22 nov12:06

Soja perde área depois de três anos em alta

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Três culturas perderam espaço para o milho de acordo com a economista do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri, Márcia Janice da Cunha Varaschin. Ela afirmou que houve uma queda de 11,2% na área de feijão, 8% na área de fumo e, 2,2% na área de soja.

Neste caso houve uma interrupção de três anos seguidos em que a oleaginosa avançada sobre áreas e milho.

O vice-presidente da Cooperativa Agroindustrial Alfa, Cládis Furlanetto, acredita que a área de soja pode diminuir em até 15% no Oeste e Planalto Norte, que são áreas de abrangência da cooperativa.

Um dos motivos é que o retorno da lavoura de milho está mais vantajoso no momento. A família Laval, de Chapecó, espera colher pelo menos 180 sacas de milho por hectare, numa área de 30 hectares. Mantendo o preço atual de R$ 24 a saca do cereal, a renda bruta por hectare seria de R$ 4.320. Mesmo tirando 60% para despesa, segundo cálculo do produtor, incluindo colheita e frete, ainda sobraria R$ 1,7 mil. Já na lavoura de soja, colhendo 65 sacas por hectare, ao preço de R$ 41, a renda bruta seria de R$ 2.665. Se sobrar 40%, tirando a despesa, restaria apenas mil reais por hectare, cerca de R$ 700 a menos que na lavoura de milho. Por isso Claudemir Laval e o pai, Orval Laval, se arrependem de não terem plantado mais milho. O plantio dos 58 hectares de soja deve ser concluído nos próximos dias. No Estado, está em cerca de 60%, segundo a economista do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri, Márcia Janice da Cunha Varaschin.

Mesmo coma queda de área a oleaginosa deve ter a sua segunda maior safra da história, perdendo apenas para a produção da safra passada.


Mais milho para aumentar produção de leite

O agricultor Ivo Munarini, de Chapecó, não tinha muito como aumentar a área de milho, que é de 3,5 hectares. Mas decidiu investir mais na lavoura neste ano para colher mais, mesmo sem ampliar a área plantada. –Comprei uma variedade de semente melhor- explicou. Ele vai transformar toda a produção em silagem, para alimentar as vacas durante o inverno.

A expectativa é de produzir 100 toneladas de silagem, 66% a mais do que as 60 toneladas da safra passada.

Com isso ele pretente aumentar a produção de leite, que é de 3,5 mil a 4 mil litros/mês, para 6 mil litros/mês. Ou seja, uma safra melhor de milho vai garantir mais renda para a família.


Dependência continua grande

Mesmo com a previsão de um aumento de 6,3% na produção de milho, de acordo com dados do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri, o déficit catarinense em relação ao consumo continua alto. A produção deve crescer 230 mil toneladas em relação à safra passada mas o estado traz de fora cerca de dois milhões de toneladas por ano, segundo o presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina e diretor agropecuário da Aurora Alimentos, Marcos Zordan.

O diretor explica que pode até ocorrer uma redução no preço do milho, mas não muito significativa. Isso aliviaria os custos de produção, que vem castigando o setor agroindustrial.

O aumento do preço do milho, que subiu cera de 50% em relação ao praticado há dois anos, prejudicou os criadores, principalmente de suínos. O preço alto do milho acaba impactando em toda a cadeia produtiva e chega até o consumidor, que paga mais caro pela carne e pelo leite.

Zordan disse que o preço ideal da saca do cereal, tanto para o produtor de grãos quanto para o criador, seria de R$ 20 a R$ 22.

O presidente da Ocesc também teme uma oscilação do preço do petróleo, que pode manter ou até elevar o preço do milho. O motivo é que, aumentando o preço do barril de petróleo, há um estímulo para que os norte-americanos produzam mais etanol à base de grãos.

Para o presidente da Companhia Integrada para o Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), Enori Barbieri, não deve ocorrer redução dos preços, pois a Argentina também está com duas usinas de produção de etanol. –O preço vai continuar alto e isso será transferido para o consumidor- prevê.

Outro fator que evita queda de preço é a diminuição dos estoques do Governo Federal. Barbieri disse que no ano anterior muitos produtores venderam milho para o Governo pois o preço compensava. Como o produto está mais caro poucos vão vender para o governo e os estoques devem ficar baixos.

Portanto, mesmo com a previsão de aumento da safra no país, de 57 milhões para 60 milhões de toneladas, o cereal vai continuar fazendo jus ao seu dourado. E, se já descobriram o porco diet, com menos gordura, resta desenvolver um animal ainda mais diet, no consumo de milho. Ou então diminuir o churrasco.


SOJA EM SC

PRODUÇÃO (mil toneladas)

2002/2003: 712

2003/2004: 642

2004/2005: 599

2005/2006: 799

2006/2007: 1.104

2007/2008: 943

2008/2009: 975

2009/2010: 1.374

2010/2011: 1.490

2011/2012: 1.399*


ÁREA PLANTADA (mil hectares)

2002/2003: 257

2003/2004: 314

2004/2005: 355

2005/2006: 332

2006/2007: 377

2007/2008: 372

2008/2009: 385

2009/2010: 440

2010/2011: 457

2011/2012: 447*


PRODUTIVIDADE (quilos por hectare)

2002/2003: 2.770

2003/2004: 1.907

2004/2005: 1.710

2004/2006: 2.406

2006/2007: 2.930

2007/2008: 2.534

2008/2009: 2.530

2009/2010: 3.123

2010/2011: 3.259

2010/2012: 3.128*


Fontes: Cepa/Epagri com dados do IBGE e Conab | *estimativa


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