O bairro Tristeza foi o primeiro a atrair veranistas para as temporadas de verão e férias. O local, à margem esquerda do Guaíba, viveu, a partir do final do século 19, um desenvolvimento econômico motivado pela procura de um grande número de famílias, muitas delas de imigrantes alemães e italianos, pertencentes a uma elite porto-alegrense.
Esses grupos buscavam o descanso e o lazer à beira do Guaíba e, para isso, mantinham chácaras e mansões para uso nos períodos de férias e fins de semana. As denominadas vilas balneárias, entre elas, Assunção, Conceição e Pedra Redonda — que integravam o bairro Tristeza —, também foram muito procuradas nesse período. Entre as praias do Guaíba, eram as mais próximas do Centro.
É importante que se diga que o povoamento da região é bem anterior ao veraneio, remonta ao período da sesmaria de Dionísio Rodrigues Mendes, cuja sede da estância, a fazenda São Gonçalo, localizava-se em Belém Velho. As terras desse sesmeiro se estendiam desde o Arroio Cavalhada (Cristal) até o Salso (Ponta Grossa).
Essas terras, com o passar do tempo e o acelerado processo de urbanização, recortaram-se nos atuais bairros da Vila Nova, Serraria, Guarujá. Ipanema, Pedra Redonda, Vila Conceição, Tristeza, entre outros. De 1735 a 1826, toda a região pertenceu a Dionísio e seus descendentes.
Ainda no século 19, quando Porto Alegre foi loteada e urbanizada, as terras praieiras da Zona Sul estavam ocupadas por um dos filhos de Dionísio, André Bernardes Rangel, que morava onde hoje se situa Ipanema. Tempos mais tarde, a filha de André se casou com José da Silva Guimarães, também conhecido por Juca Tristeza.
Após o casamento, Guimarães recebeu, por herança, as terras onde hoje estão os bairros Tristeza, Assunção e Conceição, abrangendo assim uma vasta área à beira do Guaíba. Foi na atual Vila Conceição que Tristeza construiu a sede de sua estância. O local tinha também dois ranchos para habitação, casa de escravos, olarias e uma charqueada.
Palotinos, imigrantes e os donos das terras
Com a morte de José da Silva Guimarães, a fazenda ficou conhecida como A Chácara do Finado Tristeza, e as terras passaram para Manoel José Sanhudo, cunhado de Tristeza. Em 1876, a fazenda foi comprada por Guilherme Ferreira de Abreu Filho. Eram terras que iam desde o Guaíba até a Cavalhada. Em 1895, o local foi transformado na residência dos padres palotinos, que vieram para dar atendimento aos imigrantes italianos — os primeiros colonos agricultores da Tristeza.
Os padres compraram a chácara e fixaram ali residência e capela. Tempos mais tarde, em 1923, os palotinos venderam as terras para Antônio Monteiro Martinez, e foi ele que, em 1930, em homenagem a sua mulher, Zulmira Martins Martinez, devota de Nossa Senhora da Conceição, idealizou e criou o novo loteamento, nomeando-o Vila Conceição.















