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Posts com a tag "História"

Verões de outros carnavais

15 de fevereiro de 2013 1


Reprodução

A paisagem da Prainha da Conceição


O bairro Tristeza foi o primeiro a atrair veranistas para as temporadas de verão e férias. O local, à margem esquerda do Guaíba, viveu, a partir do final do século 19, um desenvolvimento econômico motivado pela procura de um grande número de famílias, muitas delas de imigrantes alemães e italianos, pertencentes a uma elite porto-alegrense.

Esses grupos buscavam o descanso e o lazer à beira do Guaíba e, para isso, mantinham chácaras e mansões para uso nos períodos de férias e fins de semana. As denominadas vilas balneárias, entre elas, Assunção, Conceição e Pedra Redonda — que integravam o bairro Tristeza —, também foram muito procuradas nesse período. Entre as praias do Guaíba, eram as mais próximas do Centro.

É importante que se diga que o povoamento da região é bem anterior ao veraneio, remonta ao período da sesmaria de Dionísio Rodrigues Mendes, cuja sede da estância, a fazenda São Gonçalo, localizava-se em Belém Velho. As terras desse sesmeiro se estendiam desde o Arroio Cavalhada (Cristal) até o Salso (Ponta Grossa).

Essas terras, com o passar do tempo e o acelerado processo de urbanização, recortaram-se nos atuais bairros da Vila Nova, Serraria, Guarujá. Ipanema, Pedra Redonda, Vila Conceição, Tristeza, entre outros. De 1735 a 1826, toda a região pertenceu a Dionísio e seus descendentes.

Ainda no século 19, quando Porto Alegre foi loteada e urbanizada, as terras praieiras da Zona Sul estavam ocupadas por um dos filhos de Dionísio, André Bernardes Rangel, que morava onde hoje se situa Ipanema. Tempos mais tarde, a filha de André se casou com José da Silva Guimarães, também conhecido por Juca Tristeza.

Após o casamento, Guimarães recebeu, por herança, as terras onde hoje estão os bairros Tristeza, Assunção e Conceição, abrangendo assim uma vasta área à beira do Guaíba. Foi na atual Vila Conceição que Tristeza construiu a sede de sua estância. O local tinha também dois ranchos para habitação, casa de escravos, olarias e uma charqueada.

Palotinos, imigrantes e os donos das terras

Com a morte de José da Silva Guimarães, a fazenda ficou conhecida como A Chácara do Finado Tristeza, e as terras passaram para Manoel José Sanhudo, cunhado de Tristeza. Em 1876, a fazenda foi comprada por Guilherme Ferreira de Abreu Filho. Eram terras que iam desde o Guaíba até a Cavalhada. Em 1895, o local foi transformado na residência dos padres palotinos, que vieram para dar atendimento aos imigrantes italianos — os primeiros colonos agricultores da Tristeza.

Os padres compraram a chácara e fixaram ali residência e capela. Tempos mais tarde, em 1923, os palotinos venderam as terras para Antônio Monteiro Martinez, e foi ele que, em 1930, em homenagem a sua mulher, Zulmira Martins Martinez, devota de Nossa Senhora da Conceição, idealizou e criou o novo loteamento, nomeando-o Vila Conceição.

Colonos alemães na Zona Sul de Porto Alegre: os jardins da Dona Isabel

26 de outubro de 2012 2

Janete da Rocha Machado, historiadora e blogueira ZH Zona Sul


No início do século passado, as terras onde hoje se encontra o bairro Jardim Isabel, zona sul de Porto Alegre, pertenciam a Bernardo Dreher e sua família. O local abrigava, além da exuberante mata atlântica, uma próspera chácara, responsável pelo abastecimento de produtos hortigranjeiros à população local.

A história desse colonizador remonta ao século 19, quando seu avô, Johann Karl Dreher, imigrante alemão recém-chegado da Europa, dá início a uma série de empreendimentos de sucesso no Rio Grande do Sul. Entre esses negócios, estava o da exploração de pedras semipreciosas, cuja técnica foi trazida da cidade de Idar, na Alemanha. A região localizada no distrito de Birkenfeld, Estado da Renânia, era um centro de lapidação de pedras, e o nome Dreher, que significa torneiro, provavelmente, deriva da profissão.

