Confira o texto enviado pelo Blogueiro ZH Zona Sul Jefferson Azevedo Terra:
Foi aqui na zona sul de Porto Alegre que a minha pequena filha Caroline, de 15 meses, falou sua primeira palavra. Ela já tentava falar babá, dadá e auau. Mas, naquele dia, falou algo concreto. Algo profundo mesmo. Algo com início, meio e fim.
Estávamos passando pelo calçadão de Ipanema e reparei que os dois pequenos olhos da Carol brilhavam ao observar a paisagem pela janela do carro. Paramos em um supermercado, ela entrou no carrinho e falamos mais ou menos assim:
— Caroline, tu vais ficar aqui. Ficar aqui.
Ela ouviu, pensou, processou a informação e disse sua primeira palavrinha concreta.
Falou a palavra "aqui".
E não foi um aqui qualquer. O aqui dela foi suave, açucarado, envergonhado, infantil e angelical.
Achei o máximo!
Senti que aquele "aqui" fazia referência ao lugar. Era como se ela tivesse dito "gostei daqui", "quero ficar aqui".
Agora vejo que aqui é uma das palavras mais completas da nossa língua.
Se você estiver na Avenida Guaíba, e alguém lhe perguntar onde fica a Avenida Guaíba? Nesse caso você infla o peito e responde:
- Aqui.
E se você estiver na Avenida Beira Rio e alguém lhe perguntar onde fica a Avenida Edvaldo Pereira Paiva? Você responde prontamente:
-Aqui.
Aqui é muito útil.
Aqui serve para quase tudo.
Alguns bobões chatos dizem que aqui não é uma das palavras mais difíceis da nossa língua. Mas qual o problema? Eu ficaria igualmente impressionado se ela tivesse dito algo como: "a Zona Sul é tudo de bom" ou "três pratos de trigo para três tigres". Mas nem precisava tanto. O aqui dela já resumiu tudo. Por isso, nossa pequena é econômica nas palavras. Fala somente "aqui" e pronto.
Então, agora é assim: se um dia você passar pela nossa pequena Carol em Ipanema, na Avenida Beira Rio ou em qualquer lugar da Zona Sul, ela pode lhe olhar nos olhos, respirar fundo e falar "aqui".




