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Posts com a tag "Ipanema"

O decano de Ipanema

26 de abril de 2012 4

O texto abaixo foi enviado pelo blogueiro ZH Zona Sul Luiz Pedro Borgmann:

Encontro o senhor Henrique Sommer Ilha, 82 anos, em sua residência, na Rua Cassino, no bairro Ipanema. Sorriso fácil, me conta todos os detalhes do bairro em que mora quase toda a sua vida. Os personagens do cotidiano, os mais novos, os mais velhos, e também a expectativa da despoluição do Guaíba, prevista para 2014. Ele pergunta:
- Será que vai despoluir mesmo?
Algumas pessoas  mencionadas por ele eu conheci, outras não. Somos contemporâneos, mas, com certeza, ele é um dos mais antigos moradores do bairro. Relatou alguns fatos pitorescos, também escritos por ele próprio em dezembro do ano passado na revista O Minuano, do clube Veleiros do Sul.



Henrique Sommer Ilha, 82 anos | Foto: Arquivo pessoal


“Em 1937, passamos a residir no recém-lançado balneário de Ipanema. Nossa família era de quatro pessoas: meu pai, Paulo, minha mãe, Norma, meu irmão, João, com cinco anos, e eu, Henrique, com sete anos. Imediatamente começamos a aproveitar a praia e os banhos no Guaíba, que contava com águas límpidas e dunas de areia. Nosso pai construiu um barco minúsculo que tinha esqueleto de madeira e revestimento de lona pintada. Foi batizado com o nome de Kanguru. Era muito difícil navegar com ele, pois era muito instável.
Em 1941, aconteceu a grande enchente de Porto Alegre. Andávamos com água pela cintura na Avenida Guaíba e chegávamos de barco até a esquina da Rua Cassino com a Cidreira, imediações de onde hoje se situa a Galeteria Jordani. Quando as águas baixaram, a praia ficou repleta de galhos, animais mortos e também um caíque e uma baleeira, semienterrados na areia. Meu pai comprou o barco e levou-o para casa, sendo pintado e calafetado. Recebeu o nome de Cachorro, isso já em 1942. A baleeira foi reformada e transformada em um robusto veleiro, recebendo o nome de batismo de SOS. O posto policial de Ipanema era encarregado da custódia desse barco, mas como morávamos na mesma rua do posto, fomos encarregados de zelar pelo barco, com o qual navegamos e exploramos também a costa oeste do Guaíba.
Em junho de 1944, no final da II Guerra Mundial, ouvimos um avião passar muito baixo sobre o nosso telhado, e, a seguir, um estrondo vindo do Guaíba. Ao chegar à praia, vislumbramos a cauda do avião, de duplo leme, aparecendo próximo ao morro do Sabiá. Não houve sobreviventes no Lockheed PP-VAG Electra, batizado de Varig Santa Cruz. Morreram a tripulação e oito passageiros.”

O senhor Henrique continua morando em Ipanema, com a mulher, na mesma rua, no mesmo lugar. De boa memória, histórias como essas ele tem muitas mais para contar, mas aí seria necessário um espaço muito maior.


 



O veleiro "SOS" com familiares e vizinhos em Ipanema | Foto: Arquivo pessoal



O encantador pôr do sol

29 de dezembro de 2011 0

A leitora Ilane Hofmann Gehrs nos presenteou com uma foto, enviada por e-mail, do pôr do sol registrado ontem em Ipanema. “É sempre um prazer sentar para ver o dia ir terminando lentamente em meio à poesia das trocas de cores, dos pássaros se recolhendo, das nuvens brincando até dormir”, escreveu Ilane.

Você também pode participar do ZH Zona Sul enviando sua contribuição para o e-mail zonasul@zerohora.com.br

Saúde e diversão para os moradores

26 de novembro de 2011 0

Neste sábado e domingo a AABB (Avenida Coronel Marcos, 1.000) promove um fim de semana de qualidade. Hoje, a partir das 11h, o clube oferece uma diversificada programação dividida em núcleos: ecologia, cultural, saúde, holístico e infantil, além do tradicional bazar de Natal, com venda de produtos artesanais em 50 estandes.

As atividades são abertas à comunidade. Informações pelo fone 3243-1001.