A família Dreher, pioneira também no ramo de importação e exportação de produtos alimentícios, foi igualmente precursora na navegação fluvial, cujas embarcações faziam, regularmente, as linhas Porto Alegre-Palmares e Porto Alegre-Tapes. Ficaram conhecidos os vapores Montenegro, Camaquã, Gustavo e Palmares, todos pertencentes à Navegação Dreher & Cia.

Os Dreher tinham ainda um grande armazém de secos e molhados no centro de Porto Alegre. O estabelecimento tinha trapiche próprio na beira do Guaíba para atracamento dos navios e mercadorias. No armazém, eram guardados e comercializados grandes estoques de produtos estrangeiros como vinhos, sardinhas, bacalhau, azeite de oliva e azeitonas, originários de Portugal, país com que mantinham boas relações comerciais. Assim, o empreendedorismo do primeiro Dreher se perpetuou nas gerações seguintes por meio de Edmundo e de seu filho Bernardo.

Bernardo Dreher nasceu em 6 de abril de 1887, em São Leopoldo, e morreu em Porto Alegre, em 11 de janeiro de 1952. Concluiu seus estudos no Colégio Nossa Senhora da Conceição, escola dos Padres Jesuítas de São Leopoldo. Recém-formado, empregou-se na firma do pai, Edmundo Dreher & Cia Importadores e Exportadores. Em 1914, casou-se com a jovem Martha Elisabeth Bercht, filha de Jorge Bercht, membro do grupo de comerciantes conceituados da Capital que, na época, possuía uma chácara de veraneio à beira do Guaíba, na Tristeza. Talvez tenha sido esse o motivo que levou Bernardo a comprar uma grande quantidade de terras na Zona Sul, onde é hoje o bairro Jardim Isabel.

Conforme carta deixada por Martha Dreher em 1970: “Como aconteceu com muitos porto-alegrenses que não resistiram aos atrativos da hoje denominada Zona Sul, adquirindo pequenos sítios ou chácaras nos arredores da Tristeza e Pedra Redonda, também nós, meu marido e eu, acabamos comprando uma área de terras de regular tamanho, situada defronte à Chácara Meyer, pertencente aos descendentes da Família de Oscar Bastian Meyer. Nesta chácara existe uma colina revestida de espesso mato, refúgio de muitos pássaros, onde se ergue a Casa da Juventude e donde se descortina bonita vista sobre o Guaíba. O lugar é conhecido por ‘Morro do Sabiá’, designação que deu nome à região”. Durante muitos anos, a chácara dos Meyer foi a única vizinhança de Bernardo e Martha naquela longínqua e inóspita região de Porto Alegre.


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Em princípios de 1920, Bernardo Dreher adquiriu cerca de 40 hectares de terras em uma região conhecida como Pedra Redonda, na zona sul de Porto Alegre. Conforme relata Martha Dreher, mulher de Bernardo, falecida em 1977: “A área de terras por nós adquirida no longínquo ano de 1923, pela quantia de 50 contos de réis, pertencia ao capitalista Otto Niemeyer, que também morava na Tristeza, era amigo da zona, onde possuía muitas propriedades. Naquela época, ainda não existiam os balneários de Ipanema, Espírito Santo e Guarujá, cujas terras eram propriedade particular, e suas praias, inacessíveis ao público”.

As terras compradas por Bernardo faziam limites com a chácara de Oscar e Clotilde Bastian Meyer, no Morro do Sabiá, e com a fazenda de João Batista de Magalhães, o Juca Batista, atual bairro Ipanema. Eram terras fronteiriças ao Morro do Osso e pertencentes a Otto Niemayer. Conforme Martha: “Em 1923, a região era escassamente povoada, só existindo uma casa comercial, a venda do Juca Batista, na curva da Estrada da Cavalhada, e, na vizinhança da nossa chácara, alguns casebres modestos pertencentes a gente humilde”. Naqueles tempos, não havia ainda a Coronel Marcos, avenida que, atualmente, liga o centro da cidade com os bairros mais distantes da Zona Sul. Os caminhos eram de chão batido, o que dificultava o deslocamento. Assim, o transporte pelo Guaíba foi bastante utilizado.

Após a compra das terras, Bernardo Dreher construiu a moradia da família — um lindo palacete, mais conhecido por Castelinho, que ainda está no mesmo local onde foi construído, em 1923. Para a obra, foram trazidos ladrilhos, vitrais e azulejos de terras distantes. O casarão adquiriu fama, anos mais tarde, pelos encontros de negócios que ali ocorriam. Dona Martha relembra esses momentos: “Como meu marido, através de seus negócios, era muito bem relacionado, nossa chácara vivia cheia de gente. Entre os visitantes ilustres, lembro o Dr. Getúlio Vargas e a Da. Darcy, o Dr. João Neves da Fontoura, Daniel Krieger, Osvaldo Vergara, entre outros”.

