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Novela e reprodução assistida

02 de fevereiro de 2014 0

A novela da noite acabou esta semana e, para quem trabalha com infertilidade, chamou atenção as fantasiosas questōes da reprodução assistida, onde médicos misturavam amostras de sêmen, trocavam óvulos de doadoras, enfim, uma grande mistura de material biológico, sem nenhum respaldo ético ou legal.

Embora acredite que a maioria dos telespectadores veja isto apenas como uma maneira do autor da novela ter assunto para mantê-la no ar por tanto tempo, espero que os casais inférteis que realizam procedimentos de reprodução assistida não acreditem que isto possa ser verdade, porque não é. As normas para reprodução assistida são claras, definidas pelo Conselho Federal de Medicina e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária e não dão margem para situações como as descritas na novela.

Mas além disto, o que mais me chamou atenção foi o fato do personagem Bruno, que encontrou um bebê recém-nascido em uma caçamba, ter forjado documentos e ter ficado com a criança. Embora ele estivesse mobilizado por um sofrimento extremo, o que fez pode ser considerado crime. Por mais louvável que tenha sido ele ter salvado o bebê, atitude que imagino a maioria das pessoas teria, o correto seria comunicar às autoridades, entregar a criança e, muito provavelmente, através dos registros de entrada de mulheres nos hospitais da cidade naquele dia, a verdadeira mãe biológica seria encontrada. Caso não fosse, haveria uma lista de espera repleta de casais ansiosos por um bebê aguardando há anos na fila da adoção.

O que fez o personagem Bruno foi uma adoção “selvagem”, tirando da mãe biológica o direito de reencontrar seu filho e passando por cima de uma lista de espera de casais para adoção que passaram por um longo processo de entrevistas com assistentes sociais e psicólogos e que foram considerados aptos para adotarem uma criança. Em nenhum momento isto foi questionado e a ideia de bom moço vigorou. Mas será que é realmente assim?

Postado por Isabel de Almeida

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