Clique aqui e confira a programação completa

Atividades do calçadão de Ipanema

19 de novembro de 2011 0

Hoje, das 9h ao meio-dia, a AABB promove mais uma edição do Dia da Qualidade de Vida. O calçadão de Ipanema receberá atividades como: alongamento, clube de corrida, aferição de pressão, orientação nutricional, auriculoterapia e teste de glicose.

O evento é gratuito e indicado para todas as idades. Para realizar esse evento a AABB conta com o apoio da Sporthfarma, Renata Rostirolla, MCM Lonas, Viva Agora, Ritter, Programa Guaíba Vive e Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae).

Imagens do Ipanema em Arte

18 de novembro de 2011 0

Na edição de hoje do ZH Zona Sul os quadros produzidos pelos artistas na Praia de Ipanema ganharam outra forma, a de fotografias. O olhar do fotógrafo Arivaldo Chaves propiciou imagens tão fiéis quanto as pintadas pelos artistas. Mas nem todos desenhos puderam ser reproduzidos, por isso, mostramos abaixo o resultado do trabalho e o depoimento de outros quatro artistas. Eles conseguiram como ninguém traduzir a beleza de Ipanema.

“A aquarela que pintei em Ipanema, nós chamamos à “plein air”, instantâneo, direto, em frente à paisagem, sem grandes estudos. Gosto muito disso, pena que aqui no Brasil quando a gente monta o cavalete na rua chama muita atenção. Não tive muito tempo de estudar aquele cenário, fiz um esboço e comecei a pintar, é muito legal. Gostei muito da iniciativa!”

Fernando Koboldt Machado, morador da Bela Vista

“Procuro, aquarelando, registrar a simplicidade de formas dentro da beleza de Ipanema”.

Marlene da Silva Cafruni, moradora de Ipanema

“Observei o tronco no cenário e enxerguei nele a arte do tempo na natureza, com linhas, cores e formas… Resolvi aquarelar.”

Elisabeth Laky Gatti, moradora da Tristeza

“Cheguei na orla com duas folhas em branco e um lápis grafite integral. A minha ideia era um desenho simples com material simples, mas com boa potencialidade expressiva. Logo vi um barco, simples como a minha proposta, mas carregado de representações, tais como a jornada, a travessia dos mundos, ciclo lunar e o feminino.”

Laura Gatti, moradora da Tristeza

Jantar beneficente no Plaza São Rafael

16 de novembro de 2011 0

Amanhã, às 20h, o Centro de Reabilitação São João Batista – Educandário em parceria com o Plaza São Rafael (Alberto Bins, 514), Plaza Flowers, Silvia Jóias, Boutique Tète à Tète, Vinicola Campos de Cima e ZX calçados realiza um jantar em prol das crianças com deficiência atendidas pela instituição.

Comandado por Jonas Bergamin o jantar terá coquetel, couvert, prato de entrada, prato principal, sobremesa e bufê de cafés, chás e trufas de chocolate com bebidas incluídas. O evento também conta um espetáculo de dança e música flamenca da escola Tablado Andaluz.  A direção do Educandário, pede o apoio de todos para ajudar comprando ou vendendo convites, no valor de R$ 160 por pessoa. Informações pelo fone 3246-5655, com Priscila Gauto.

Novo espaço de lazer na orla

14 de novembro de 2011 1

O leitor Luiz Pedro Borgmann nos enviou um e-mail avisando sobre uma nova obra no calçadão de Ipanema. Com ótimas fotos, ele comentava que não tinha a informação oficial, mas que ao perguntar para um dos operários que estavam sexta-feira passada no local descobriu que se tratava de uma nova área de lazer.

Fomos confirmar com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) e realmente: Ipanema terá mais espaço para lazer! Em frente ao número 1.452 da Avenida Guaíba, estão sendo construídos um playground, uma academia da terceira idade, colocados 18 bancos com encosto, equipamentos de ginástica e área de convivência, tudo por conta da Goldsztein, que adotou a área de aproximadamente 3.600 m². Segundo a Smam a obra está prevista para ser entregue no final de novembro.