Com o passar do tempo, as áreas da chácara foram sendo tomadas por estábulos, chiqueiros, galinheiros, hortas, orquidários, pomares e pelos bonitos jardins da dona Isabel, como era conhecida na região a mulher do seu Bernardo.”Tínhamos criação de ovelhas, porcos, coelhos, aves. No pátio, ao redor da casa, havia araras, macacos, tamanduás — um verdadeiro jardim zoológico. Certa vez, depois da enchente de 1941, até um jacaré apareceu no açude. Nos matos da chácara, viviam muitos animais selvagens, como guaraxains, tatus, porco-espinho, ratões do banhado, preás, além de cobras e lagartos. Nos campos, havia bandos de quero-queros e até perdizes apareciam de vez em quando”, conclui Martha.

Era um grande arranchamento em terras, as quais costeavam o Morro do Osso, local de fauna e flora ricas e diversificadas. Daí, a existência de muitos animais e plantas na chácara dos Dreher. A beleza do Morro do Osso perpetuou-se até nossos dias, porém, a chácara de Bernardo e Martha não teve igual destino — foi vendida e, imediatamente loteada, na década de 1950.


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Contavam os antigos moradores do lugar que, nas terras pertencentes a Bernardo Dreher e família, hoje o bairro Jardim Isabel, ocorriam fenômenos sobrenaturais. Na divisa leste da chácara, à beira da Estrada Conselheiro Xavier da Costa, limite com o bairro Ipanema, existia (e ainda existe) uma centenária figueira, local de lendas e superstições. Entre as histórias contadas pelos mais velhos, figuram as de assombrações e de tesouros, como as descritas em carta por dona Martha Elisabeth Dreher, mulher de Bernardo, mais conhecida por dona Isabel: “Diziam os moradores da zona que, às vezes, apareciam luzes debaixo da árvore e, por acreditarem que o lugar era assombrado, ninguém se atrevia a passar ali à noite. Também corria o boato de que um tesouro enterrado havia ali e, de fato, notavam-se sinais de escavação próximos das raízes da figueira”. Isso atraiu os moradores da região que vinham em busca dos tais tesouros.

Além das atividades da chácara, Bernardo Dreher envolveu-se com outros negócios. É dele a primeira usina de açúcar do Estado, a Usina Santa Martha Ltda. O empreendimento, localizado no município de Osório, foi inaugurado em 1929 por Getúlio Vargas, na época presidente do Estado. Alguns anos depois, visando à ampliação dos negócios, reatou as relações comerciais com a firma de navegação de seu pai, Navegação Dreher, pois era preciso agilizar o escoamento da produção de açúcar, ou seja, transportar a mercadoria entre Porto Alegre e a região do Litoral Norte. Bernardo também era dono de um importante engenho de arroz em Tapes, cuja capacidade de produção era de 500 sacos diários. Em 1940, Bernardo abandonou essas atividades para se dedicar, com sua mulher, às lidas da chácara. Cultivava e comercializava uma infinidade de produtos extraídos de sua horta e seu pomar. “Em matéria de verduras e frutas, as hortas e pomares organizados por meu marido primavam pela qualidade de seus produtos. Tinham praticamente de tudo e, especialmente, as frutas — maçãs, pêssegos, ameixas, marmelos, mangas, caquis etc. Eram famosos pelo tamanho e pela qualidade, tanto que, na época de colheita, sempre aparecia muita gente de Porto Alegre para comprá-las. O que não era vendido eu aproveitava para fazer geleias, marmeladas, goiabadas e sucos”, informa Martha. O restante dos produtos oriundos da chácara, Bernardo transportava até o Mercado Público e comercializava no centro da cidade.

No auge do veraneio da Pedra Redonda e com o advento da Estrada de Ferro do Riacho, cresce a procura por terrenos na região. É desta época a construção das primeiras vivendas de veraneio — as imponentes e admiradas mansões com praia particular. Surgem, também, os bairros Ipanema, Espírito Santo, Guarujá e, com eles, proliferam os loteamentos, resultado da divisão das terras de antigos chacareiros, como Bernardo Dreher.

