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02 ago13:12

Novos estados brasileiros, para quê?

Ivo Ricardo Losekam, leitor-repórter

As novas unidades federativas do Brasil estão em discussão e em diferentes estágios de aprovação no Congresso Nacional atualmente. Chegou a ser proposta oficialmente a criação de 18 novos estados, três novos territórios federais, o que elevaria o total de unidades da federação para 48. A região com o maior número de unidades federativas seria a região Norte, enquanto a região Sul seria a única sem uma única unidade federativa nova.

Os estados com estágio de criação mais avançados são Gurgeia e Maranhão do Sul, ambos na região Nordeste, e Carajás na região Norte. Segundo as propostas, esse seria um mecanismo para conduzir a redivisão territorial do País como forma de reduzir as desigualdades socioeconômicas e favorecer o desenvolvimento das regiões menos assistidas pelo Poder Público.

Caso os projetos sejam aprovados no Congresso, o passo seguinte é conduzir um plebiscito junto aos moradores de cada estado, com a coordenação do Tribunal Superior Eleitoral. Havendo aprovação nas urnas, a proposta é encaminhada ao Palácio do Planalto, para que o presidente da República envie ao Congresso um projeto de lei complementar propondo a criação da nova unidade.

Gurgueia – O estado de Gurgueia, com 87 municípios, seria desmembrado do estado Piauí .

Carajás – Caso aprovado o projeto de lei será estado fruto do desmembramento do Pará

Maranhão do Sul - Desmembramento do sul do estado do Maranhão.

Tapajós - O estado do Tapajós é uma proposta resultante do desmembramento de uma área do noroeste e do oeste do Pará

Triângulo – O estado do Triângulo, com 66 municípios, seria fruto do desmembramento da parte oeste de Minas Gerais.

Em estágio avançado, seriam estas cinco, no entanto tramitam 18 propostas para criação de 18 novos estados no Brasil.

Sem querer entrar no mérito da importância ou necessidade de refazer uma divisão territorial no Brasil. Gostaria com este texto alertar para fazermos uma reflexão quanto ao custo x benefício de tais medidas históricas.

Quantos novos governadores, deputados federais, prefeitos, vereadores teríamos no Brasil? Quantos tribunais, fóruns, cartórios, assembléias, secretarias, etc, novos seriam criados? O quanto aumentaria a máquina pública? Surgiriam mais indústrias de concursos e aspirantes a uma carreira pública, ao invés de empreendedores e criadores de atividades na iniciativa privada.

Por que fatiar mais o norte e nordeste?

E deixar o sul e sudeste praticamente do jeito que está? Esta eu respondo. Simplesmente porque se aumentaria o número de deputados e senadores desta região.

Hoje os deputados e os senadores, do sul e sudeste tem sua força e representatividade, poder de votar e decidir os assuntos do interesse de sua região, dentro do número que representam.

Esta força e este poder cairiam à medida que aumentariam o numero de deputados e senadores, principalmente das regiões norte e nordeste. A primeira impressão, é que querem fatiar o Brasil para aumentar o poder em determinadas regiões.

Ou então o objetivo implícito seria aumentar a corrupção. O cálculo é simples, se com 513 deputados e 81 senadores a corrupção está nos níveis altos em que se encontra, imagine aumentando ou dobrando este número com 18 novos estados. Quantos bilhões seriam gastos para cada estado novo criado?

O mapa geoeconômico do Brasil, com maior concentração de indústrias está justamente nos estados das regiões Sul (RS, PR, SC) e Sudeste (SP, MG, RJ, ES), bem como os estados do Mato Grosso do Sul, Goiás, e a parte sul do Tocantins.

Então porque fatiar justamente o norte e nordeste? Simplesmente, porque querem enfraquecer os estados que efetivamente geram riquezas, para segundo dizem, melhorar a distribuição de renda. Tirar de quem tem, porque produz e trabalha, para quem não tem, normalmente porque não produz e não trabalha como quem tem…..

Para contrapor um absurdo, outro pode ser sugerido

A solução que proponho é muito simples: Vamos separar o sul e sudeste do resto, ai fica mais justo, cada um ficando com aquilo que produz. Esta idéia é antiga, mas se podem e estão com projetos câmara e no senado para fatiar os estados do norte e nordeste, porque não podemos aqui no sul e também no sudeste propormos nossa separação como país dos demais estados ?

