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Posts de fevereiro 2013

Padre Cacique terá faixa de trânsito isolada para lazer aos domingos e feriados

28 de fevereiro de 2013 0

A partir deste domingo, dia 3, a Avenida Padre Cacique ganhará uma faixa de trânsito isolada para lazer entre a Avenida Diário de Notícias e o Museu Iberê Camargo, entre as 8h e as 18h.
A medida vai vigorar até que seja implantada a ciclovia da Padre Cacique, em todos os domingos e feriados. O objetivo é ampliar o espaço destinado ao lazer na orla, um dos principais pontos turísticos da cidade. O trecho tem um quilômetro e interliga as ciclovias da Edvaldo Pereira Paiva (em obras) e Diário de Notícias (concluída).
O espaço será separado por cones e contará com monitoramento de agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).

Loja da Croasonho abre no BarraShoppingSul nesta sexta-feira

27 de fevereiro de 2013 0

A primeira loja da Croasonho em um shopping de Porto Alegre será na Zona Sul. A unidade na praça de alimentação doBarraShoppingSul (Avenida Diário de Notícias, 300, Cristal) abre ao público nesta sexta-feira, a partir das 11h.

A marca nasceu em 1997, em Porto Alegre, e se espalhou para outras cidades, inclusive fora do Rio Grande do Sul. Com unidades no Sul e no Sudeste, a Croasonho chega a Zona Sul pela iniciativa de Adriana Ferreira Niedzielski.

— A Croasonho é uma proposta diferente e bem atraente, uma opção de otimizar rendimentos, em um shopping diferenciado, que está na região que mais cresce da cidade — avalia.

Além das 50 variedades doces e salgadas do croasonho, os clientes poderão escolher entre as opções de pratos executivos, acompanhados de carne, arroz ou massa e salada, do meio-dia às 16h.

A operação do BarraShoppingSul é a 42ª da rede no Brasil. Este ano, a Croasonho deve ultrapassar a marca de 70 unidades, com inaugurações em São Paulo, Minas Gerais, Goiás, entre outros Estados. Para 2014, a meta é chegar a cem lojas em todo o país.

Na fotografia e na paisagem, um hobby

21 de fevereiro de 2013 2

Morador da Zona Sul há mais de três décadas — sendo uma delas na Tristeza —, o fotógrafo Eloí Santos de Farias transforma a paisagem local e as lentes da sua câmera em momentos de lazer. O cenário preferido, como o de muitos outros cidadãos da região, é o Guaíba. Nesta página, confira abaixo registros feitos por Farias.

Verões de outros carnavais

15 de fevereiro de 2013 1


Reprodução

A paisagem da Prainha da Conceição


O bairro Tristeza foi o primeiro a atrair veranistas para as temporadas de verão e férias. O local, à margem esquerda do Guaíba, viveu, a partir do final do século 19, um desenvolvimento econômico motivado pela procura de um grande número de famílias, muitas delas de imigrantes alemães e italianos, pertencentes a uma elite porto-alegrense.

Esses grupos buscavam o descanso e o lazer à beira do Guaíba e, para isso, mantinham chácaras e mansões para uso nos períodos de férias e fins de semana. As denominadas vilas balneárias, entre elas, Assunção, Conceição e Pedra Redonda — que integravam o bairro Tristeza —, também foram muito procuradas nesse período. Entre as praias do Guaíba, eram as mais próximas do Centro.

É importante que se diga que o povoamento da região é bem anterior ao veraneio, remonta ao período da sesmaria de Dionísio Rodrigues Mendes, cuja sede da estância, a fazenda São Gonçalo, localizava-se em Belém Velho. As terras desse sesmeiro se estendiam desde o Arroio Cavalhada (Cristal) até o Salso (Ponta Grossa).

Essas terras, com o passar do tempo e o acelerado processo de urbanização, recortaram-se nos atuais bairros da Vila Nova, Serraria, Guarujá. Ipanema, Pedra Redonda, Vila Conceição, Tristeza, entre outros. De 1735 a 1826, toda a região pertenceu a Dionísio e seus descendentes.

Ainda no século 19, quando Porto Alegre foi loteada e urbanizada, as terras praieiras da Zona Sul estavam ocupadas por um dos filhos de Dionísio, André Bernardes Rangel, que morava onde hoje se situa Ipanema. Tempos mais tarde, a filha de André se casou com José da Silva Guimarães, também conhecido por Juca Tristeza.