Na década de 1950, a região dos Jardins da Dona Isabel não escapou do crescimento e da urbanização imposta à zona sul da cidade. A chácara, outrora símbolo de opulência, transformou-se no loteamento Jardim Vila Isabel. “Por não se enquadrar na zona da produção hortigranjeira, nossa chácara, devido à valorização das terras e elevação dos tributos, teve de ser urbanizada, constituindo o loteamento Jardim Vila Isabel, onde os antigos campos, matos, hortas e pomares cederam lugar a bonitas vilas e aprazíveis jardins. Esta mudança, de certo modo, me causa tristeza, mas, ao mesmo tempo, fico contente quando me conscientizo de que muitos ex-moradores de apartamentos encontraram ali a paisagem, o espaço, o ar puro, o sol e a tranquilidade que todos nós hoje tanto almejamos”, finaliza Martha.

Pelo projeto de lei nº 10724, de 9 de julho de 2009, o loteamento Jardim Vila Isabel se transformou no bairro Jardim Isabel. Resultado do empenho dos moradores e da Associação Comunitária Jardim Isabel e Ipanema (Ascomjip), criou-se o bairro, cujo nome foi escolhido como uma forma de homenagear aquela que foi a primeira colonizadora dessas terras: Martha Elisabeth ou simplesmente Dona Isabel.

O decano de Ipanema

26 de abril de 2012 4

O texto abaixo foi enviado pelo blogueiro ZH Zona Sul Luiz Pedro Borgmann:

Encontro o senhor Henrique Sommer Ilha, 82 anos, em sua residência, na Rua Cassino, no bairro Ipanema. Sorriso fácil, me conta todos os detalhes do bairro em que mora quase toda a sua vida. Os personagens do cotidiano, os mais novos, os mais velhos, e também a expectativa da despoluição do Guaíba, prevista para 2014. Ele pergunta:
- Será que vai despoluir mesmo?
Algumas pessoas  mencionadas por ele eu conheci, outras não. Somos contemporâneos, mas, com certeza, ele é um dos mais antigos moradores do bairro. Relatou alguns fatos pitorescos, também escritos por ele próprio em dezembro do ano passado na revista O Minuano, do clube Veleiros do Sul.



Henrique Sommer Ilha, 82 anos | Foto: Arquivo pessoal


“Em 1937, passamos a residir no recém-lançado balneário de Ipanema. Nossa família era de quatro pessoas: meu pai, Paulo, minha mãe, Norma, meu irmão, João, com cinco anos, e eu, Henrique, com sete anos. Imediatamente começamos a aproveitar a praia e os banhos no Guaíba, que contava com águas límpidas e dunas de areia. Nosso pai construiu um barco minúsculo que tinha esqueleto de madeira e revestimento de lona pintada. Foi batizado com o nome de Kanguru. Era muito difícil navegar com ele, pois era muito instável.
Em 1941, aconteceu a grande enchente de Porto Alegre. Andávamos com água pela cintura na Avenida Guaíba e chegávamos de barco até a esquina da Rua Cassino com a Cidreira, imediações de onde hoje se situa a Galeteria Jordani. Quando as águas baixaram, a praia ficou repleta de galhos, animais mortos e também um caíque e uma baleeira, semienterrados na areia. Meu pai comprou o barco e levou-o para casa, sendo pintado e calafetado. Recebeu o nome de Cachorro, isso já em 1942. A baleeira foi reformada e transformada em um robusto veleiro, recebendo o nome de batismo de SOS. O posto policial de Ipanema era encarregado da custódia desse barco, mas como morávamos na mesma rua do posto, fomos encarregados de zelar pelo barco, com o qual navegamos e exploramos também a costa oeste do Guaíba.
Em junho de 1944, no final da II Guerra Mundial, ouvimos um avião passar muito baixo sobre o nosso telhado, e, a seguir, um estrondo vindo do Guaíba. Ao chegar à praia, vislumbramos a cauda do avião, de duplo leme, aparecendo próximo ao morro do Sabiá. Não houve sobreviventes no Lockheed PP-VAG Electra, batizado de Varig Santa Cruz. Morreram a tripulação e oito passageiros.”

O senhor Henrique continua morando em Ipanema, com a mulher, na mesma rua, no mesmo lugar. De boa memória, histórias como essas ele tem muitas mais para contar, mas aí seria necessário um espaço muito maior.


