
Texto enviado pela blogueira JANETE DA ROCHA MACHADO
De todos os monumentos antigos deixados pelo homem, poucos são tão icônicos como o Coliseu de Roma. Símbolo máximo do Império Romano, o conhecido Anfiteatro Flaviano é uma exceção entre os anfiteatros pelo seu volume e relevo arquitetônicos imponentes. Construído em torno dos anos 70 e 80 d.C, o Coliseu media 48 metros de altura e tinha capacidade para acomodar uma plateia de mais de 50 mil pessoas. Usado para espetáculos, entre eles, os famosos combates entre gladiadores, cujas disputas também serviam para cativar o povo com a política do "pão e circo".
Passados os séculos, a humanidade preservou o hábito de construir estádios. Muitos princípios básicos da arquitetura e da engenharia, como o desenho das bancadas ou o posicionamento do palco central, são iguais aos dos tempos antigos. E isso se verifica no projeto Intitulado "Gigante para sempre", que prevê a modernização do Complexo Beira-Rio, elaborado para atender a Copa de 2014 em Porto Alegre. Assim, a mudança se daria de outra forma. Atualmente, os lendários gladiadores de Roma, responsáveis pelo entretenimento do povo, cederam lugar aos talentosos guris com seu futebol arte, aquele jogo de craques a que todos gostam de assistir e de apreciar. Sucesso nos gramados, jogadores como Pelé, Zico e Ronaldo (fenômeno) marcaram de forma indelével o futebol brasileiro, transformando-o em uma referência no esporte mundial.
Em Porto Alegre, o Estádio José Pinheiro Borda, também conhecido como Gigante da Beira-Rio é o que abriga o Sport Club Internacional e toda a sua gigante torcida. Localizado às margens do Guaíba, por isso Beira-Rio, o prédio é uma homenagem a um cidadão português que, durante muitos anos comandou as obras de construção do estádio. Com capacidade para mais de 50 mil pessoas, assim como o Coliseu, a história do Beira-Rio começa em 1956, quando o Internacional recebeu da prefeitura de Porto Alegre uma extensa área para a construção de seu estádio. O interessante é que essa área seria aterrada futuramente, ou seja, o clube ganhara um terreno dentro d'água. Mas, isso não foi problema, pois, com o tempo e muito trabalho, o prédio, inaugurado em 1969, transformar-se-ia não só no maior estádio de futebol do Sul do Brasil, como também em um ponto turístico importante da Capital.
Escolhido para sediar os jogos da próxima Copa, a casa dos colorados, após a remodelação, surgirá mais bonita e imponente diante de seus torcedores. Com a futura execução das obras, o complexo abrigará também um hotel, amplos estacionamentos, novos restaurantes e bares, tudo isso com o objetivo de atender às exigências e padrões internacionais estipulados pela Fifa. Desta forma, apesar do imenso período que separa esses dois templos monumentais, há muita semelhança entre eles. Igualmente significativos para o povo, tanto o Coliseu de Roma com sua política "panem et circenses", como os atuais estádios de futebol com seus craques internacionais e suas torcidas apaixonadas, representam as alegrias de um povo. E isso, com certeza, faz-nos refletir sobre a importância desse acontecimento e de sua preparação. Desta forma, urge que acelerem as obras.
Igualmente, o país do futebol deverá se movimentar não só para atender as demandas da Copa, mas, principalmente, para resolver problemas que atingem diretamente seus cidadãos. É imperioso que as ações que serão implementadas nas áreas da segurança, saúde, transportes, entre outras, não sejam encerradas tão logo acabe mais uma edição desse evento esportivo.