Para contrapropor um absurdo, vamos propor outro, (embora particularmente não pense que separar a metade sul seja um absurdo). Ou vamos no mínimo passar a refletir sobre o tema, propiciando um debate saudável nas escolas, universidades, e também nas rodas de amigos e conversas de bar, ao invés de falar apenas sobre futebol…

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2 Comentários »

  • Nestor Araújo Morais disse:

    O olhar do Sr. Ivo Losekan sobre a questão é simplista, pois ignora a complexidade do tema, limitando-se apenas a considerar o aumento da máquina pública e seus custos, além de lançar suspeitas inverossímeis sobre os seus verdadeiros propósitos.
    Tudo o que foi dito reflete imensa ignorância e/ou profunda má vontade.
    Sem querer aprofundar demais, pois este espaço não permite, vou tentar lançar um pouco de luz sobre a ótica do Sr. Losekan.
    Primeiro: se os estados do sul/sudeste (com exceção de Minas Gerais) não têm propostas de divisão territorial, é porque estão satisfeitos e consideram que suas atuais extensões territoriais permitem à administração promover seus desenvolvimentos com equidade, diferente do Norte e Nordeste, cuja maioria dos estados possui poções territoriais imensas, onde o poder público não chega ou é insuficiente.
    Segundo: o desejo de divisão territorial não parte dos políticos, mas da sociedade. A maioria dos políticos destas regiões, tal como os do sul/sudeste, também não querem estas divisões, pois isso implicaria prejuízo para suas carreiras e interesses obscuros. É uma luta muito difícil, com forças poderosas trabalhando contra, e por razões nada honestas.
    Terceiro: está mais que provado que as divisões territoriais no Brasil só trouxeram benefícios, tanto para as unidades federativas envolvidas, quanto para o país. Mesmo o Sr. Losekan reconhece isso, quando cita os estados de Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins despontando no cenário geoeconômico do país (com destaque para a indústria), todos eles recentemente envolvidos em processo de divisão territorial.
    O Mato Grosso do Sul tinha seu desenvolvimento atravancado quando ainda pertencia ao antigo e imenso estado do Mato Grosso. O Tocantins era a parte miserável do estado de Goiás e, com a divisão, encontra-se em franco desenvolvimento, com melhorias significativas tanto econômicas quanto do IDH de sua população. O Estado de Goiás também ganhou imensamente com isso, como demonstram todos seus indicadores de desenvolvimento desde então.
    Isto aconteceu e não nos consta que trouxe qualquer prejuízo aos estados do Sul/Sudeste, sejam políticos ou econômicos.
    Os Estados Unidos, com área territorial semelhante a nossa (9.372.614 KM² ), possui em sua divisão política cinqüenta (50) estados e um (01) Distrito Federal. Isto para que pudesse promover com igualdade o desenvolvimento em todo o país, o que se constata. O Brasil, com 8.514.877 KM², só possui 26 estados e 01 Distrito Federal. Cabe, pelo menos, mais este 18 ora pleiteados no Congresso Nacional.
    Quarto: corrupção e corruptos (tanto no setor público como privado) existe em todo o mundo, não será a criação de novos estados que irá promovê-la ou aumenta-la. O estado do Sr. Losekan, o Rio Grande do Sul, durante o governo passado, foi notícia nacional de constantes escândalos nessa esfera, e isso com os atuais 26 estados. Cabe à sociedade e ao Estado com seus poderes constituídos, está vigilante e combatê–la, em quaisquer circunstâncias.
    Quinto: a representação dos estados no congresso, com as novas unidades federativas, deverá ser objeto de estudo por parte deste, a fim de buscar adequá-la a nova realidade.
