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Colonos alemães na Zona Sul de Porto Alegre: os jardins da Dona Isabel

26 de outubro de 2012 2

Janete da Rocha Machado, historiadora e blogueira ZH Zona Sul


No início do século passado, as terras onde hoje se encontra o bairro Jardim Isabel, zona sul de Porto Alegre, pertenciam a Bernardo Dreher e sua família. O local abrigava, além da exuberante mata atlântica, uma próspera chácara, responsável pelo abastecimento de produtos hortigranjeiros à população local.

A história desse colonizador remonta ao século 19, quando seu avô, Johann Karl Dreher, imigrante alemão recém-chegado da Europa, dá início a uma série de empreendimentos de sucesso no Rio Grande do Sul. Entre esses negócios, estava o da exploração de pedras semipreciosas, cuja técnica foi trazida da cidade de Idar, na Alemanha. A região localizada no distrito de Birkenfeld, Estado da Renânia, era um centro de lapidação de pedras, e o nome Dreher, que significa torneiro, provavelmente, deriva da profissão.

A família Dreher, pioneira também no ramo de importação e exportação de produtos alimentícios, foi igualmente precursora na navegação fluvial, cujas embarcações faziam, regularmente, as linhas Porto Alegre-Palmares e Porto Alegre-Tapes. Ficaram conhecidos os vapores Montenegro, Camaquã, Gustavo e Palmares, todos pertencentes à Navegação Dreher & Cia.

Os Dreher tinham ainda um grande armazém de secos e molhados no centro de Porto Alegre. O estabelecimento tinha trapiche próprio na beira do Guaíba para atracamento dos navios e mercadorias. No armazém, eram guardados e comercializados grandes estoques de produtos estrangeiros como vinhos, sardinhas, bacalhau, azeite de oliva e azeitonas, originários de Portugal, país com que mantinham boas relações comerciais. Assim, o empreendedorismo do primeiro Dreher se perpetuou nas gerações seguintes por meio de Edmundo e de seu filho Bernardo.

Bernardo Dreher nasceu em 6 de abril de 1887, em São Leopoldo, e morreu em Porto Alegre, em 11 de janeiro de 1952. Concluiu seus estudos no Colégio Nossa Senhora da Conceição, escola dos Padres Jesuítas de São Leopoldo. Recém-formado, empregou-se na firma do pai, Edmundo Dreher & Cia Importadores e Exportadores. Em 1914, casou-se com a jovem Martha Elisabeth Bercht, filha de Jorge Bercht, membro do grupo de comerciantes conceituados da Capital que, na época, possuía uma chácara de veraneio à beira do Guaíba, na Tristeza. Talvez tenha sido esse o motivo que levou Bernardo a comprar uma grande quantidade de terras na Zona Sul, onde é hoje o bairro Jardim Isabel.

Conforme carta deixada por Martha Dreher em 1970: “Como aconteceu com muitos porto-alegrenses que não resistiram aos atrativos da hoje denominada Zona Sul, adquirindo pequenos sítios ou chácaras nos arredores da Tristeza e Pedra Redonda, também nós, meu marido e eu, acabamos comprando uma área de terras de regular tamanho, situada defronte à Chácara Meyer, pertencente aos descendentes da Família de Oscar Bastian Meyer. Nesta chácara existe uma colina revestida de espesso mato, refúgio de muitos pássaros, onde se ergue a Casa da Juventude e donde se descortina bonita vista sobre o Guaíba. O lugar é conhecido por ‘Morro do Sabiá’, designação que deu nome à região”. Durante muitos anos, a chácara dos Meyer foi a única vizinhança de Bernardo e Martha naquela longínqua e inóspita região de Porto Alegre.


