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Carneiro, experimentos, clima louco, vinagre e um pouco de rock

01 de dezembro de 2012 0

Dificilmente se encontre alguém que não lembre do hit do rock gaúcho que dizia “Te fiz um rock, Melissa…”. E muitos lembram que a letra da canção continha frases estranhas, assim como outras músicas da Bidê ou Balde. Pois é, eles continuam assim… e assim por diante. Um pouco mais experimentais na sonoridade, talvez, e uns 12 anos mais velhos. Mas não parece.

O último disco de inéditas da Bidê fora lançado em 2004, o É Preciso Dar Vazão aos Sentimentos. Desde lá, rolou a participação no Acústico MTV Bandas Gaúchas (2005) e muitos shows pelo Brasil. A saudade bateu nos fãs, ávidos por um novo trabalho inédito.

Ano passado, a banda deu início a uma trilogia, inspirada em obras do escritor alemão Kurt Vonnegut. Ano passado, o grupo lançou o EP Adeus, Segunda-feira Triste. Agora, a peça chave da trilogia, o tão aguardado CD de inéditas, é lançado após oito anos, o Eles São Assim. E Assim por Diante. A primeira música de trabalho  é +Q1 Amigo.

O disco também conta com a já conhecida Me Deixa Desafinar, além de rockinhos e baladinhas bacanas como Coisinhas Nojentas de Amor, João da Silva, Ontem Percebi que Te Amo Ainda, vinhetas instrumentais e trechos dos livros de Vonnegut, em alemão. O CD está à venda no site da banda, wwwbideoubalde.com.br.

As participações especialíssimas ficaram por conta de Frank Jorge, Renato Borghetti, Serginho Moah e outros. O grupo formado por Leandro Sá (guitarra, a partir da esq.), Vivi Peçaibes (vocal e teclados), Carlinhos Carneiro (vocal) e Rodrigo Pilla (guitarra) está junto, nesta formação, desde 2002 — a banda existe desde 1998. A coluna bateu um papo com o frontman da Bidê, Carlinhos. Confira:

Zoom — A gente percebe que nesse novo trabalho, a banda se permitiu experimentar, ser espontânea. Como foi esse processo de gravação?

Carlinhos — As músicas já são antigas. Tem algumas de 2005 e 2006. Mas elas foram gravadas de modo estranho, por partes, ou seja, não gravamos a música toda de uma só vez. Ou um instrumento gravou toda a sua parte sem cortes. Fizemos diferente, fomos gravando parte por parte, só o refrão e depois só um solo. Talvez, se não fosse assim, não teria sido tão espontâneo. Esse processo também fez com que demorasse um pouco o lançamento.

Zoom — O disco reflete o momento atual da banda? Como rolaram também as participações especiais?

Carlinhos — Ao contrário do que muitos dizem quando lançam um disco novo, o CD novo não reflete um amadurecimento. Queríamos voltar um pouco ao início, quando não sabíamos nada, apenas diversão. E conseguimos. Também mais músicas feitas pelos outros membros da banda, não só por mim. Ao contrário dos outros discos nossos, as letras mais malucas não são minha, são do Frank Jorge (Graforreia Xilarmônica), que participa do álbum. Nesse disco, tentei ser mais simples e a banda que queria “esquisitar” (risos).

Zoom — E este tempo sem lançar um disco inédito, a banda chegou a parar?

Carlinhos — Na verdade, nunca paramos. Tivemos muitos shows. Teve um época que no Paraná se abriu muito espaço para nós e tocamos direto lá. Ter tido bastante show atrapalhou, no bom sentido, de lançarmos um disco novo. Tanto que temos material de sobra, e pra completar a trilogia, pretendemos lançar mais um EP no início de 2013, mas ainda não batemos o martelo quanto ao nome do disco. Terá versões de músicas que lançamos no EP do ano passado, com participação de Borghettinho, Plato e sobras de estúdio.

Zoom — Mudando de assunto. Que show ainda não veio para Porto Alegre e que tu quer assistir?

Carlinhos — The Flaming Lips

Zoom — O rock gaúcho teve uma leve queda de produção e não deu muito as caras do meio da década passada até agora. Porém, agora há um fôlego e bandas do rock gaúcho estão ressurgindo. Por que tu achas que isso ocorreu? Emo, sertanejo universitário  e happy rock atrapalharam?

Carlinhos — Acho que as casas que se fecharam mesmo. Nesse meio tempo, tivemos muitos shows no Paraná. Mas no Estado nem tantos. Acho que as casas de show não apostaram tanto também no rock do sul. Muita gente também começou a fazer um cachê desleal para competir.


Foto: Tadeu Vilani (Agência RBS)

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