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Trevisan: “É importante definir teto salarial nos clubes do Brasil”

30 de novembro de 2013 1

Diretor Geral da Trevisan Escola de Negócios, consultor da Trevisan Gestão do Esporte e mestre em Marketing Estratégico pela Cranfield University (UK), entre outras especialidades,  Fernando Trevisan, 34 anos, fala sobre o futuro do futebol no Brasil.

 Zero Hora – Como você avalia as finanças do futebol brasileiro?

Fernando Trevisan – Pela primeira vez, os principais clubes brasileiros se aproximam da marca de R$ 3 bilhões em faturamento, mais do que o dobro do valor de cinco anos atrás. Esse dado positivo contrasta com outros dois aspectos bastante preocupantes: o alto nível de endividamento e a dificuldade dos clubes em registrar superávits, ou seja, gastar menos do que arrecadam. Há um grave problema de gestão e uma necessidade imediata de equacionamento das dívidas, com as devidas contrapartidas dos clubes. Além disso, o faturamento ainda está distante do patamar da Europa, o que indica haver um potencial grande de expansão, principalmente, utilizando melhor o poder de consumo do torcedor.

 

ZH – É certo dizer que o futebol vive uma bolha econômica?

Trevisan – O futebol brasileiro se aproveitou de um período de crescimento econômico importante, que foi a última década para o Brasil. Além de mais empresas passarem a patrocinar clubes e campeonatos, houve um forte crescimento dos valores de direitos de transmissão, que dobraram em relação a 2010 e, hoje, representam quase metade do faturamento dos clubes.

 

ZH – Pode-se dizer, portanto, que grande parte do êxito financeiro dos clubes no período se deve mais ao contexto econômico geral do que é fruto de uma estratégia mais agressiva e eficaz de seus gestores?

Trevisan – De fato, os valores de patrocínio e de direitos de transmissão parecem estar próximos de um teto por aqui, e o trabalho dos clubes deve se voltar cada vez mais para aumentar a arrecadação diretamente com os próprios torcedores. Enquanto os europeus geram 22% da sua receita total com o que seus torcedores gastam em dias de jogos, por exemplo, no Brasil, esse número é de 8%.

 

ZH – Grêmio e Inter querem reduzir as altas folhas salariais. Que impacto tem estes custos na vida dos clubes?

Trevisan – O custo com o departamento de futebol é o mais relevante dentro dos clubes, podendo chegar a 70% de sua receita. Dessa forma, a gestão dessa despesa é totalmente estratégica para a sustentabilidade financeira do clube, bem como para seu resultado esportivo. O papel do gestor é encontrar a melhor relação entre a qualidade do elenco e o impacto desse custo na sua lista de despesas. Para isso, é importante definir políticas de teto salarial e, principalmente, identificar atletas com potencial não percebido, ou seja, que podem trazer retorno esportivo sem um custo exorbitante, a partir, por exemplo, de ferramentas de análise estatística de desempenho, cada vez mais comuns no mercado.

 

ZH – Os altos salários dos jogadores correm riscos no Brasil?

Trevisan – O Brasil é um país de livre mercado. Não acredito em iniciativas que visem pré-definir valores de salário para o mercado do futebol. Por outro lado, a atuação mais firme da Receita Federal em cima dos clubes, que tem afetado diretamente seu fluxo de caixa inclusive com penhoras, e de certa forma uma conscientização maior de alguns dirigentes, parecem indicar um novo cenário de gestão de custos dentro dos clubes. Desse modo, pode-se imaginar um ajuste natural de mercado nos valores recebidos por alguns jogadores e treinadores.

 

ZH – Como você analisa o futuro próximo do futebol no Brasil.

Trevisan – Há um processo em marcha de profissionalização do futebol brasileiro, mas que é ainda muito recente. Logo, há muito por fazer. Pesquisa realizada com os participantes do seminário Business FC, mostraram que 53% consideram ruim ou péssima a qualidade da gestão dos clubes. Iniciativas recentes, no entanto, indicam uma tendência positiva, como: novos estádios com padrão internacional, mobilização de jogadores para melhoria do calendário, projeto de parcelamento das dívidas com punição técnica para não cumprimento. Não é a toa, também, que 91% dos pesquisados disseram ser otimistas com o futuro do futebol no Brasil.

O Flamengo, de Léo Moura (foto AFP), dispensou jogadores caros, fez contratações baratas, reajustou os salários e conquistou a Copa do Brasil, quarta-feira, no Estádio do Maracanã

tacao

 

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Comentários (1)

  • Clovis Barbosa diz: 4 de dezembro de 2013

    Eu gosto de futebol, acompanho futebol, noticias, mas meu dinheiro esse pessoal não leva um tostão. Imagina um jogador médio a regular ganhando de 150 mil até 300mil por mês, e sua produçao dentro de campo é pífia. Isso é ridículo, tem que mudar isso para melhorar o espetáculo. O cara que estuda em uma faculdade gasta em média 100mil e leva 4,5 anos pra se formar, ganhando de salário de 1000 a 1500 reais. O jogador de ensino médio, ou fundamental, ganha 150 mil em um mês. MUDA BRASIL

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