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Em princípios de 1920, Bernardo Dreher adquiriu cerca de 40 hectares de terras em uma região conhecida como Pedra Redonda, na zona sul de Porto Alegre. Conforme relata Martha Dreher, mulher de Bernardo, falecida em 1977: “A área de terras por nós adquirida no longínquo ano de 1923, pela quantia de 50 contos de réis, pertencia ao capitalista Otto Niemeyer, que também morava na Tristeza, era amigo da zona, onde possuía muitas propriedades. Naquela época, ainda não existiam os balneários de Ipanema, Espírito Santo e Guarujá, cujas terras eram propriedade particular, e suas praias, inacessíveis ao público”.

As terras compradas por Bernardo faziam limites com a chácara de Oscar e Clotilde Bastian Meyer, no Morro do Sabiá, e com a fazenda de João Batista de Magalhães, o Juca Batista, atual bairro Ipanema. Eram terras fronteiriças ao Morro do Osso e pertencentes a Otto Niemayer. Conforme Martha: “Em 1923, a região era escassamente povoada, só existindo uma casa comercial, a venda do Juca Batista, na curva da Estrada da Cavalhada, e, na vizinhança da nossa chácara, alguns casebres modestos pertencentes a gente humilde”. Naqueles tempos, não havia ainda a Coronel Marcos, avenida que, atualmente, liga o centro da cidade com os bairros mais distantes da Zona Sul. Os caminhos eram de chão batido, o que dificultava o deslocamento. Assim, o transporte pelo Guaíba foi bastante utilizado.

Após a compra das terras, Bernardo Dreher construiu a moradia da família — um lindo palacete, mais conhecido por Castelinho, que ainda está no mesmo local onde foi construído, em 1923. Para a obra, foram trazidos ladrilhos, vitrais e azulejos de terras distantes. O casarão adquiriu fama, anos mais tarde, pelos encontros de negócios que ali ocorriam. Dona Martha relembra esses momentos: “Como meu marido, através de seus negócios, era muito bem relacionado, nossa chácara vivia cheia de gente. Entre os visitantes ilustres, lembro o Dr. Getúlio Vargas e a Da. Darcy, o Dr. João Neves da Fontoura, Daniel Krieger, Osvaldo Vergara, entre outros”.

Com o passar do tempo, as áreas da chácara foram sendo tomadas por estábulos, chiqueiros, galinheiros, hortas, orquidários, pomares e pelos bonitos jardins da dona Isabel, como era conhecida na região a mulher do seu Bernardo.”Tínhamos criação de ovelhas, porcos, coelhos, aves. No pátio, ao redor da casa, havia araras, macacos, tamanduás — um verdadeiro jardim zoológico. Certa vez, depois da enchente de 1941, até um jacaré apareceu no açude. Nos matos da chácara, viviam muitos animais selvagens, como guaraxains, tatus, porco-espinho, ratões do banhado, preás, além de cobras e lagartos. Nos campos, havia bandos de quero-queros e até perdizes apareciam de vez em quando”, conclui Martha.

Era um grande arranchamento em terras, as quais costeavam o Morro do Osso, local de fauna e flora ricas e diversificadas. Daí, a existência de muitos animais e plantas na chácara dos Dreher. A beleza do Morro do Osso perpetuou-se até nossos dias, porém, a chácara de Bernardo e Martha não teve igual destino — foi vendida e, imediatamente loteada, na década de 1950.


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Contavam os antigos moradores do lugar que, nas terras pertencentes a Bernardo Dreher e família, hoje o bairro Jardim Isabel, ocorriam fenômenos sobrenaturais. Na divisa leste da chácara, à beira da Estrada Conselheiro Xavier da Costa, limite com o bairro Ipanema, existia (e ainda existe) uma centenária figueira, local de lendas e superstições. Entre as histórias contadas pelos mais velhos, figuram as de assombrações e de tesouros, como as descritas em carta por dona Martha Elisabeth Dreher, mulher de Bernardo, mais conhecida por dona Isabel: “Diziam os moradores da zona que, às vezes, apareciam luzes debaixo da árvore e, por acreditarem que o lugar era assombrado, ninguém se atrevia a passar ali à noite. Também corria o boato de que um tesouro enterrado havia ali e, de fato, notavam-se sinais de escavação próximos das raízes da figueira”. Isso atraiu os moradores da região que vinham em busca dos tais tesouros.

