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Posts do dia 26 abril 2012

Exposição na Cor da Terra até 12 de maio

26 de abril de 2012 0

ReproduçãoAs artistas e moradoras da Zona Sul Vera Prestes e Che Kalika estarão, entre 26 de abril e 12 de maio, com uma exposição de pinturas e esculturas. Quem quiser conferir pode ir até a Cor da Terra (Avenida Eduardo Prado, 2.150, Ipanema) e aproveitar obras com 50% de desconto.

ReproduçãoSERVIÇO
O que: exposição de pinturas e esculturas de Vera Prestes e Che Kalika
Quando: entre 26 de abril e 12 de maio
Onde: Cor da Terra (Avenida Eduardo Prado, 2.150)
Mais informações: (51) 3246-9878

O decano de Ipanema

26 de abril de 2012 4

O texto abaixo foi enviado pelo blogueiro ZH Zona Sul Luiz Pedro Borgmann:

Encontro o senhor Henrique Sommer Ilha, 82 anos, em sua residência, na Rua Cassino, no bairro Ipanema. Sorriso fácil, me conta todos os detalhes do bairro em que mora quase toda a sua vida. Os personagens do cotidiano, os mais novos, os mais velhos, e também a expectativa da despoluição do Guaíba, prevista para 2014. Ele pergunta:
- Será que vai despoluir mesmo?
Algumas pessoas  mencionadas por ele eu conheci, outras não. Somos contemporâneos, mas, com certeza, ele é um dos mais antigos moradores do bairro. Relatou alguns fatos pitorescos, também escritos por ele próprio em dezembro do ano passado na revista O Minuano, do clube Veleiros do Sul.



Henrique Sommer Ilha, 82 anos | Foto: Arquivo pessoal


“Em 1937, passamos a residir no recém-lançado balneário de Ipanema. Nossa família era de quatro pessoas: meu pai, Paulo, minha mãe, Norma, meu irmão, João, com cinco anos, e eu, Henrique, com sete anos. Imediatamente começamos a aproveitar a praia e os banhos no Guaíba, que contava com águas límpidas e dunas de areia. Nosso pai construiu um barco minúsculo que tinha esqueleto de madeira e revestimento de lona pintada. Foi batizado com o nome de Kanguru. Era muito difícil navegar com ele, pois era muito instável.
Em 1941, aconteceu a grande enchente de Porto Alegre. Andávamos com água pela cintura na Avenida Guaíba e chegávamos de barco até a esquina da Rua Cassino com a Cidreira, imediações de onde hoje se situa a Galeteria Jordani. Quando as águas baixaram, a praia ficou repleta de galhos, animais mortos e também um caíque e uma baleeira, semienterrados na areia. Meu pai comprou o barco e levou-o para casa, sendo pintado e calafetado. Recebeu o nome de Cachorro, isso já em 1942. A baleeira foi reformada e transformada em um robusto veleiro, recebendo o nome de batismo de SOS. O posto policial de Ipanema era encarregado da custódia desse barco, mas como morávamos na mesma rua do posto, fomos encarregados de zelar pelo barco, com o qual navegamos e exploramos também a costa oeste do Guaíba.
Em junho de 1944, no final da II Guerra Mundial, ouvimos um avião passar muito baixo sobre o nosso telhado, e, a seguir, um estrondo vindo do Guaíba. Ao chegar à praia, vislumbramos a cauda do avião, de duplo leme, aparecendo próximo ao morro do Sabiá. Não houve sobreviventes no Lockheed PP-VAG Electra, batizado de Varig Santa Cruz. Morreram a tripulação e oito passageiros.”

O senhor Henrique continua morando em Ipanema, com a mulher, na mesma rua, no mesmo lugar. De boa memória, histórias como essas ele tem muitas mais para contar, mas aí seria necessário um espaço muito maior.


 



O veleiro "SOS" com familiares e vizinhos em Ipanema | Foto: Arquivo pessoal