    Sexto: Os estados do sul/sudeste são mais ricos não porque seus habitantes sejam mais produtivos e trabalhadores que os demais do restante do país. Não há povo mais trabalhador e produtivo que o nordestino. Isto é fruto da imensa desigualdade com que são distribuídos há 500 anos os recursos federais, principalmente depois da velha república, com a famigerada política do café-com-leite, privilegiando essa região, notadamente os estados de S. Paulo, Rio de Janeiro e M. Gerais.
    Diferente do que pensa o Sr. Losekan, o resto do país tem pagado pelo desenvolvimento do sul/sudeste, e não o contrário, com a aplicação diferenciada de maciços recursos da União na sua infra-estrutura, saúde, incentivos fiscais etc., recursos estes arrecadados de todo o povo brasileiro (aí incluído o do norte/nordeste) o que canaliza para esta região maior concentração da indústria/comércio/agricultura/serviços…, da produção econômica, enfim.
    Isto produz ainda um círculo vicioso.
    Como as mercadorias e serviços são, em sua maioria, produzidos lá, pagamos mais e mais ICMS para estes estados produtores, os tornando mais ricos e nos mantendo pobres.
    Apesar disso tudo, possuímos estados com economias bastante desenvolvidas e que se destacam também na indústria, como: Pernambuco, Bahia, Ceará, Amazonas etc.
    O país como um todo precisa desenvolver-se, e não apenas o sul/sudeste. Isto será benéfico para todos.
    Sétimo: como lembramos acima, a divisão territorial de estados do norte e do nordeste não afetará o poder e influência política dos estados do sul e do sudeste, nem lhes tirará dinheiro. Não é o que queremos nem acontecerá. Este argumento é paranóico ou de má fé. O custeio da máquina pública será feito com os mesmos recursos já previstos para o estado originário, que também serão divididos.
    Isto tão somente tornará o poder público mais presente nas regiões ora mal assistidas, promovendo uma melhor administração (descentralizada) que ajudará a alavancar seus desenvolvimentos econômico e social, com reflexos positivos para todo o país.
    Isso, evidentemente, por si só, não será suficiente para acabar com as desigualdades regionais e sociais que atrasam o crescimento do Brasil. Outras ações estão sendo feitas e mais outras terão que ser feitas. Mas é de suma importância.
    Por fim, toda vez que vejo um brasileiro mencionar o separatismo, enxergo ali um mau brasileiro.
    E já que podemos nos permitir apresentar contrapontos absurdos, aqui vai mais um (embora também não ache tão absurdo): esses maus brasileiros pertencem a famílias emigrantes européias que se estabeleceram no sul do Brasil e estão em sua primeira ou segunda geração. São ainda muito ligados aos países de origem dos seus pais e avós; possuem, solicitaram ou pensam em solicitar a outra cidadania; ouvem ou falam no seio de suas famílias o idioma do país de origem (às vezes até na cidadezinha colonial em que nasceram) e, portanto, têm sua identidade nacional brasileira muito pouco desenvolvida. São preconceituosos; seguem, pelo menos neste particular, o ideário neo-nazista que lhes confere uma pseudo-superioridade racial (contrariando a ciência), portanto, também são racistas e, por causa disso, como é comum na Europa há séculos, culminam por pregar a separação.
    Graças a Deus, formam uma pequeníssima minoria, cujas idéias ridículas não encontram eco no meio da sociedade daquela parte do Brasil (ou noutras), constituída em sua grande maioria de brasileiros de verdade.
    Nós outros, cá do norte/nordeste, pelo contrário, estamos aqui desde o descobrimento, integrados plenamente à nossa cultura e sempre buscando integrar cada vez mais a nossa grande nação.
    Como se vê, os argumentos apresentados pelo Sr. Ivo Losekam são carentes de quaisquer fundamentos.