Um tesouro na região

11 de novembro de 2011 3

Na edição do ZH Zona Sul desta sexta-feira contamos na capa a história de uma âncora retirada do barco Maruí, econtrado no Guaíba há quase 50 anos. Soubemos da presença desta peça histórica no jardim da casa localizada na Avenida Guaíba, 684, por meio da nossa blogueira Janete da Rocha Machado. Confira abaixo a matéria:

Herança farroupilha retirada do Guaíba

Âncora do barco Maruí passou por museu e ferro velho antes de ser instalada em casa da Zona Sul

Há 23 anos, em 21 de setembro de 1988, Zero Hora noticiava a descoberta de uma âncora de um barco farroupilha no pátio de uma residência da Avenida Guaíba, 684. O tempo passou, mas não foi suficiente para alterar o rumo do objeto histórico. Com mais de mil quilos, a peça continua intacta no jardim da casa que hoje pertence ao arquiteto francês Robert Levy (ao lado).

– Faz mais ou menos oito anos que comprei a casa, e ela veio junto. Na época, o proprietário me mostrou a matéria do jornal e quis me vender também a âncora, mas eu disse que ele podia levá-la – conta Levy, 83 anos.

O prazo de um ano proposto pelo antigo dono para a retirada do pesado equipamento passou, e a peça segue ornamentando a antiga residência.

– Acho que enriquece a casa, é bonita – comenta Levy.

Desde a infância, a blogueira do ZH Zona Sul que sugeriu esta matéria, Janete da Rocha Machado, 47 anos, admira o valor histórico do artefato.

– Eu descia a Rua Gávea, nos anos 70, e adorava aquela casa. De tanto olhar para o jardim, vi a âncora meio escondida – relembra a historiadora.

Coincidência ou destino, Levy projetou há muitos anos a casa da família da blogueira, quando ele ainda morava no Cristal. Mais tarde, Janete o contratou para fazer o desenho da própria residência e, só mais recentemente, foi reencontrá-lo.

– Nesse tempo ele mudou-se para Ipanema e foi ser proprietário daquela que foi, no passado, a casa dos meus sonhos – relata Janete.

Âncora permanece enfeitando o jardim da casa na esquina da Guaíba com a Gávea

História contada em 1988

Na época em que a reportagem foi publicada em Zero Hora, a âncora já estava no endereço da Avenida Guaíba que abrigava, na época, a Clínica Geriátrica São Marcos. Segundo o texto, a peça foi retirada de um barco farroupilha chamado Maruí, encontrado no Guaíba na década de 1960. Outros objetos, como molinete e correntes, também foram retirados da água e doados ao Museu Júlio de Castilhos.

Os equipamentos duraram cerca de um ano no acervo, pois a instituição não tinha verbas para comprar inseticida para uma biblioteca, atacada por traças e cupins. Por isso, vendeu as peças do barco ao ferro velho dos irmãos Mollé. No estabelecimento, a âncora foi comprada por moradores da Rua Tenente Coronel Fabrício Pilar, que a levaram para a residência de Ipanema.

Confira abaixo a matéria publicada há 23 anos em Zero Hora:

(clique na imagem para ampliar)

Um dia para aproveitar Ipanema

02 de novembro de 2011 0

Mesmo com o feriado do Dia de Finados caindo em plena quarta-feira, os moradores que ficaram na Capital conseguiram curtir o belo dia de folga. Seja caminhando, andando de bicicleta ou brincando na areia, quem vai para o calçadão de Ipanema consegue aproveitar esse local privilegiado da Zona Sul.

Nosso fotógrafo Arivaldo Chaves passou lá de manhã e registrou o movimento na Avenida Guaíba. Se você não conseguiu ir no começo do dia, mas ainda pode passear neste final de tarde, esta é uma boa opção.

Educandário agradece o apoio

31 de outubro de 2011 1

Há duas semanas, o Centro de Reabilitação São João Batista – Educandário teve dois postes da fiação interna do pátio derrubados por um caminhão e ficou sem luz. Por causa disso, a entidade beneficente, para tratamento e educação de 152 crianças e adolescentes com deficiência, enfrentou grandes dificuldades para realizar os atendimentos.

Graças a divulgação feita pelo pessoal do Educandário e pela mídia, incluindo o ZH Zona Sul, a entidade teve restabelecida a luz e o telefone ainda na quinta-feira, 20 de outubro. As doações auxiliaram a entidade a parcelar o valor dando uma entrada.

A empresa contratada cobrou R$ 4.925 mil para a aquisição de postes novos e mais seguros, troca dos cabos e conserto da casa do relógio de medição de consumo de luz. Entretanto a entidade ainda precisa de doações para quitar o pagamento, por isso toda ajuda continua sendo bem-vinda.