Após o casamento, Guimarães recebeu, por herança, as terras onde hoje estão os bairros Tristeza, Assunção e Conceição, abrangendo assim uma vasta área à beira do Guaíba. Foi na atual Vila Conceição que Tristeza construiu a sede de sua estância. O local tinha também dois ranchos para habitação, casa de escravos, olarias e uma charqueada.

Palotinos, imigrantes e os donos das terras

Com a morte de José da Silva Guimarães, a fazenda ficou conhecida como A Chácara do Finado Tristeza, e as terras passaram para Manoel José Sanhudo, cunhado de Tristeza. Em 1876, a fazenda foi comprada por Guilherme Ferreira de Abreu Filho. Eram terras que iam desde o Guaíba até a Cavalhada. Em 1895, o local foi transformado na residência dos padres palotinos, que vieram para dar atendimento aos imigrantes italianos — os primeiros colonos agricultores da Tristeza.

Os padres compraram a chácara e fixaram ali residência e capela. Tempos mais tarde, em 1923, os palotinos venderam as terras para Antônio Monteiro Martinez, e foi ele que, em 1930, em homenagem a sua mulher, Zulmira Martins Martinez, devota de Nossa Senhora da Conceição, idealizou e criou o novo loteamento, nomeando-o Vila Conceição.

Leia no ZH Zona Sul desta sexta-feira

15 de fevereiro de 2013 0

- Capa e página 5 trazem uma pesquisa feita pela historiadora e blogueira Janete da Rocha Machado sobre primórdios dos bairros da região e veraneios à beira do Guaíba

- Que cuidados tomar para prevenir a dengue

- O perfil da artista plástica Clara Figueira, moradora do Cristal

Um bate papo com Helga Landgraf Piccolo, historiadora e moradora da Vila Conceição

14 de fevereiro de 2013 3



Foto: Tadeu Vilani, BD

Helga Landgraf Piccolo, primeira doutora em História no Estado e moradora da Vila Conceição | Foto: Tadeu Vilani, BD




Texto enviado pela blogueira ZH Zona Sul Janete da Rocha Machado


Blogueira do ZH Zona Sul e dedicada a recuperar a história da região, a historiadora Janete da Rocha Machado entrevistou a professora Helga Landgraf Piccolo, primeira doutora em História no Estado e moradora da Vila Conceição. Helga nasceu em Porto Alegre em 1932, formou-se em História e Geografia pela UFRGS e concluiu o doutorado em História Social pela USP em 1972. Possui uma produção bibliográfica de mais de 130 obras e é pesquisadora emérita do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPQ). Nesta conversa, as moradoras trocam figurinhas sobre os primórdios da Zona Sul. Confira a integra.


Janete da Rocha Machado — Professora Helga, entrando um pouquinho na história do seu bairro, a Vila Conceição, qual é a origem da maior parte das famílias da Tristeza? São italianos?

Helga Landgraf Piccolo — É. Mas isso foi por um curto espaço de tempo, pois quando eu vim para cá, em 1945, eu diria que de cem famílias, 90 eram alemãs.


Janete — Aqui na Vila Conceição?

Helga — Aqui na Conceição. Porque os italianos, na realidade, instalaram-se do outro lado da Avenida Wenceslau Escobar. Era uma coisa interessante: os alemães do lado de cá, do lado do Guaíba, e os italianos do lado de lá, principalmente porque eles eram agricultores.


Janete — Minha pesquisa abrange também a Pedra Redonda e Ipanema, porque falo sobre o veraneio no Guaíba na primeira metade do século 20. E lá, na Pedra Redonda, a maior parte das famílias é de origem alemã, como os Dreher, os Bier, os Becker, os Meyer, entre outros.

Helga — Os Dreher, todos nós conhecemos. Ali na Pedra Redonda são muitos. É alemão pra mais de metro.


Janete — A senhora veio da Alemanha?

Helga — Não, eu sou brasileira. O meu pai e a minha mãe eram alemães e vieram para o Brasil em 1923. Primeiro, ficaram em um chalé ali perto do Hospital Moinhos de Vento. Depois, ele construiu um chalé no Menino Deus, perto do campo do Internacional. Depois disso, meu pai construiu essa casa grande aqui ao lado que eu dei para o meu filho. Do Menino Deus, eu vim para cá. Meu pai comprou um terreno enorme aqui. Para minha filha, comprei de outro alemão, ali na Rua Apolinário Porto Alegre. Quer dizer, eu moro mais tempo aqui, porque eu vim em 1945, morar com meus pais. Em 1955, eu casei e vim residir nessa propriedade.