Além das atividades da chácara, Bernardo Dreher envolveu-se com outros negócios. É dele a primeira usina de açúcar do Estado, a Usina Santa Martha Ltda. O empreendimento, localizado no município de Osório, foi inaugurado em 1929 por Getúlio Vargas, na época presidente do Estado. Alguns anos depois, visando à ampliação dos negócios, reatou as relações comerciais com a firma de navegação de seu pai, Navegação Dreher, pois era preciso agilizar o escoamento da produção de açúcar, ou seja, transportar a mercadoria entre Porto Alegre e a região do Litoral Norte. Bernardo também era dono de um importante engenho de arroz em Tapes, cuja capacidade de produção era de 500 sacos diários. Em 1940, Bernardo abandonou essas atividades para se dedicar, com sua mulher, às lidas da chácara. Cultivava e comercializava uma infinidade de produtos extraídos de sua horta e seu pomar. “Em matéria de verduras e frutas, as hortas e pomares organizados por meu marido primavam pela qualidade de seus produtos. Tinham praticamente de tudo e, especialmente, as frutas — maçãs, pêssegos, ameixas, marmelos, mangas, caquis etc. Eram famosos pelo tamanho e pela qualidade, tanto que, na época de colheita, sempre aparecia muita gente de Porto Alegre para comprá-las. O que não era vendido eu aproveitava para fazer geleias, marmeladas, goiabadas e sucos”, informa Martha. O restante dos produtos oriundos da chácara, Bernardo transportava até o Mercado Público e comercializava no centro da cidade.

No auge do veraneio da Pedra Redonda e com o advento da Estrada de Ferro do Riacho, cresce a procura por terrenos na região. É desta época a construção das primeiras vivendas de veraneio — as imponentes e admiradas mansões com praia particular. Surgem, também, os bairros Ipanema, Espírito Santo, Guarujá e, com eles, proliferam os loteamentos, resultado da divisão das terras de antigos chacareiros, como Bernardo Dreher.

Na década de 1950, a região dos Jardins da Dona Isabel não escapou do crescimento e da urbanização imposta à zona sul da cidade. A chácara, outrora símbolo de opulência, transformou-se no loteamento Jardim Vila Isabel. “Por não se enquadrar na zona da produção hortigranjeira, nossa chácara, devido à valorização das terras e elevação dos tributos, teve de ser urbanizada, constituindo o loteamento Jardim Vila Isabel, onde os antigos campos, matos, hortas e pomares cederam lugar a bonitas vilas e aprazíveis jardins. Esta mudança, de certo modo, me causa tristeza, mas, ao mesmo tempo, fico contente quando me conscientizo de que muitos ex-moradores de apartamentos encontraram ali a paisagem, o espaço, o ar puro, o sol e a tranquilidade que todos nós hoje tanto almejamos”, finaliza Martha.

Pelo projeto de lei nº 10724, de 9 de julho de 2009, o loteamento Jardim Vila Isabel se transformou no bairro Jardim Isabel. Resultado do empenho dos moradores e da Associação Comunitária Jardim Isabel e Ipanema (Ascomjip), criou-se o bairro, cujo nome foi escolhido como uma forma de homenagear aquela que foi a primeira colonizadora dessas terras: Martha Elisabeth ou simplesmente Dona Isabel.

Skate no Jardim Isabel

06 de dezembro de 2011 0

No próximo sábado, 10 de dezembro, a Praça Adel Carvalho, na Rua Conselheiro Xavier da Costa, Jardim Isabel, será o palco de uma competição de skate, de shows de bandas, oficina de grafite, brincadeira com palhaços e da prática do slackline.