    O olhar do Sr. Ivo Losekan sobre a questão é simplista, pois ignora a complexidade do tema, limitando-se apenas a considerar o aumento da máquina pública e seus custos, além de lançar suspeitas inverossímeis sobre os seus verdadeiros propósitos.
    Tudo o que foi dito reflete imensa ignorância e/ou profunda má vontade.
    Sem querer aprofundar demais, pois este espaço não permite, vou tentar lançar um pouco de luz sobre a ótica do Sr. Losekan.
    Primeiro: se os estados do sul/sudeste (com exceção de Minas Gerais) não têm propostas de divisão territorial, é porque estão satisfeitos e consideram que suas atuais extensões territoriais permitem à administração promover seus desenvolvimentos com equidade, diferente do Norte e Nordeste, cuja maioria dos estados possui poções territoriais imensas, onde o poder público não chega ou é insuficiente.
    Segundo: o desejo de divisão territorial não parte dos políticos, mas da sociedade. A maioria dos políticos destas regiões, tal como os do sul/sudeste, também não querem estas divisões, pois isso implicaria prejuízo para suas carreiras e interesses obscuros. É uma luta muito difícil, com forças poderosas trabalhando contra, e por razões nada honestas.
    Terceiro: está mais que provado que as divisões territoriais no Brasil só trouxeram benefícios, tanto para as unidades federativas envolvidas, quanto para o país. Mesmo o Sr. Losekan reconhece isso, quando cita os estados de Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins despontando no cenário geoeconômico do país (com destaque para a indústria), todos eles recentemente envolvidos em processo de divisão territorial.
    O Mato Grosso do Sul tinha seu desenvolvimento atravancado quando ainda pertencia ao antigo e imenso estado do Mato Grosso. O Tocantins era a parte miserável do estado de Goiás e, com a divisão, encontra-se em franco desenvolvimento, com melhorias significativas tanto econômicas quanto do IDH de sua população. O Estado de Goiás também ganhou imensamente com isso, como demonstram todos seus indicadores de desenvolvimento desde então.
    Isto aconteceu e não nos consta que trouxe qualquer prejuízo aos estados do Sul/Sudeste, sejam políticos ou econômicos.
    Os Estados Unidos, com área territorial semelhante a nossa (9.372.614 KM² ), possui em sua divisão política cinqüenta (50) estados e um (01) Distrito Federal. Isto para que pudesse promover com igualdade o desenvolvimento em todo o país, o que se constata. O Brasil, com 8.514.877 KM², só possui 26 estados e 01 Distrito Federal. Cabe, pelo menos, mais este 18 ora pleiteados no Congresso Nacional.
    Quarto: corrupção e corruptos (tanto no setor público como privado) existe em todo o mundo, não será a criação de novos estados que irá promovê-la ou aumenta-la. O estado do Sr. Losekan, o Rio Grande do Sul, durante o governo passado, foi notícia nacional de constantes escândalos nessa esfera, e isso com os atuais 26 estados. Cabe à sociedade e ao Estado com seus poderes constituídos, está vigilante e combatê–la, em quaisquer circunstâncias.
    Quinto: a representação dos estados no congresso, com as novas unidades federativas, deverá ser objeto de estudo por parte deste, a fim de buscar adequá-la a nova realidade.
    Sexto: Os estados do sul/sudeste são mais ricos não porque seus habitantes sejam mais produtivos e trabalhadores que os demais do restante do país. Não há povo mais trabalhador e produtivo que o nordestino. Isto é fruto da imensa desigualdade com que são distribuídos há 500 anos os recursos federais, principalmente depois da velha república, com a famigerada política do café-com-leite, privilegiando essa região, notadamente os estados de S. Paulo, Rio de Janeiro e M. Gerais.
    Diferente do que pensa o Sr. Losekan, o resto do país tem pagado pelo desenvolvimento do sul/sudeste, e não o contrário, com a aplicação diferenciada de maciços recursos da União na sua infra-estrutura, saúde, incentivos fiscais etc., recursos estes arrecadados de todo o povo brasileiro (aí incluído o do norte/nordeste) o que canaliza para esta região maior concentração da indústria/comércio/agricultura/serviços…, da produção econômica, enfim.
    Isto produz ainda um círculo vicioso.
    Como as mercadorias e serviços são, em sua maioria, produzidos lá, pagamos mais e mais ICMS para estes estados produtores, os tornando mais ricos e nos mantendo pobres.
    Apesar disso tudo, possuímos estados com economias bastante desenvolvidas e que se destacam também na indústria, como: Pernambuco, Bahia, Ceará, Amazonas etc.
    O país como um todo precisa desenvolver-se, e não apenas o sul/sudeste. Isto será benéfico para todos.
    Sétimo: como lembramos acima, a divisão territorial de estados do norte e do nordeste não afetará o poder e influência política dos estados do sul e do sudeste, nem lhes tirará dinheiro. Não é o que queremos nem acontecerá. Este argumento é paranóico ou de má fé. O custeio da máquina pública será feito com os mesmos recursos já previstos para o estado originário, que também serão divididos.
    Isto tão somente tornará o poder público mais presente nas regiões ora mal assistidas, promovendo uma melhor administração (descentralizada) que ajudará a alavancar seus desenvolvimentos econômico e social, com reflexos positivos para todo o país.
    Isso, evidentemente, por si só, não será suficiente para acabar com as desigualdades regionais e sociais que atrasam o crescimento do Brasil. Outras ações estão sendo feitas e mais outras terão que ser feitas. Mas é de suma importância.
    Por fim, toda vez que vejo um brasileiro mencionar o separatismo, enxergo ali um mau brasileiro.
    E já que podemos nos permitir apresentar contrapontos absurdos, aqui vai mais um (embora também não ache tão absurdo): esses maus brasileiros pertencem a famílias emigrantes européias que se estabeleceram no sul do Brasil e estão em sua primeira ou segunda geração. São ainda muito ligados aos países de origem dos seus pais e avós; possuem, solicitaram ou pensam em solicitar a outra cidadania; ouvem ou falam no seio de suas famílias o idioma do país de origem (às vezes até na cidadezinha colonial em que nasceram) e, portanto, têm sua identidade nacional brasileira muito pouco desenvolvida. São preconceituosos; seguem, pelo menos neste particular, o ideário neo-nazista que lhes confere uma pseudo-superioridade racial (contrariando a ciência), portanto, também são racistas e, por causa disso, como é comum na Europa há séculos, culminam por pregar a separação.
    Graças a Deus, formam uma pequeníssima minoria, cujas idéias ridículas não encontram eco no meio da sociedade daquela parte do Brasil (ou noutras), constituída em sua grande maioria de brasileiros de verdade.
    Nós outros, cá do norte/nordeste, pelo contrário, estamos aqui desde o descobrimento, integrados plenamente à nossa cultura e sempre buscando integrar cada vez mais a nossa grande nação.
    Como se vê, os argumentos apresentados pelo Sr. Ivo Losekam são carentes de quaisquer fundamentos.