Para informações sobre o trabalho do Educandário São João Batista (Rua Ten. Cel. Mário Doernte, 200, Ipanema) e para saber como doar, entre em contato pelo fone 3246-5655 ou pelo e-mail comunicacao@educandario.org.br

Em 17 de outubro, caminhão derrubou dois postes (acima), quatro dias depois, problema estava resolvido e a luz restabelecida (abaixo)


Confira o agradecimento da presidente do Centro de Reabilitação São João Batista – Educandário, Eveline Borges Streck:

“O Centro de Reabilitação São João Batista em nome das 152 crianças e adolescentes com deficiência aqui atendidos, agradece a todos aqueles que sensibilizados com o infortúnio ocorrido, em uma corrente de solidariedade se mobilizaram para que pudéssemos recuperar nossa rede elétrica e dar continuidade ao trabalho de habilitar e reabilitar crianças e adolescentes com deficiência. Por certo todos são pessoas abençoadas. A vontade de todos em ajudar completa a nossa vontade de trabalhar.”

Educandário está sem luz e precisa de ajuda

18 de outubro de 2011 1

O Centro de Reabilitação São João Batista – Educandário (Rua Ten. Cel. Mário Doernte, 200, Ipanema), entidade beneficente para tratamento e educação  de 150 crianças e adolescentes com deficiência, ficou sem luz na segunda-feira. O abastecimento foi interrompido depois que um caminhão derrubou dois postes da fiação interna do pátio (foto abaixo).

O veículo havia entrado na instituição para entregar uma doação de alimentos. Com o incidente, houve prejuízo em serviços como o de nebulizações, na rede de telefone e na refrigeração de alimentos.

Segundo a assessoria de imprensa do Educandário, hoje à tarde uma empresa de postes e instalações elétricas fez um orçamento de R$ 4.925 mil. O valor terá que ser investido em três postes de concretos, cabos 35mm multiflex e outros materiais para fazer uma instalação mais segura e durável, pois os postes antigos de madeiras estavam bem desgastados e não podem ser recolocados.

O problema se agrava, pois os donativos em dinheiro estão reduzidos e sem recursos financeiros está cada vez mais difícil manter a entidade funcionando. Para informações sobre como ajudar a entidade entre em contato pelos fones 8141-0120 e 8155-3332 ou pelo e-mail provisório educandario.sjb.1939@gmail.com


Cores da região nos cliques dos leitores

10 de abril de 2010 1

“A natureza, na sua perfeição, mescla as cores da vegetação e da borboleta como se uma fosse parte da outra”, observou a leitora Maria Helena Luce Schmitz, moradora da Avenida Cel. Marcos.

A floração da árvore na época da Páscoa foi registrada pelo leitor Carlos Arce, morador da Vila Assunção.

Flagrou alguma imagem interessante ou diferente da Zona Sul? Mande para o e-mail zonasul@zerohora.com.br

Flagrante ao pôr do sol: você reconhece o casal da foto?

03 de abril de 2010 3

- Texto e fotos enviados por Marco Tassinari, jornalista residente em Brasília

Vez por outra, vou a Porto Alegre e aproveito para recordar meu bairro, a Tristeza. Também faço incursões por Ipanema. Acho a beira do Guaíba um charme para assistir ao pôr do sol.

Em fevereiro, após o Carnaval, fui a Porto Alegre e levei minha filha Rafaela, brasiliense de 19 anos e torcedora do Grêmio. Claro que passeei muito pelos bairros da Zona Sul. E, em um belo dia, em que havia nuvens num céu muito azul, levei-a a Ipanema para assistir ao famoso Pôr do Sol (assim mesmo, com maiúsculas), pois prometia ser ‘daqueles’.

Fazia algumas fotos com meu celular quando se aproximou um casal na faixa de 60 anos. A praia estava cheia, gente parada, alguns caminhando e se retorcendo para assistir ao espetáculo da natureza.

O casal retirou os sapatos e embrenhou-se pela areia grossa da beira do Guaíba, de mãos dadas. Inicialmente, nem me chamaram a atenção, mas a medida que os observava, e o sol baixando, foram compondo um lindo quadro. Vez por outra, beijavam-se docemente. Cliquei-os sem pestanejar muito, apenas uma foto, sem identificação, mas já me sentindo invadindo a privacidade. Eternizei esse momento de amor. O sol se foi, e eles foram passeando pela orla, com os chinelos nas mãos e abraçadinhos.

