • Délcia diz: 1 de setembro de 2011

    Janete,se a memória não me trair lá pelos anos 70 um dos melhores cafés coloniais de Poa era no Morro do Sábia,assim como local para atividades dos escoteiros.
    Conhecer a história de nossa cidade,bairro é respeitar a nossa própria história de vida.
    Obrigada prof janete por mais esta pérola de aula da metrópole gaúcha.

  • Sergio de Souza Nunes diz: 3 de setembro de 2011

    Janete,meus parabéns por a materia sobre o morro do Sábia,ficou show.

    Gosto muito de ler historias sobre o passado da Zona Sul,moradores etc.

    Obs.se escreveres um livro sobre o passado da zona sul,serei um dos primeiros leitores do mesmo.

  • Catarina Tolotti diz: 3 de setembro de 2011

    É tranquilizador para os que se preocupam com as referências culturais saber que há pessoas persistentes e talentosas comprometidas com a história. Ainda que a digitalização corrobore não só para a permanência, mas também para a divulgação, muitos registros do passado têm-se perdido ao longo dos anos. Sendo assim, parabéns à historiadora Janete Machado por manter viva a memória dos tempos glamourosos da Zona Sul de Porto Alegre.
    Catarina Tolotti

  • Esdras Ramos diz: 17 de novembro de 2012

    Nesse feriado de Quinta-feira passamos pela casa e paramos para adimira-lá, nos deparamos com uma linda imagem de 2 meninos vestidos com a camisa do Inter brincando com pastores alemães e outros cães, uma linda imagem, digna de um filme, que aguçou mais ainda a nossa vontade de conhecer aquela linda propiedade, gostária de saber se é possível vtisitar a propiedade? e se sim, como fazer para marcar essa visita?

  • Magda Suzana diz: 9 de maio de 2013

    Ola Janete. Gostaria de saber como entrar em contato via facebook ou outro.
    No aguardo, Suzana sua colega do Odila.

  • Janete diz: 29 de junho de 2013

    Oi Magda, que legal esse reencontro. Meu face é Janete Machado. Me procura lá. bjs. Janete

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