A historiadora e blogueira ZH Zona Sul Janete Rocha Machado fez uma entrevista com Theresa Terra Magalhães, descendente de Juca Batista, e escreveu este texto:
Na segunda metade do século 19, as terras onde hoje fica o bairro Ipanema faziam parte de uma imensa zona rural de Porto Alegre. Originária da primeira sesmaria doada ainda no século 18, a região sul da Capital vai se constituir em grandes extensões de terras, em cujas fazendas se cultivavam arroz, milho, aipim e frutas, além da criação do gado leiteiro. E isso só era possível devido à irrigação pelo Arroio Capivara, que proporcionava fertilidade à região. Era o arrabalde de uma Porto Alegre bucólica e solitária, margeada pelas águas do Guaíba.
Durante muitos anos, o Arroio Capivara foi a fronteira entre as escassas fazendas e o rio. Entre elas encontrava-se a gleba de João Batista de Magalhães, mais conhecido por Juca Batista, um próspero comerciante e estancieiro de origem portuguesa que empreendeu nas terras deixadas por seu pai, cerca de 80 hectares, um império fundamentado no trabalho e na ajuda ao próximo. Era a vida organizando-se em torno das
estâncias, símbolo do gaúcho e do Estado.
Nascido em 29 de setembro de 1870, Juca Batista soube aproveitar a prodigiosa natureza da região, desenvolvendo a plantação de árvores frutíferas e a criação de gado leiteiro. A extensão de suas terras abrangia desde o Belém Velho até o atual Ipanema. Sua residência ficava nas imediações da avenida que hoje leva seu nome, estrada que, no passado, apesar do chão batido, era a única possibilidade de deslocamento entre o Centro e a Zona Sul. O asfalto viria bem mais tarde, na década de 1930, uma iniciativa do então vereador Flores da Cunha, na época, padrinho de Juca. Também eram limites de suas terras a Lomba do Capitão Alexandre, atualmente conhecida por estrada da Cavalhada, e as terras de Bernardo Dreyer, onde hoje está a Pedra Redonda, o Jardim Isabel e o Morro do Osso.
Durante muitos anos, Juca Batista empreendeu ações em prol da comunidade carente, tanto do seu bairro como dos vizinhos. Deslocando-se de barco pelo rio, fornecia produtos oriundos de sua fazenda a outras regiões da cidade. Em 1896, forneceu as primeiras mudas de árvores frutíferas e verduras aos pioneiros colonos da Vila Nova. Também mantinha, por meio de um trabalho social, algumas instituições de caridade, entre elas a Santa Casa de Misericórdia, o Pão dos Pobres e o Asilo Padre Cacique, desenvolvendo, assim, seu lado filantrópico.
Fundador da primeira casa comercial no bairro, local em que se podia comprar desde o alfinete até alimentos como açúcar e café, Batista doou uma parte de suas terras para a construção do cemitério da Vila Nova e para a Escola Estadual Odila Gay da Fonseca em Ipanema. Atualmente, o nome Juca Batista é lembrado em avenida e linha de ônibus que liga Ipanema ao Centro, uma forma de lembrar pelas realizações e homenagear aquele que foi um dos primeiros empreendedores da região.




