hidrelétricas

04 abr20:05

Três hidrelétricas param devido à estiagem

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Três hidrelétricas catarinenses estão parando suas operações em virtude da estiagem que atinge o Sul do país: Machadinho, Foz do Chapecó e Campos Novos. A paralisação foi determinada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) em virtude de que os reservatórios estão muito baixos. As três usinas tem um potencial instalado de 2,8 mil megawatts, que é praticamente a demanda de energia de Santa Catarina.



Usina Foz do Chapecó. (14/10/2010)



No entanto, como a vazão de água oscila durante o ano, elas produzem em média a metade da potência instalada. Mesmo com a paralisação o gerente das usinas de Itá e Machadinho, Elinton Chiaradia, avalia que não há risco de falta de energia elétrica no sul do país. O motivo é que o sistema de fornecimento de eletricidade é interligado. Quando falta água no Sudeste, o Sul fornece mais energia e, quando há estiagem no Sul, a energia vem do Sudeste para cá. Que controla isso é justamente a ONS, que determina quanto cada hidrelétrica deve gerar.

A situação mais crítica em Santa Catarina é em Machadinho, onde o reservatório está 14,4 metros abaixo do nível normal. Isso representa apenas 3% do volume útil para geração de energia.

– Acabou a água – disse Chiaradia.

Quando a usina está funcionando com capacidade total passam pelas turbinas 1,3 mil metros cúbicos por segundo. Ontem, o volume que chegava ao lago, era de apenas 110 metros cúbicos por segundo, o que não dá para movimentar nem uma das três turbinas da hidrelétrica. Há mais de um mês Machadinho já vinha operando com apenas 20% da capacidade. A previsão é que as máquinas parem às 8 horas de hoje.


Em Foz do Chapecó a suspensão da geração deveria ocorrer entre ontem à noite e hoje, segundo a assessoria de imprensa da Foz do Chapecó Energia S.A. A concessionária havia recebido apenas um comunicado extraoficial, mas confirmou a paralisação.

Mesmo com a interrupção da geração será possível manter a vazão mínima do Rio Uruguai, que evita a morte de peixes e garante a operação de balsas.

Na Hidrelétrica de Campos Novos as atividades já foram paralisadas no início da semana, segundo a assessoria de imprensa da Enercam. A informação é de que a concessionária vai aproveitar o momento para fazer a manutenção das máquinas.

A paralisação foi determinada pelo Operador Nacional do Sistema em virtude de que os reservatórios estão muito baixos. No entanto a medida não representa risco de apagão já que o sistema elétrico é interligado e as represas do sudeste estão com bom volume.

Subiu para 120 o número de municípios atingidos pela estiagem em Santa Catarina. O último decreto encaminhado para a Defesa Civil do Estado foi de Agrolândia.


DADOS DAS HIDRELÉTRICAS

MACHADINHO

Potência: 1.140 megawatts (suficiente para atender 45% da demanda de Santa Catarina e 30% do Rio Grande do Sul

Localização: Rio Uruguai, entre Piratuba-SC e Maximiliano de Almeida-RS



FOZ DO CHAPECÓ

Potência: 855 megawatts (suficiente para atender 25% da demanda de Santa Catarina)

Localização: Rio Uruguai, entre Águas de Chapecó-SC e Alpestre-RS.



CAMPOS NOVOS

Potência: 880 megawatts (para atender 25% da demanda de Santa Catarina)

Localização: Rio Canoas, entre Campos Novos e Celso Ramos



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27 set20:39

Barragens ajudam a minimizar cheias

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

As chuvas ocorridas no final de agosto e início de setembro em Santa Catrina também afetaram as barragens situadas na bacia do rio Uruguai. Por isso a Tractebel, que administra as hidrelétricas de Itá, Machadinho e Passo Fundo, realizou na terça-feira uma coletiva para explicar como funciona a operação das unidades no caso de cheias.

De acordo com o gerente das três hidrelétricas, Elinton Chiaradia, a presenças das barragens ajuda a amenizar os efeitos das cheias. –Elas ajudam a regularizar e diminuem o pico- explicou. É como uma onda que vai diminuindo sua intensidade ao passar em cada barragem.

Isso porque, quando inicia uma cheia, as barragens já começam a liberar mais água pelos vertedouros, para conseguir segurar parte da água quando atinge o maior volume.

O gerente de Itá Diego Collet, disse que no dia 30 de agosto, choveu mais de 100 milímetros em alguns pontos, volume de quase um mês. No lago de Itá o volume de água atingiu 19,8 mil metros cúbicos por segundo. Itá conseguiu segurar até chegar a 19 mil metros cúbicos, 800 metros a menos. No dia 9 de março, quando chegou 12,5 mil metros cúbicos, foram liberados pelo vertedouro e comportas apenas 11 mil metros cúbicos.

Em Foz do Chapecó também houve contenção da cheia, segundo o gerente de operação, Gilson Carvalho.

Diego Collet.

Lá a quantia que chegava era 20,5 mil metros cúbicos por segundo no dia 30 de agosto e foram liberados 20,5 mil, ou sejam, mil metros cúbicos a menos. Chiaradia disse Isso ajudou a diminuir os alagamentos em áreas ribeirinhas abaixo da barragem, pois cada usina segurou um pouco. As hidrelétricas de Campos Novos, no rio Canoas, e Barra Grande, no rio Pelotas, também fazem parte do sistema, que é controlado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS). São 20 pontos de monitoramento do volume de água na Bacia do Rio Uruguai. As hidrelétricas mandam informações para a ONS de hora em hora, para que ela acionar as barragens.


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