Janete — Eram casas de veraneio ou já eram de moradia?

Helga — Eram de veraneio e de moradia. Não havia ruas à beira do Guaíba. Por isso, a região não era local de veraneio como Ipanema e Pedra Redonda. Mas, lá embaixo, perto do rio eram mais de veraneio. Lá tem a famosa Prainha da Conceição. Nós tomávamos banho nessa prainha. Principalmente porque aqui havia muita falta de água, e nós descíamos a rua e íamos de toalha e sabonete, todos juntos tomar banho na praia. A água do Guaíba era limpa. A Prainha era também lugar de namoro. A turma namorava lá à noite. Ela é conhecida também por isso. Tempo bom aquele!


Janete — Fiz uma pesquisa sobre os primórdios da Vila Conceição e surgiu o nome de Guilherme Ferreira de Abreu. Depois dele é que vieram os padres palotinos, que eram italianos. Eles vieram para dar aquele primeiro atendimento aos imigrantes italianos da Tristeza. Por isso, a ideia de que a população do bairro era originalmente de italianos. Mas aí a senhora me traz um dado novo: de que os alemães estão em massa aqui na região.

Helga — É, os alemães estão em massa aqui.


Janete — Tempos depois, os padres palotinos venderam a chácara para Antônio Monteiro Martinez, confere?

Helga — O meu pai comprou as terras dele. Ele vendeu para todo mundo aqui. Ele loteou as terras em 1930. O meu marido tem a planta da Vila Conceição com o loteamento. O senhor. Martinez era um português, e a mulher dele era muito devota de Nossa Senhora da Conceição, por isso o nome do loteamento de Vila Conceição. Depois dele, veio o filho, o Mário. E o neto, o João Antônio, era o nosso amigo. A propriedade em que residiu a família dos Martinez fica na Avenida Nossa Senhora Aparecida, mas já não é mais da família. Outra coisa interessante é que a família dos Winge, mesmo sendo de alemães, porém colonos, ficou do outro lado. Essa família trouxe as técnicas da floricultura da Alemanha e, hoje, o empreendimento é administrado pelos netos. O Winge comprou terras para mais de metro, como a gente costuma dizer.


Janete — Assim como o Wenceslau e o Otto, né?

Helga — É. Eram terrenos que pertenciam à Santa Casa de Misericórdia. Hoje em dia tem muitos moradores novos. Antigamente, todo mundo se conhecia. Nós tínhamos uma associação dos moradores da Vila Conceição. Jogava-se vôlei — tem até a cancha. O trenzinho descia por aqui e chegava até onde é hoje a Sociedade de Engenharia.


Janete — Quando a senhora veio morar aqui, em 1945, costumava receber os amigos para usar o Guaíba como recreação?

Helga — Em 1955, eu já tinha me formado na universidade. Volta e meia eu convidava a turma para vir aqui. Além disso, meu marido, a turma daqui e eu também íamos ao Guaíba. Iam até com os cachorros para dentro d’água. A Prainha era uma joinha. Infelizmente, devido à poluição, não está mais sendo usada pra banho como praia.


Janete — Quase toda a orla do Guaíba deixou de ser usada em 1970 com a poluição.

Helga — É, mas Ipanema continuou. É impressionante a gente ver Ipanema com banhistas ainda hoje. Eu não posso te dizer quando foi que deixamos de usar o rio. Porque a nossa família toda é de iatistas. Então tu achas que quando a turma ia para o rio não pulavam dentro da água? Até eu velejei. Eu me lembro que a última vez que corri uma regata eu estava grávida. O que aconteceu é que a beira da praia foi o local que as pessoas deixaram de usar. Quando vim morar aqui, tinha só 13 anos. Até essa idade, eu tomava banho ali no Menino Deus. Sei lá se era limpa. Mas o fato é que eu tomei muito banho nessa prainha — a Prainha da Conceição.


Janete — A senhora tem fotos do veraneio na Conceição?

Helga — Eu tenho álbuns do veraneio aqui na prainha. Tem até foto do João Antônio Martinez que era da turma do meu marido. A questão é que em um determinado momento a burguesia urbana Porto-alegrense, onde avultavam os alemães, vai querer um lugar de veraneio e descanso. De lazer. O mar (Torres) era muito longe. A Tristeza e a Pedra Redonda tinham até hotéis, que eram de propriedade dos alemães. Eram todos empresários de origem alemã: donos de hotéis, restaurantes, armazéns. E até de transporte coletivo.