Por Ian Tambara, jovem aprendiz da redação do Diário
Quantas vezes você já não ouviu um jovem falar (ou se é jovem, quantas vezes você já não falou) que queria ter nascido nos anos 60, 70 ou 80, por causa da cultura antiga, artes, costumes, ou talvez pela música dessa época, que é influência dos artistas de hoje?
Pois então, atualmente vivenciamos um mundo globalizado, onde a música já não é uma coisa tão "valorizada" assim. Hoje ela se torna algo mais banal, na qual você pode encontrar tudo e qualquer coisa a respeito do seu artista favorito em apenas alguns cliques e algumas pesquisas na internet. Além do mais, os "ritmos do momento" são outros, o que fez com que o que era popular antigamente, virasse alternativo, agora.
É o que aconteceu com o rock, por exemplo: Nos anos 60, 70 e 80, existiam muitas bandas famosas que são reconhecidas até hoje, que conquistaram os corações de todos os jovens de sua geração e que na época eram o tal "ritmo do momento". Podemos se dizer que essa tendência começou a mudar a partir dos anos 90 e, com o fim do Nirvana e Oasis, o rock foi até dado como morto por alguns críticos.
Mas não aconteceu. Surgiram outras bandas nos anos 2000 que, de certa forma, utilizaram a globalização como uma arma de mídia e divulgação. Estavam nascendo as bandas totalmente independentes, sem o apoio de gravadoras ou grandes empresas de mídia e acabam ficando famosas pela divulgação gratuita de suas músicas e discos completos nos meios de comunicação, na maioria das vezes, na internet. Assim, algumas delas acabou assinando contrato com gravadoras depois de terem alcançado o topo das paradas em seus países. As mais famosas, talvez: The Strokes, Arctic Monkeys, The Killers, The Kooks, Franz Ferdinand, Foo Fighters, dentre outros. E no Brasil não foi diferente. Desde então vêm surgindo várias bandas totalmente influenciadas, não só pelas de antigamente, mas também pelas grandes bandas independentes dos anos 2000. A única diferença é que, como foi dito no ínicio, o rock não é o "ritmo do momento" no Brasil.
Por consequência disso, essas bandas que nascem independentes aqui acabam não progredindo na etapa "alcançar o topo de uma parada" com nem ao menos um single. Ficam, nessa parte, meio desapercebidas, meio escondidas dentre tantos artistas famosos de sertanejo, pagode, pop, funk, axé, etc. que, querendo ou não, são os tais "ritmos do momento".
O que resta, para quem realmente curte rock e gostaria de ver bandas de rock nacional voltando a ter um acesso maior no Brasil, é entrar nos sites das suas bandas preferidas e divulgá-las.
Aqui vai algumas dicas de bandas independentes que você poderá gostar:
VIVENDO DO ÓCIO - banda da Bahia, têm dois albuns: Nem Sempre Tão Normal (2009) e O Pensamento É Um Imã (2011). Muito parecido com Arctic Monkeys.
APANHADOR SÓ - banda gaúcha, de Porto Alegre. Possuem dois albuns: Apanhador Só e Acústico Sucateiro, que foi feito totalmente de material reciclado, desde o encarte do CD aos instrumentos das músicas. Têm bastante influência da MPB, sendo muito parecida com Los Hermanos.
VANGUART - banda de Cuiabá, Mato Grosso. Possui 3 albuns: Vanguart, Before Vallegrand e Boa Parte De Mim Vai Embora. Têm um ritmo mais puxado pro folk rock, como se fosse uma mistura do rock melancólico do Radiohead com o folk puro do Bob Dylan.
THIAGO PETHIT - Possui 2 albuns: Berlim, Texas e Estrela Decandente. O último foi lançado no início deste mês. Influenciado pelo vaudeville de Tom Waits, Kurt Weill, Leonard Cohen e pelo cena underground dos anos 60 e 70, o músico tem músicas em português, inglês e francês.
MOPTOP - banda do Rio de Janeiro, possui 2 albuns: Entre as influências musicais da banda, estão grandes nomes como The Clash, The Cure, Ramones, The Strokes, The Beatles, Franz Ferdinand, entre outros, mas o som do grupo acaba sendo mesmo muito parecido com o do Strokes.
MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU - banda do Rio de Janeiro, possui dois albuns: Idem e C_mpl_te. Já autodenominado, em termos gastronômicos, de “feijoada búlgara”, é uma banda de estilo singular, fundindo rock e ska com influências musicais de todo o mundo (especialmente do leste europeu) e de música brasileira.
CÍCERO - nascido no Rio de Janeiro, um dos mais novos artistas brasileiros, lançou seu primeiro albúm no ano passado. O Canções de Apartamento é uma obra totalmente caseira, e as letras, cantadas com sua voz sussurrada, falam sobre solidão, paixões, saudades e memórias. Suas vertentes seguem a linha de uma mistura de mpb com folk rock, fazendo com que as músicas sejam um tanto quanto "tristes", mas não deixando a qualidade de lado.
As músicas destes artistas estão disponíveis nos sites dos artistas.