O evento é realizado pelo Grêmio Estudantil Ipanema, do Colégio Marista, pela Revista Colegial e pela loja Companhia da Praia, com apoio da Associação Comunitária Jardim Isabel (Ascomjisa) e da marca Hocks. Também haverá um espaço para arrecadação de doações de alimentos não perecíveis, brinquedos e roupas. A ideia é fazer um dia de integração entre o colégio e a comunidade, com muitas atividades para todas as idades.

Confira as modalidades do campeonato de skate:

- Surfstyle: mirim até 15 anos e júnior a partir de 15 anos

- Street: mirim até 15 anos e júnior a partir de 15 anos

- Livre: para iniciantes

Inscrições na Loja Cia. da Praia (Zona Sul Strip Center) por R$ 10 até o dia 9 de dezembro. Se ainda houverem vagas, serão feitas inscrições no dia do evento.

Faltará água na região na terça-feira

03 de janeiro de 2010 3

Na terça-feira, dia 5, o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) deverá instalar um novo registro na tubulação de 600 milímetros na Avenida Coronel Marcos, próximo à Rua Déa Coufal, em Ipanema. O serviço de manutenção provocará a suspensão do fornecimento de água, a partir das 14h, dos bairros Ipanema, Pedra Redonda, Jardim Isabel, Espírito Santo, Guarujá, Serraria e parte da Cavalhada.
O abastecimento de água deve ser normalizado durante a madrugada da quarta-feira, dia 6, prevê o Dmae. Em caso de mau tempo, o serviço será adiado. Outras informações com o Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC), pelo telefone 115, ou pelo site do Dmae (www.dmae.prefpoa.com.br).

Associação quer mudar tratamento ao Jardim Isabel

30 de novembro de 2009 0

Vereadores Luiz Braz, Maria Celeste e Sebastião Melo hoje nos debates sobre emendas apresentadas ao plano diretor/Elson Sempé Pedroso, Divulgação

Abaixo, está a carta enviada por Marilia Azevedo, representante da Associação Comunitária Jardim Isabel junto ao Fórum de Entidades de Porto Alegre. O texto é bem oportuno, tendo em vista que está sendo votado na Câmara de Vereadores o novo Plano Diretor, que definirá o futuro do desenvolvimento urbanístico de nossa cidade. As observações de Marilia se aplicam aos demais bairros da zona sul de Porto Alegre, sendo, portanto, de interesse geral de toda a nossa comunidade:

(…) estamos tentando, de todas a formas, mudar o tratamento urbanístico deferido ao Jardim Isabel, tendo em vista que o nosso bairro, embora esteja localizado na Macrorregião 5 e integre a Cidade Jardim, conforme definição do atual artigo 29 do PDDUA – que está caracterizada como `de baixa densidade, de uso residencial predominantemente unifamiliar e elementos naturais integrados às edificações` – está recebendo um tratamento urbanístico totalmente incompatível com os parâmetros delineados para esta região. (…) Em verdade, trata-se de uma área que se caracteriza perfeitamente como de interesse cultural, em razão de possuir um patrimônio verde inestimável, visto que está localizada junto ao Morro do Osso e de uma parte da Mata Atlântica, que, além da mata nativa que comporta, tem uma flora e fauna riquíssimas e está próxima ao Guaíba.”

> Leia a carta completa da representante da Ascomjisa no Fórum de Entidades aqui

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DA REDAÇÃO: Foi aprovada na manhã de hoje a emenda 431, que trata da criação de uma comissão especial paritária para avaliar um conjunto de emendas sobre Áreas de Interesse Cultural (AICs), já rejeitadas para estudo. Portanto, a emenda 402, citada na carta de Marilia, será analisada por esta comissão.

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Saiba mais

- Revisão na região foca em áreas culturais, publicado no ZH Zona Sul em 20/11/2009

- Acompanhe a votação das emendas do Plano Diretor hoje

Postado por José Augusto Roth, Conselho de Blogueiros