Conversei com Marcel de Souza, ex-ala da Seleção Brasileira que conquistou junto com Oscar os Jogos Pan-Americanos de 1987 nos Estados Unidos. Polêmico, ele criticou o fato de os holofotes estarem todos em cima da seleção brasileira masculina.
— O time feminino teve mais sucesso que o masculino nos últimos anos, mas a divulgação é fraca — dispara.
Por outro lado, Marcel comemorou a classificação aos Jogos Olímpicos de 2012 por achar que ela atrairá mais investimento no basquete brasileiro. Ele, que pretende voltar a trabalhar como treinador, não engrossa o coro de elogios a Rubén Magnano. Mas admite:
— É claro que tem muito do dedo do Magnano porque o Brasil não perde para si mesmo. É o que acontecia antigamente.
Curte aí os principais trechos da conversa:
Zona Morta: Qual a importância da vaga olímpica?
Marcel de Souza: Para nós, que estamos fora do eixo, isso é de fundamental importância para emprego. Hoje em dia não há emprego para técnicos. Quando há, o dinheiro é pouco. Não dá para aceitar, mas é o que temos. Agora se o Brasil vai para a Olimpíada, tem mais investimento. Aí aumenta o salário e a divulgação.
No Brasil a gente vive só dos resultados da seleção brasileira masculina adulta no Pré-Olímpico e nas Olimpíadas. É esse time que representa o basquete brasileiro. O time feminino teve mais sucesso que o masculino nos últimos anos, mas a divulgação é fraca.
ZM: Gostaria de voltar a trabalhar no basquete?
Marcel: Se convidado, sim, hoje em dia é difícil. Os postos estão ocupados.
ZM: Os times estão contratando treinadores argentinos...
Marcel: Claro, é a Argentina quem ganha.
ZM: E o trabalho de Magnano na seleção?
Marcel: É um excelente técnico, mas quem ganha o jogo é o jogador. O Schumacher é um excelente piloto. Em lugar ele está? Se ele tivesse o carro do Vettel, seria líder. É claro que tem muito do dedo do Magnano porque o Brasil não perde para si mesmo. É o que acontecia antigamente. Se for pegar o retrospecto dos 16 anos, o time que mais perto chegou do sucesso foi o Brasil. No Mundial, no ano passado, os Estados Unidos passaram por cima de todo mundo, menos do Brasil. Se o Magnano tem algum mérito, é fazer o Brasil não perder para si mesmo.
ZM: E as novidades da seleção, como o Vitor Benite, o Hettsheimeir...
Marcel: Estão dizendo que o Rafael Hettsheimeir é novo. Ele é tudo, menos novo. Disputava Copa América com 19 anos. É novo para nós. Temos uma tonelada de jogadores, fora os que nem conhecemos, disputando categorias de base em outros países. Eles vão embora, jogam bem e fazem carreira. Não querem vir porque não têm chance. Dizem que aqui é treino de juvenil, e não de cara profissional.








