Está no jeito sossegado do paulista Victor Leandro Bagy a razão por ter escolhido a Zona Sul para viver. O goleiro de 29 anos, contratado pelo Grêmio no final de 2007,conta que até recebeu indicações de amigos a respeito de outros regiões de Porto Alegre, mas se apaixonou mesmo foi pelo sul da Capital. Após morar no Cristal e na Vila Assunção, há um ano ele reside em um condomínio no Belém Novo.
-- A opção pela Zona Sul tem muito a ver com a minha personalidade. Sou bastante tranquilo, não gosto de muita aglomeração, trânsito, bagunça. Prefiro um lugar mais calmo -- diz.
A história do atleta com o futebol se iniciou ainda na infância. Depois, aos 14 anos, fez o primeiro teste no Paulista, de Jundiaí (SP), profissionalizou-se e permaneceu uma década no clube. Victor conta que, no início, toda a família deu força, mas destaca o apoio da mãe:
-- Ela sempre se desdobrou para me dar condições, me dar chuteiras, luva, para poder praticar o futebol.
Após 10 anos em Jundiaí, município de 370 mil habitantes distante 57 quilômetros de São Paulo, surgiu a oportunidade
de jogar em Porto Alegre. Chegou com a incumbência de ocupar uma vaga que, durante muito tempo, foi de um dos maiores ídolos da história do Grêmio, Danrlei. No clube gaúcho, o jogador chegou à Seleção.
Victor gosta de ficar em casa com a mulher, Gisele, e os cachorros. Diz que, para fazê-lo colocar o nariz para fora, "tem de ser muito importante". Dos hábitos porto-alegrenses, o goleiro mostra ter adquirido vários, principalmente em relação à linguagem. Só não se acostumou com o chimarrão:
-- O próprio churrasco eu já gostava, mas nunca tinha me arriscado a fazer. Hoje, faço um meia-boca.
Os ares de cidade do interior agradam ao goleiro, nascido no pequeno município de Santo Anastácio, em São Paulo. Principalmente quando morava na Vila Assunção, Victor era surpreendido com alguém do mesmo condomínio tocando a campainha, oferecendo um bolo ou uma sobremesa.
-- Tenho um vizinho, um menino que tem pai colorado, que quer cortar o cabelo igual ao meu. Isso é legal, servir de referência além da rivalidade.
Formado em Educação Física, o craque elogia muitas áreas da Zona Sul, como a orla do Guaíba nas proximidades do Clube dos Jangadeiros, onde gosta de apreciar o pôr do sol. Mas também diz que nem tudo está 100%.
-- Percebo a pavimentação das ruas, precária. Acho que tem de falar não só do que tem de bom.
Outro ponto negativo de Porto Alegre? A distância da família e dos amigos. Mas essa Victor tira de letra: com telefone, internet e uma hora de voo.