    O olhar do Sr. Ivo Losekan sobre a questão é simplista, pois ignora a complexidade do tema, limitando-se apenas a considerar o aumento da máquina pública e seus custos, além de lançar suspeitas inverossímeis sobre os seus verdadeiros propósitos.
    Tudo o que foi dito reflete imensa ignorância e/ou profunda má vontade.
    Sem querer aprofundar demais, pois este espaço não permite, vou tentar lançar um pouco de luz sobre a ótica do Sr. Losekan.
    Primeiro: se os estados do sul/sudeste (com exceção de Minas Gerais) não têm propostas de divisão territorial, é porque estão satisfeitos e consideram que suas atuais extensões territoriais permitem à administração promover seus desenvolvimentos com equidade, diferente do Norte e Nordeste, cuja maioria dos estados possui poções territoriais imensas, onde o poder público não chega ou é insuficiente.
    Segundo: o desejo de divisão territorial não parte dos políticos, mas da sociedade. A maioria dos políticos destas regiões, tal como os do sul/sudeste, também não querem estas divisões, pois isso implicaria prejuízo para suas carreiras e interesses obscuros. É uma luta muito difícil, com forças poderosas trabalhando contra, e por razões nada honestas.
    Terceiro: está mais que provado que as divisões territoriais no Brasil só trouxeram benefícios, tanto para as unidades federativas envolvidas, quanto para o país. Mesmo o Sr. Losekan reconhece isso, quando cita os estados de Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins despontando no cenário geoeconômico do país (com destaque para a indústria), todos eles recentemente envolvidos em processo de divisão territorial.
    O Mato Grosso do Sul tinha seu desenvolvimento atravancado quando ainda pertencia ao antigo e imenso estado do Mato Grosso. O Tocantins era a parte miserável do estado de Goiás e, com a divisão, encontra-se em franco desenvolvimento, com melhorias significativas tanto econômicas quanto do IDH de sua população. O Estado de Goiás também ganhou imensamente com isso, como demonstram todos seus indicadores de desenvolvimento desde então.
    Isto aconteceu e não nos consta que trouxe qualquer prejuízo aos estados do Sul/Sudeste, sejam políticos ou econômicos.
    Os Estados Unidos, com área territorial semelhante a nossa (9.372.614 KM² ), possui em sua divisão política cinqüenta (50) estados e um (01) Distrito Federal. Isto para que pudesse promover com igualdade o desenvolvimento em todo o país, o que se constata.
    O Brasil, com 8.514.877 KM², só possui 26 estados e 01 Distrito Federal. Cabe, pelo menos, mais estas 18 novas unidades federativas ora pleiteadas no Congresso Nacional.
    Quarto: corrupção e corruptos (tanto no setor público como privado) existe em todo o mundo. Não será a criação de novos estados que irá promovê-la ou aumenta-la. O estado do Sr. Losekan, o Rio Grande do Sul, durante o governo passado, foi notícia nacional de constantes escândalos nessa esfera, e isso com os atuais 26 estados. Cabe à sociedade e ao Estado, com seus poderes constituídos, está vigilante e combatê–la, em quaisquer circunstâncias.
    Quinto: a representação dos estados no congresso, com a redivisão territorial, deverá ser objeto de estudo por parte deste, a fim de buscar adequá-la a nova realidade.
    Sexto: se os estados do sul/sudeste são mais ricos e prósperos não é porque seus habitantes sejam mais produtivos e trabalhadores que os demais do restante do país. Não há povo mais trabalhador e produtivo que o nordestino. Isto é fruto da imensa desigualdade com que são distribuídos há 500 anos os recursos federais, principalmente depois da velha república, com a famigerada política do café-com-leite, privilegiando essa região, notadamente os estados de S. Paulo, Rio de Janeiro e M. Gerais.
    Diferente do que pensa o Sr. Losekan, o resto do país tem pagado pelo desenvolvimento do sul/sudeste, e não o contrário, com a aplicação diferenciada de maciços recursos da União na sua infra-estrutura, saúde, incentivos fiscais etc., recursos estes arrecadados de todo o povo brasileiro (aí incluído o do norte/nordeste) o que canaliza para aquela região maior concentração da indústria/comércio/agricultura/serviços…, da produção econômica, enfim.
