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Os carnavais que faziam a alegria da Tristeza

06 de março de 2014 0

Por Janete da Rocha Machado

A partir das primeiras décadas do século passado, a Tristeza viveu uma fase áurea ocasionada pelo movimento de veranistas que vinham em busca de lazer nas praias da região. A Zona Sul despertou também para novas formas de recreação e de cultura trazidas pelos turistas, entre eles alemães e italianos. Os imigrantes se divertiam com os saraus, piqueniques, jogos diversos e os famosos bailes de Carnaval.

Carnavalescos na década de 1930 no clube

Carnavalescos na década de 1930 no clube

Neste período, a Tristeza era frequentada também por intelectuais. Muitos deles participavam ativamente da vida boêmia do bairro. O doutor Mário Totta gostava muito de veranear na região, e, nos períodos de férias, organizava todas as festividades do balneário. Além, é claro, de atender aos doentes sempre que chegava. Tinha uma casa de veraneio na rua que hoje leva o seu nome. E esse envolvimento com o lugar fez surgir a ideia de uma sociedade recreativa e cultural, a qual recebeu o nome de Clube Veranista Jocotó. Inicialmente, a sede do clube ficava em uma casa de veraneio.

Rainha do Carnaval em 1920

Rainha do Carnaval em 1920

Tempos depois, mudou-se para as dependências do antigo Cinema Gioconda. O espaço era maior e mais confortável para as atrações que ocorreriam ao longo dos anos 1920 e 1930. Foi no Cine Gioconda que os porto-alegrenses se acostumaram a assistir a shows musicais e a participar de conferências culturais. Porém, o que mais os atraía era o Carnaval, período em que havia os movimentados bailes realizados na sede do clube. O trem chegava lotado, deixando o Gioconda repleto de alegres foliões, bandas de música e artistas. Nos três dias de entrudo, era prática o uso de lança-perfume, serpentinas e banhos de grupos fantasiados no Guaíba. Pelas ruas do bairro,desfilavam os carros alegóricos e animados blocos, destaque para os pierrôs, as colombinas e a rainha do Carnaval. Assim, os dias de folia e de brincadeiras acabava somente na quarta-feira de cinzas.

Foliões em 1925

Foliões em 1925

O surgimento do Jocotó, em 1918, coincidiu com o momento vivido pela população porto-alegrense que procurava nos arrabaldes mais distantes, descanso às margens do Guaíba. A Tristeza era muito atraente e movimentada, pois, além das facilidades de locomoção com o”trenzinho”, o local oferecia belas praias, natureza preservada e ares aprazíveis. O lugar era bonito, cheio de finas vivendas e bangalôs de verão.

Foi na gestão de 1934, quando Mario Totta ainda era diretor do clube que se encerraram as atividades culturais do Jocotó, bem como dos divertidos bailes de Carnaval. Cabe salientar que foi durante as administrações dele que o clube viveu seus anos de maior esplendor, cujo destaque se deu pelo caráter cultural da instituição. Conforme o poeta Olyntho Sanmartin “a Tristeza propiciava aos moradores ocasionais um repouso de plena quietude que só ao fim do dia despertava para o buliço da vida social despreocupada”.

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