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Artigo| A COPA E A SAÚDE PÚBLICA

17 de junho de 2014 2

DARCY FRANCISCO CARVALHO DOS SANTOS
Contador e economista

 

 

Constantemente ouvimos reclamações contra a realização da Copa no Brasil, sob a alegação de que estão reduzindo com isso os recursos que poderiam ser destinados à educação e à saúde.
Não há dúvida de que os bilhões aplicados em estádios poderiam ser melhor utilizados na construção de hospitais, escolas, presídios, estradas etc. Também não era necessária a escolha de 12 sedes para os jogos. Bastavam oito, como era a intenção inicial da Fifa. Com isso, foram construídos estádios que se transformarão em verdadeiros elefantes brancos, porque não existem clubes locais que possam fazer uso deles posteriormente.
Entretanto, na análise desse tema temos que fazer uma distinção entre investimentos, que são dispêndios eventuais e os gastos correntes, de manutenção dos serviços, que são permanentes, onde está a grande dificuldade do poder público. Com certeza, muitos Estados que receberam estádios não poderiam, nem gostariam de receber hospitais desde que tivessem o compromisso de mantê-los para sempre.
O que reduz os recursos da saúde e da educação não são os gastos eventuais, quaisquer que sejam, mas os altos gastos correntes em certas finalidades, como na Previdência. Nos estádios da Copa o Brasil despenderá menos de 0,5% do PIB, de uma única vez, enquanto que em Previdência despende 12% todos os anos. Com 6% da população com 65 ou mais anos, gasta o mesmo que países como a Espanha, Holanda e Reino Unido, que têm  mais do que o dobro da população nessa faixa etária. Em pensões por morte despendemos mais de 3% do PIB, enquanto os países ricos despendem menos de 1%.
No Estado do RS, por exemplo, 87% dos servidores aposentam-se com 25 ou 30 anos de contribuição ou serviço, uma parte com idade mínima de 50 anos e outra nem isso é exigido. As altas remunerações acima do teto salarial também levam os recursos da saúde e da educação.
A hora de ser contra a realização da Copa já passou. Agora é fato consumado. Ser contra agora não trará mais recursos para a educação e saúde e  nenhum outro benefício. Só servirá para denegrir a imagem de nosso país no Exterior.

Comentários (2)

  • flavio diz: 17 de junho de 2014

    Em que pesem os excelentes argumentos quanto ao mau uso do dinheiro público no Brasil, a exortação para “ser a favor” da copa não tem nenhuma relação com eles. É apenas vontade do articulista. Temos sim é que “ser contra” a copa – no sentido de ter sido um sumidouro de dinheiro público – e contra os maus gastos públicos “correntes”, na diferenciação feita.

  • Luiz Franco diz: 18 de junho de 2014

    Apesar da Teoria da Prescrição e da Decadência do Direito de ser Contra, defendida pelo articulista, continuo sendo contra a copa, e continuo contribuindo para que com meus impostos haja mais recursos para o que realmente importa. Pena que, contra a minha vontade, muito foi desperdiçado com a “pelada mundial”.

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