 



O veleiro "SOS" com familiares e vizinhos em Ipanema | Foto: Arquivo pessoal



A história do Asilo Padre Cacique

09 de dezembro de 2011 1

Construção imponente que chama a atenção de quem passa por um dos principais caminhos à Zona Sul, o Asilo Padre Cacique foi o tema principal da edição de hoje do ZH Zona Sul.

Na capa mostramos a bela ação dos alunos do Projeto Pescar, unidade Procergs, localizada na Tristeza. Eles proporcionaram uma tarde animada aos idosos residentes do Asilo Padre Cacique. Vestidos de zumbis 18 jovens apresentaram o sucesso Thriller, de Michael Jackson. A coreografia animou os idosos mais destemidos que interromperam o lanche da tarde para dançar ao lado dos estudantes.

Na página 4, a historiadora e blogueira do ZH Zona Sul, Janete da Rocha Machado, nos presenteou com texto e foto sobre a história do Asilo Padre Cacique. Com imagens antigas da Fototeca Sioma Breitman do Museu Joaquim José Felizardo, Janete relembra o começo das construções localizada na avenida. Confira abaixo o texto e outras fotos históricas da entidade (clique nas imagens para ampliar):


Um tesouro na região

11 de novembro de 2011 3

Na edição do ZH Zona Sul desta sexta-feira contamos na capa a história de uma âncora retirada do barco Maruí, econtrado no Guaíba há quase 50 anos. Soubemos da presença desta peça histórica no jardim da casa localizada na Avenida Guaíba, 684, por meio da nossa blogueira Janete da Rocha Machado. Confira abaixo a matéria:

Herança farroupilha retirada do Guaíba

Âncora do barco Maruí passou por museu e ferro velho antes de ser instalada em casa da Zona Sul

Há 23 anos, em 21 de setembro de 1988, Zero Hora noticiava a descoberta de uma âncora de um barco farroupilha no pátio de uma residência da Avenida Guaíba, 684. O tempo passou, mas não foi suficiente para alterar o rumo do objeto histórico. Com mais de mil quilos, a peça continua intacta no jardim da casa que hoje pertence ao arquiteto francês Robert Levy (ao lado).

– Faz mais ou menos oito anos que comprei a casa, e ela veio junto. Na época, o proprietário me mostrou a matéria do jornal e quis me vender também a âncora, mas eu disse que ele podia levá-la – conta Levy, 83 anos.

O prazo de um ano proposto pelo antigo dono para a retirada do pesado equipamento passou, e a peça segue ornamentando a antiga residência.

– Acho que enriquece a casa, é bonita – comenta Levy.

Desde a infância, a blogueira do ZH Zona Sul que sugeriu esta matéria, Janete da Rocha Machado, 47 anos, admira o valor histórico do artefato.

– Eu descia a Rua Gávea, nos anos 70, e adorava aquela casa. De tanto olhar para o jardim, vi a âncora meio escondida – relembra a historiadora.

Coincidência ou destino, Levy projetou há muitos anos a casa da família da blogueira, quando ele ainda morava no Cristal. Mais tarde, Janete o contratou para fazer o desenho da própria residência e, só mais recentemente, foi reencontrá-lo.

– Nesse tempo ele mudou-se para Ipanema e foi ser proprietário daquela que foi, no passado, a casa dos meus sonhos – relata Janete.

Âncora permanece enfeitando o jardim da casa na esquina da Guaíba com a Gávea

História contada em 1988

Na época em que a reportagem foi publicada em Zero Hora, a âncora já estava no endereço da Avenida Guaíba que abrigava, na época, a Clínica Geriátrica São Marcos. Segundo o texto, a peça foi retirada de um barco farroupilha chamado Maruí, encontrado no Guaíba na década de 1960. Outros objetos, como molinete e correntes, também foram retirados da água e doados ao Museu Júlio de Castilhos.

Os equipamentos duraram cerca de um ano no acervo, pois a instituição não tinha verbas para comprar inseticida para uma biblioteca, atacada por traças e cupins. Por isso, vendeu as peças do barco ao ferro velho dos irmãos Mollé. No estabelecimento, a âncora foi comprada por moradores da Rua Tenente Coronel Fabrício Pilar, que a levaram para a residência de Ipanema.

Confira abaixo a matéria publicada há 23 anos em Zero Hora:

(clique na imagem para ampliar)