Minha filha me aconselhou a falar com eles. Quando voltaram, criei coragem. Falei. Solicitei e-mail. Mostrei a foto e eles se emocionaram, apesar de meio desconfiados. Pressentindo minha intenção sincera, logo ficaram tranquilos. Disse-lhes que enviaria a foto tão logo chegasse a Brasília.

Perdi o e-mail e não pude cumprir minha promessa. Lembrei de vocês que cobrem a Zona Sul, e envio a foto.”

Se você reconhece o casal da foto, mande um e-mail para zonasul@zerohora.com.br

Cuidado: poste na pista

30 de março de 2010 3

Atenção, motorista, ao trafegar na Avenida Cel. Marcos.

Após obra de alargamento do asfalto e, por consequência, diminuição da calçada, pelo menos um poste está na pista, na altura do número 2.523 (foto acima).

Pés descalços em Ipanema

27 de março de 2010 3

Cada vez que percorro o calçadão de Ipanema, mantenho os olhos atentos para a paisagem. Procuro sorver os raios de luz, a variação de cores e, enquanto meus passos percorrem o percurso que já conhecem quase de cor, procuro esvaziar a mente. Assim, como em uma meditação, relaxo em relação às preocupações e tarefas do dia-a-dia… e observo.

Sim, descobri há algum tempo que observar as pessoas e as coisas a minha volta é uma atividade profundamente prazerosa e relaxante. Constantemente, me pego rindo sozinha ao fantasiar determinada situação, ou então me perguntando como será a vida e os afazeres de determinada pessoa que cruza meu caminho. Pois, tendo o calçadão de Ipanema como cenário, acabei formando um hábito, o de escrever minhas impressões e divagações tendo como fontes de inspiração aquilo que lá encontro.

* * *

Essa crônica trata de um tipo bastante comum e constante nas tardes ou nas manhãs ensolaradas do calçadão: os bebês. Ali no calçadão pode-se observar uma miríade desses seres minúsculos, impávidos em seus carrinhos ou agitados nas cadeirinhas das bicicletas, eles são representantes legítimos do futuro que se faz ali presente.

Democraticamente, dividem ali seu espaço com outros seres que também circulam por lá. Existem bebês de todos os tipos: os gorduchos e carecas, os cabeludinhos, meninas enfeitadas com laços e fitas, meninos com bonés. Alguns bebês carregam consigo as chupetas ou mamadeiras e outros ficam sorrindo extasiados diante da figura de algum cachorrinho que passa ao largo.

Observo também o comportamento dos adultos e crianças maiores que passam pelos bebês. Vejo também as mamães, papais, vovôs e vovós que os acompanham orgulhosamente. Percebo que muitas pessoas sorriem enternecidas ao passar por eles, algumas comentam com seus pares e apontam os rechonchudos, outras olham e saem apressadas como se o “vírus” da maternidade fosse algo contagioso.

Alguns pais moderninhos carregam seus bebês em carrinhos de três rodas, caminhando apressados ou correndo naquela tentativa de recuperar a antiga forma. Outros passeiam simplesmente, deixando os raios de sol banharem seus rebentos enquanto se beneficiam da paz que o movimento lento e constante exerce sobre os pequenos.

* * *

Mas de todos os bebês que observei nessa tarde, algo me chamou a atenção e quero compartilhar aqui: todos, sem exceção, estavam descalços! Que sensação deliciosa de liberdade é ver um pezinho de bebê descalço. Pés de bebês não são feitos para calçados. Parecem mais bisnaguinhas macias que, quanto muito, precisam de meias suaves, mas não de sapatos!

Observando os bebês ali no calçadão, pude me deliciar com cenas de bebês colocando os pezinhos na boca, como é bastante comum naquela fase dos cinco ou seis meses. Pude vê-los brincar com seus pezinhos fofos, balançá-los, erguê-los, desfrutar daquela condição privilegiada. Que delícia de cena, que vida boa essa dos bebês que passeiam no calçadão de Ipanema com os pezinhos descalços…

Voltei para casa pensando que essa fase de bebê passa tão rápido e lembrei de conselhos que minha mãe me deu e que repasso a todas as minhas amigas que esperam seus bebês: tenham paciência com os pequenos e os peguem muito no colo. Quando você menos espera eles já estarão correndo, calçados, por aí. Nem lembrarão mais quão gostoso era passear descalço no calçadão de Ipanema.

*Por Claudia Bins, Conselho de Blogueiros