    Isto gera ainda outro círculo vicioso.
    Como as mercadorias e serviços são, em sua maioria, produzidos lá, pagamos mais e mais ICMS para estes estados produtores, os tornando mais ricos e nos mantendo pobres.
    Apesar disso tudo, possuímos estados com economias bastante desenvolvidas e fortes, que se destacam também na indústria, como: Pernambuco, Bahia, Ceará, Amazonas etc.
    O país como um todo precisa desenvolver-se, e não apenas o sul/sudeste. Isto será benéfico para todos.
    Sétimo: como lembramos acima, a divisão territorial de estados do norte e do nordeste não afetará o poder e influência política dos estados do sul e do sudeste, nem lhes tirará dinheiro. Não é o que queremos nem acontecerá. Este argumento é paranóico ou de má fé. O custeio da máquina pública será feito com os mesmos recursos já previstos para o estado originário, que também serão divididos.
    Isto tão somente tornará o poder público mais presente nas regiões ora mal assistidas, promovendo uma melhor administração (descentralizada) que ajudará a alavancar seus desenvolvimentos econômico e social, com reflexos positivos para todo o país.
    Isso, evidentemente, por si só, não será suficiente para acabar com as desigualdades regionais e sociais que atrasam o crescimento do Brasil. Outras ações estão sendo feitas e mais outras terão que ser feitas. Mas é de suma importância.
    Por fim, toda vez que vejo um brasileiro mencionar o separatismo, enxergo ali um mau brasileiro.
    E já que podemos nos permitir apresentar contrapontos absurdos, aqui vai mais um (embora também não ache tão absurdo): esses maus brasileiros pertencem a famílias emigrantes européias que se estabeleceram no sul do Brasil e estão em sua primeira ou segunda geração. São ainda muito ligados aos países de origem dos seus pais e avós; possuem, solicitaram ou pensam em solicitar a outra cidadania; ouvem ou falam no seio de suas famílias o idioma do país de origem (às vezes até na cidadezinha colonial em que nasceram) e, portanto, têm sua identidade nacional brasileira muito pouco desenvolvida. São preconceituosos; seguem, pelo menos neste particular, o ideário neo-nazista que lhes confere uma pseudo-superioridade racial (contrariando a ciência), portanto, também são racistas e, por causa disso, como é comum na Europa há séculos, culminam por pregar e buscar a unidade nacional.
    Graças a Deus, formam uma pequeníssima minoria, cujas idéias ridículas não encontram eco no seio da sociedade daquela parte do Brasil (ou noutras), constituída em sua grande maioria de brasileiros de verdade.
    Nós outros, cá do norte/nordeste, pelo contrário, estamos aqui desde o descobrimento, integrados plenamente à nossa cultura e sempre buscando integrar cada vez mais a nossa grande nação.
    Como se vê, os argumentos apresentados pelo Sr. Ivo Losekam são carentes de quaisquer fundamentos.

    O olhar do Sr. Ivo Losekan sobre a questão é simplista, pois ignora a complexidade do tema, limitando-se apenas a considerar o aumento da máquina pública e seus custos, além de lançar suspeitas inverossímeis sobre os seus verdadeiros propósitos.
    Tudo o que foi dito reflete imensa ignorância e/ou profunda má vontade.
    Sem querer aprofundar demais, pois este espaço não permite, vou tentar lançar um pouco de luz sobre a ótica do Sr. Losekan.

  • Maria José dos Santos Matos disse:

    A divisão territorial brasileira seria a conquista que não pudemos alcançar desde o tempo do Brasil provinciano há 400 anos atrás. Portanto espero mais cedo, ou mais tarde que todos estes projetos sejam concluidos, e que haja o desmembramento não apenas em 18 novos Estados brasileiros, mas que seja muito mais.Que o Território brasileiro se transforme em paises comparados ao continente Europeu.

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